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SÁBADO – 10/MAIO/2014

SÁBADO – 10/MAIO/2014

S. JOÃO D’ÁVILA (1499-1569). Quando STA. Teresa de Jesus soube da morte de S.João d’Ávila gritou : “Eu choro porque a Igreja perde uma das suas colunas e as almas  um socorro poderoso”. S. Pedro d’Alcântara também não hesitou em afirmar que ninguém ultrapassava este santo no conhecimento das veredas espirituais. O homem que merecia tais elogios era um teólogo, nascido na alvorada do século de ouro espanhol. Filho de uma família judia convertida, estudou em Salamanca e Alcalá e ordenado em 1525. Desejava anunciar o Evangelho no novo mundo, mas os “cristãos novos”  (judeus convertidos) não tinham o direito de embarcar para a América e, em alternativa, foi-lhe confiada a missão de reavivar a fé dos habitantes do sul de Espanha que tinham sofrido durante séculos a influência árabe. Verdadeiro “apóstolo da Andaluzia”, ele pregou com ardor em numerosas cidades, preso e absolvido pela Inquisição esteve na origem da conversão de S. João de Deus e S. Francisco de Bórgia.  Conselheiro do bispo de Granada e dos pobres, foi um dos inspiradores do Concílio de Trento. A  sua obra “Audi, filia et vide”, bem como numerosas cartas espirituais, colocam-no entre os maiores teólogos do séc.XVI. O Papa Bento XVl proclamou-o em 2012 Doutor da Igreja.

Actos 9, 31-42 ; Sal 115, 12-17 ; João 6, 60-69

“Também vós quereis partir ?” Apesar da magnífica profissão de fé de Pedro: “…Nós cremos e sabemos que Tu és O Santo de Deus”, ele abandonará o Mestre nos dias da Paixão. Hoje como ontem a verdade perturba, incomoda. Ela leva-nos a fazer a escolha de Cristo. Será que estamos preparados?

“Meditações Bíblicas”, Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard).  Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 9/MAIO/2014

SEXTA-FEIRA – 9/MAIO/2014

Actos 9, 1-20 ; Sal 116,1-2 ; João 6, 52-59

SaoPauloDerrubado_Damasco“ELE LEVANTOU-SE…” (Actos 9,1-20). O verbo “levantar-se” é um dos que apontam a ressurreição. Este primeiro relato da conversão de Saulo nos Actos dos Apóstolos descreve a entrada do jovem fariseu na Igreja, por meio de um percurso baptismal de iniciação à morte e ressurreição de Cristo. Saulo, derrubado pela visão, fica cego, e permanece três dias na noite, sem beber nem comer, passando pela morte. Mas todo o texto está saturado de verbos de ressurreição: “levanta-te”; “ele ergue-se”.  Quando Ananias lhe impõe as mãos, O Espírito de Deus ilumina Saulo e restitui-lhe a vista; o gesto do baptismo manifesta esta saída da morte que é ressurreição. Saulo recebe então o pão em alimento.

“Meditações Bíblicas”, Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard).  Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 8/MAIO/2014

QUINTA-FEIRA – 8/MAIO/2014

Actos 8, 26-40 ; Sal 65, 8-9.16-17. 20 ; João 6, 44-51

FilipeBaptizaOEtiopeEunuco“O SEU DESTINO …” (Actos 8,26-40).  Mais que sobre“o seu destino”, o texto grego de Isaías que o eunuco estava a ler, interroga-se sobre “a geração” do servo, sobre a sua “descendência”: “Quem a poderá contar?” Maltratado pelos que o rodeiam, o profeta servidor é morto; suprimido da face da terra, não terá futuro, não terá descendência. Este texto despertou certamente no eunuco o eco doloroso da sua deficiência: ele não tinha descendência, no seu destino não havia qualquer esperança. Mas porque foi atingido na própria carne, o eunuco pôde acolher o anúncio de Filipe que lhe revela quem é Aquele que cumpriu a profecia por completo.   Jesus é O servo humilhado, condenado à morte, aparentemente sem descendência, mas que Deus reergueu dos mortos para lhe gerar uma multidão de irmãos.

“SE MEU PAI NÃO O ATRAIR…” (João 6,44-51).  Trata-se ainda mais uma vez da nossa relação com O Pai. Não há excepções: o mais modesto cristão, o mais pobre crente está sob a alçada dO Pai. “Ninguém pode vir a Mim se Meu Pai não o atrair”. O mesmo dirá S.Paulo dO Espírito Santo: isto é verdade não apenas para os“carismáticos”, até o acto de fé mais elementar acontece apenas sob a Sua inspiração.   “Eu vos declaro, ninguém pode dizer que “Jesus é O Senhor” sem ser pelO Espírito Santo”. Sim, cada um de nós, nos actos fundamentais da sua vida cristã, mesmo os mais simples ignorados pelos homens, está sob a acção da Santíssima Trindade… Mas pode surgir nos nossos corações uma inquietação: então, e os que não tenham estes favores divinos, não podem aceder à vida cristã ?  Jesus tranquiliza-nos: todos os homens são instruidos por Deus. De que forma? É o Seu segredo. Para todo o homem há um tempo, um momento, fixados pelO Pai na Sua sabedoria : pode ser no instante decisivo da morte, em que o homem se encontrará só diante de Deus e, num acto de soberana liberdade lhe é dado pronunciar o Sim ou o Não da sua eternidade. Jesus alerta-nos para uma vã presunção dos crentes, que por terem já vislumbrado O Pai na terra, se possam convencer que O reconhecerão nesse dia.  Não !, só Jesus viu O Pai. Nós, para vermos um dia O Pai, teremos primeiro que ir a Jesus, para O escutar, para conformar as nossas acções aos Seus ensinamentos, para nos alimentarmos d’Ele, Pão da vida.

“Meditações Bíblicas”, Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard).  Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 7/MAIO/2014

QUARTA-FEIRA – 7/MAIO/2014

BTA. MARIA LUISA TRINCHET (1684- 1759). Fundadora, com S. Louis de Montfort, das “Irmãs da Sabedoria”, dedicadas ao ensino das crianças e cuidado dos doentes e pobres. Nas “Casas da providência” desta ordem, as Irmãs vivem com os orfãos, os velhos e os deficientes.   Foi beatificada, em 1993, pelo papa S.João-Paulo ll.

Actos 8, 1b-8 ; Sal 65, 1-3a . 4-7a ; João 6, 35-40

PedroJoaoEFilipeABaptizarNaSamaria“TODOS AQUELES QUE O PAI ME DÁ” (João 6,35-40).  Nós que temos a fé de Cristo, não estamos imunes a um certo farisaísmo: talvez digamos: nós somos os crentes e existem os outros, os não-crentes, senão malditos, pelo menos em risco de o serem. Jesus, neste evangelho, sublinha o carácter absoluta e divinamente gratuito da fé. Não apenas a fé é dom de Deus, mas nós mesmos, crentes, somos entregues pelO Pai a Jesus. Subtileza? Não! Só O Espírito Santo pode fazer-nos entender o significado de ser entregues pelO Pai a Jesus. A fé não é pois “alguma coisa” exterior a Deus de que nos possamos apropriar. Ela é a relação viva entre O Pai e O Filho no seio da Vida Trinitária. O Pai entrega-nos sem cessar aO Filho, e se O Filho acolhe os crentes, não é pelas qualidades que eles tenham, nem sequer pela sua fé ; mas, diz-nos Jesus, por causa dO Pai, porque Ele recebe tudo de Seu Pai e veio sómente para fazer a Vontade d’Aquele que O enviou.  Ao desprender-nos de nós próprios, Jesus não nos detem em Si mesmo e faz-nos voltar, com Ele, para O Pai.  Isto permanece um grande Mistério, impossivel de exprimir, mas é a única explicação que deveria arrastar o maior número de homens possivel, a partir de hoje, nesta relação entre O Pai e O Filho, para que O Pai em tudo seja glorificado. Quando ouvimos as testemunhas relatar a conversão, somos tocados pela mudança radical e profunda que se deu nas suas vidas. No seu itinerário, há claramente um “antes” e um “depois” desta descoberta de Deus.  Antes, a sua vida era marcada por uma grande fome não saciada mas, depois da experiência que lhe abriu o coração à fé encontram uma nova e definitiva orientação para a sua vida. Eles foram surpreendidos pela Presença de Cristo. A palavra de Jesus tomou neles carne e a sua alma ficou a partir daí saciada. No fundo do coração de quem acredita, abre-se uma porta. Cristo pode então entrar e levar-nos para essa Vida eterna. Aí, Ele é O Pão da vida, o alimento dos que n’Ele esperam.

“Meditações Bíblicas”, Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard).  Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 6/MAIO/2014

TERÇA-FEIRA – 6/MAIO/2014

S. PETRONAX (670-747). Abade beneditino.  Restaurou o célebre mosteiro italiano de Monte Cassino, destruido pelos lombardos (581) e sarracenos e é por isso considera-do o segundo fundador, depois de S.Bento, deste berço da ordem beneditina.

Actos 7, 51–8,1a ; Sal 30, 3cd-4. 6ab. 7b. 8a.17. 21ab ; João 6, 30-35

MartirioDeSantoEstevaoENTRE AS MÃOS DO PAI (Actos 7,51–8,1a ; Salmo 30). Que contraste entre a cena da lapidação de Estêvão, tecida de brutalidade e de ódio, e os versículos do Sal.30 escolhidos como contraponto à primeira leitura! Este salmo, pronunciado por Cristo do alto da Cruz, retomado pelos primeiros mártires, é a resposta dO Justo perante o desencadear da violência. Quando um homem aceita deixar de dar livre curso á sua sede de vingança, ele abandona-se entre as mãos dO Seu Pai. “O Teu amor faz-me dansar de alegria: abriste uma passagem à minha frente”.

QUE SINAL? (Jo.6,30-35). Nós estamos dispostos a acreditar. Mas dá-nos ao menos um sinal “Faz” alguma coisa! Jesus responde não fazendo nada, com silêncio total sobre a Sua pessoa.Mas Ele retoma a argumentação dos interlocutores que pode resumir-se em três palavras: “Moisés -.- deu-nos -.- o maná” que substitue por: “O Pai -.- dou-vos(hoje) -.- O Pão verdadeiro”. Meditemos comparando cada um destes três elementos paralelos para ler a vida de hoje à luz desta afirmação de Cristo.   Não deveriam eles exprimir no nosso coração de crentes uma imensa alegria? Se muitas vezes andamos tristes e inquietos, não será por, tal como os Judeus, nos refugiarmos no Antigo Testamento, apenas tempo de Moisés e de sinais? Jesus suscitou aos Judeus o desejo dO Pão que Ele traz, tal como fez desejar a Água viva à Samaritana. Então pôde falar de Si mesmo e fê-lo: “Eu Sou O Pão da Vida”, e explicou esta declaração não com provas, demonstrações, mas com a garantia do seu efeito, do seu resultado: porque Eu sou O Pão, quem O comer ficará saciado. O pão não é para se ver, discutir, analisar, mas sim para alimentar. Como se dissesse : “Alimentai-vos de Mim; será então que vós Me reconhecereis por Aquilo que Eu sou. Partilhai O Pão que hoje vos oferece a Minha Igreja e conhecer-Me-eis verdadeiramente.

“Meditações Bíblicas”, Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard).  Recolha e síntese: Jorge Perloiro.