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TERÇA-FEIRA – 4/FEVEREIRO/2014

TERÇA-FEIRA – 4/FEVEREIRO/2014

S. JOÃO DE BRITO (1647-93). S. João de Brito que, missionário na Índia foste martirizadoSaoJoaoDeBrito_03 por defenderes o matrimónio cristão vivendo a tua vocação de forma intensa, em contacto permanente com Cristo nos sacramentos que recebias e administravas às multidões de irmãos, ajuda-me a renascer como a filha do chefe da sinagoga. Na verdade, se eu conseguir comer todos os dias O Seu corpo e beber O Seu sangue, com plena consciência da maravilha desse contacto bem mais íntimo com Cristo do que o das duas mulheres do evangelho – a hemorroísa e Tabitá – serei pouco a pouco, ao longo da minha vida, também transformado pela Sua ressurreição já em germe no fundo de mim mesmo.

STA. JOANA DE FRANÇA (1464-1505). A vida de Joana foi uma sucessão de desgraçasSantaJoanaDeFranca que ela ultrapassou pondo toda a sua confiança em Deus e na Virgem Maria. Primeiro desgraça física : uma doença na coluna vertebral declarou-se
na infância deixando a jovem princesa corcunda e coxa.   Depois, desgraça familiar : seu pai, o impiedoso rei Luis XI,
exilou-a longe da corte, e em seguida, num odioso cálculo, obrigou-a a casar com o jovem Luis de Orleães esperando que as deficiências de Joana impedissem o casal de ter filhos, extinguindo-se assim o ramo rival dos Orleães ! Não se recusa a filha de um rei, mas pode-se desdenhá-la, desprezá-la, humilhá-la. E Joana viveu a desgraça conjugal: durante 22 anos, ela suportou com paciência os múltiplos vexames dum marido que a injuriava permanentemente. Em 1498, o duque d’Orleães tornou-se o rei Luis XII de França e uma das suas primeiras decisões foi pedir ao papa o anulamento do casamento, pedido aceite por Roma! O sofrimento de Joana foi enorme sobretudo pela traição do marido que ela sempre apoiara, em especial quando seu pai o tinha feito prisioneiro. Abandonada, fundou a “Ordem da Anunciada”, congregação contemplativa cuja espiritualidade é “agradar a Cristo pela imitação das virtudes de Maria”.  Dez magníficas virtudes (pureza, prudência, humildade, fé, louvor, obediência, pobreza, paciência, caridade e compaixão), que brotam das palavras e atitudes da Virgem no Evangelho. Estas dez virtudes intemporais continuam a iluminar ainda hoje as monjas da Anunciada (na França, Bélgica, Polónia e Costa Rica), mas podem ser meditadas, com proveito, por qualquer pessoa à procura de um caminho para Deus.

2 Samuel 18, 9-10.14b. 24-25a. 30–19, 3 ; Sal 85,1-6 ; Marcos 5, 21-43

OReiDavidChoraELamentasePORQUE NÃO MORRI EU EM VEZ DE TI ? (2Samuel 19,1c). A lamentação de David por Absalão, seu filho morto, é um dos textos mais pungentes dos livros de Samuel.  Absalão tinha conspirado contra o pai, tinha tomado as suas concubinas e afrontara com as suas tropas as tropas de David. Todavia, David pedira a Joab que o poupassem.
A ternura paternal ultrapassa até a traição e a violência.  O rei David estava disposto a morrer para que vivesse o filho indigno. A fé cristã poderá meditar neste texto sobre o amor admiravel dos pais humanos, e compreender como o amor incondicional de Deus-Pai pode ir muito mais além : Deus oferece o perdão aos homens, Seus filhos criminosos que não cessam de se revoltarem contra Ele ao ponto de colocarem numa cruz O Seu Bem-Amado.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris)     

SEGUNDA-FEIRA – 3/FEVEREIRO/2014

SEGUNDA-FEIRA – 3/FEVEREIRO/2014

S. BRÁS, BISPO E MÁRTIR (316). Supõe-se que foi médico e a sua profissão levou-o a reflectir sobre a transitoriedade dos bens terrenos. Natural de Sebaste, Arménia, pela sua santidade foi nomeado bispo. Recusou sacrificar aos ídolos e foi decapitado.  É invocado na cura das doenças da garganta: “São Brás bendito, que se afoga este anjito !”, reza a tradição popular cristã com fé enternecedora.

2 Samuel 15, 13-14. 30 ;16, 5-13a ; Sal 3, 2-7; Marcos 5, 1-20

“TALVEZ O SENHOR…” (2Samuel 16,5-13a). Espantoso David ! Oprimido pelas maldiçõesChimeiAmaldicoaDavid_iluminura dum homem do clã de Saul, o rei derrotado, David recusa perturbar-se ; ele até reconhece a verdade dos insultos de Chimei que o apedreja e chama de assassino.  Compreende a condenação dos seus actos pelO próprio Senhor.  É verdade que David já se arrependera e o nascimento dos filhos mostrou-lhe que Deus continuara a favorecê-lo, mas sabe as suas fraquezas, as lutas entre os filhos, a traição de Absalão…
Sabe que, diante de Deus, ninguém pode considerar-se justo, e aceita a julgamento de Deus. Como os profetas, mantém a sua confiança e esperança num “talvez” que lhe reabra o futuro. Sim, o homem merece a maldição, mas a misericórdia de Deus ultrapassa infinitamente os nossos méritos.

JuizoUniversal-inferno_BeatoAngelico“PELA FORÇA CRIADORA DA PALAVRA” (Mar.5,7). Que significado tem para nós a pergunta:“que queres de mim”, dois mil anos depois deste estranho relato evangélico, que fascinava Dostoievsky ?
Não tendo infelizmente o tempo poder sobre a permanência dO Mal, Jesus pretende afastá-lO de nós. Nós podemos ser o “lugar” do mal, e Jesus, com a Sua graça e perdão, bem como pela força criadora da Sua Palavra, afasta aquele que