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SEGUNDA-FEIRA – 10/MARÇO/2014

SEGUNDA-FEIRA – 10/MARÇO/2014

SantaEugeniaDeJesusSTA. MARIA EUGÉNIA DE JESUS (1817-1898).   Depois da separação dos pais e da morte da mãe, vítima da cólera, abandona a prática cristã mas recuperou-a após uma prégação quaresmal na catedral de Notre-Dame. Fundou a“Congregação das Religiosas da Assunção” a quem deu duas prioridades: a adoração (que venha O Teu reino) e a educação (com duas vertentes: o reino de Deus, princípio e fim de tudo, e a sociedade cristã que O ame e sirva).

OS 40 MÁRTIRES DE SEBASTE (séc.IV). Soldados mortos em Sebaste, capital da Arménia, no reinado de Lucínio  que, depois de ter sido derrotado pelo piedoso cunhado Constantino, descarregou a sua fúria nos cristãos. Os soldados da XII legião, formada  por cristãos de várias regiões do império romano, foram obrigados a adorar os deuses: 40 recusaram e – era inverno – foram atirados nus num tanque gelado onde morreram devagar. Só um renegou mas o carcereiro Gorgório, que tocado se convertera, substituiu-o no martírio.

Levítico 19,1-2.11-18 ; Sal 18B, 8-10.15 ; Mateus 25, 31-36

ALeiDoSenhorAlegraOsCoracoes“EU SOU O SENHOR”(Lev.19,1-2.11-18). Conhecemos as palavras da 1ª leitura: roubo, mentira, fraude, perjúrio; opressão, exploração, retenção do salário, abuso dos fracos; ilegalidade, favo-ritismo, injustiça, calúnia, morte; ódio, fraqueza, vingança, rancor.  O que caracteriza o texto é ser, cada uma desta série de palavras, pontuada com o refrão: “Eu sou O Senhor”.  A repetição desta frase, tão forte e tão simples, faz-nos entrar no fundo de nós mesmos e ajuda-nos a ir à raíz do mal: tudo o que aqui nos é descrito, é contrário a Deus.  Deus é diferente; não é possível ser de Deus e agir assim. Os filhos de Deus, não podem tratar-se desta forma uns aos outros. Quando o fazem deixam de pertencer a Deus e, portanto, cessam de ser eles próprios. Os versículos do Salmo19  celebram a Lei – “Tora”, em hebreu – palavra formada sobre uma raíz que significa “visar”, “dar a direcção”,“jorrar água”. Não admira pois que o salmo a cante como “lei” que “restitui a vida”, “dá sabedoria”, “ilumina os olhos”.   Não é ela que possibilita, a nós e aos outros, ajustar-nos a Deus, sem dispersarmos nem fugirmos à nossa precaridade humana ? Mas é-nos ainda necessário escutar esta Palavra com a inteligência do coração, habitado pelO Espírito criador e recriador.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris)     

I DOMINGO DA QUARESMA – 9/MARÇO/2014 (Ano A)

I DOMINGO DA QUARESMA – 9/MARÇO/2014

Directo, 11h: Angelus Domini

Directo, 18h: Patriarca de Lisboa, Catequese Quaresmal

SaoDomingosSavioS. DOMINGOS SÁVIO (1842-1857). O Santo que celebramos neste dia teve a sua primeira biografia escrita pelo seu educador e pai espiritual: São João Bosco. Trata-se do pequeno gigante São Domingos Sávio, exemplo para os que querem ser Santos e a toda a juventude. Domingos Sávio nasceu perto de Turim, em Itália, no ano de 1842; estudou na aldeia e mais tarde foi um dos primeiros a ser acolhido por Dom Bosco no seu Oratório. Estes centros de santificação dos jovens eram um lugar nos arredores de Turim onde assistiam os jovens como escola do primeiro grau; orientação profissional; trabalho e tudo proporcionando o crescimento espiritual e a salvação das almas.
São Domingos Sávio era um jovem comum, mas que interiorizou tão bem a espiritualidade salesiana no seu dia a dia que a sua alegria de menino nunca desapareceu, apenas foi purificada de todo e qualquer pecado. O Santo de hoje amava demais a Eucaristia e sua mãe, Nossa Senhora. Um dos lemas por ele vivido era: ” Antes morrer do que pecar !!!”
Domingos Sávio interiormente amadureceu muito com a vida e sofrimentos que enfrentou em segredo, até contrair uma grave doença e com apenas 15 anos entrar para o Céu em 1857.

SantaFranciscaRomana_visaoSTA. FRANCISCA ROMANA (1384-1440). Uma mulher extraordinária cujo exemplo serve de estímulo à nossa caminhada quaresmal.  Viveu uma época de crise na Igreja – transferência forçada do papado de Roma para Avignon (1309-1376) com as lutas subsequentes que levaram ao Grande Cisma do Ocidente (1378-1417).  Nobre e rica, soube soube viver como pobre; casada e boa esposa e mãe, soube encontrar tempo para Deus e os outros. A intensa vida interior dava-lhe grande familiaridade com  sobrenatural: convivia com o seu anjo da guarda. Viveu o carisma da oração contemplativa e da assistência aos mais necessitados e doentes (nomeadamente aos empestados de Roma, na epidemia que lhe  levou 2 filhos). Canonizada pelo Papa Paulo V em 1608, como modelo de filha, esposa, mãe, viúva, religiosa (fundou a associação das “Oblatas Olivetanas”) e de mística.

Génesis 2, 7-9; 3,1-7 ; Sal 50, 3-6a.12-14.17 ; Rom.5,12-19 ; Mateus 4,1-11

SeEsOFilhoDeDeusMudaEstasPedrasCRISTO, NOVO ADÃO (Mateus 4,1-11).  O deserto onde Jesus é levado pelO Espírito evoca a peregrinação de Israel depois da saída do Egipto, mas também o jardim do Éden.  Os pontos comuns fazem frente às faltas e à precaridade, sob todas as suas formas (Deuto 8,1-5), mas também ao “afastamento de Deus”. No capítulo 2 do Génesis, não confia Deus ao homem a Sua Criação,  deixando-a ao seu livre arbítrio ? Não se encontra agora Jesus sózinho no deserto, em oração durante quarenta dias e quarenta noites, depois de ter vivido uma experiência prolongada da proximidade dO Pai no baptismo ? É então que surge Satanás.Tal como no jardim, a tentação é“tornar-se deus”(Gén.3). Ora, ao contrário de Adão, Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem que assumiu até ao fim a nossa condição humana, opta por Se remeter aO Pai em vez de Se deixar dominar pelo demónio e pelas “paixões” que podem surgir por medo de falta de pão, pela atracção do extraordinário e pelo fascínio do poder. O que Cristo experimentou de  maneira pontual aponta para o que Ele teve que viver durante a Sua existência terrestre e para o que nós próprios teremos que enfrentar ao longo dos dias. Talvez possamos interrogar-nos sobre o que fazemos dos medos e das insatisfações ligadas à finitude humana, sobretudo quando os nossos fantasmas de omnipotência querem levar-nos a crer ser possivel remediá-los com meios que, no final, nos deixarão vazios e desamparados. Será que temos o reflexo de voltar-nos para Deus e manter-nos na Sua presença, na “humilde condição” que é a nossa, para lhE pedir que nos “faça conhecer o caminho a seguir”(Prov.2)?  Aliás, não é O próprio Deus que nos falta? Enfim, pensemos servir-nos das “armas de combate espiritual” (Efés.6,10-17).  Um caminho que nos levará a prostrar-nos para adorarmos apenas Deus.

SÁBADO – 8/MARÇO/2014

SÁBADO – 8/MARÇO/2014

S. JOÃO DE DEUS (1495-1550). S.João de Deus procurava sem saber sequer o quê. Por fim descobriu: buscava a misericórdia. Com 9 anos fugiu de casa, em Portugal, e foi viver em Toledo, Espanha. Fez de tudo um pouco: foi soldado no exército de Carlos V, trabalhou como vendedor ambulante de estampas e livros religiosos. Abriu uma loja em Granada e, após ouvir um sermão de João de Ávila, dedicou a vida aos pobres e aos doentes. Alugou uma casa onde recolhia os mais necessitados e, todos os dias, saía para a rua a pedir esmola, com duas marmitas ao pescoço, dizendo: “Irmãos, fazei bem a vós próprios”. Após 10 anos de trabalho duro no hospital dos “Irmãos da Caridade” que fundara, adoeceu e morreu, não sem antes ter abençoado a cidade de Granada onde encontrara a misericórdia de Deus.

Isaías 58, 9b-14 ; Sal 85,1-6 ; Lucas 5, 27-32

MENDIGOS DA SALVAÇÃO. O comportamento de Jesus confunde os fariseus.  Eles gostariam de O ver jejuar e supeitam que ande com más companhias.  Levi e Zaqueu acorrem ao apelo dO Mestre.  A prontidão da sua obediência traz-lhes a alegria de O acolherem em sua casa, de partilharem a refeição com Ele.  E se todas estas histórias tiverem o seu ponto de encontro em torno da mesa da eucaristía ?   A Igreja é uma assembleia de pecadores perdoados, de doentes em via de cura, de irmãos e irmãs mendigos da salvação de Deus.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris)

1ª SEXTA-FEIRA – 7/MARÇO/2014

1ª SEXTA-FEIRA – 7/MARÇO/2014

Isaías 58,1-9a ; Sal 50, 3-6a.18-19 ; Mateus 9,14-15

O SENTIDO DO JEJUM. Experimento sempre algum medo quando oiço os clamores de Isaías, a “voz que ressoa com o coração” por carregar a cólera dO Senhor. São gritos que derrubam os “falsos biombos” e, ao ouvi-los, encontro-me só num ambiente devastado, só comigo próprio e com as minhas vítimas, só com Deus a escrever o Seu libelo de acusação. Todavia, no tempo novo que Cristo trouxe, sei que a mensagem de Isaías não é de vingança destruidora, mas de amor que tudo renova ; é uma mensagem construtora da verdade e a verdade liberta.   A realidade existencial é que sou pecador e cometos pecados.   Isaías, com a força das suas palavras, obriga-me a um exame de consciência como nunca imaginaria e, graças à luz de Cristo, isso tem consequências na minha vida. A privação de alimento só tem sentido se permitir criar espaço ao Outro. Jejuar porque O Esposo está ausente significa que nenhum bem deste mundo pode preencher a Sua ausência.  Jejuar para me abrir à partilha, à presença dos que estão famintos de considera-ção e reconhecê-los nas suas necessidades como meus semelhantes. Chegou o tempo de fazer cair as cadeias injustas que me impe-dem de aceder à profundeza dos meus desejos, de quebrar os jugos de escravidão das coisas sem importância que me prendem.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris)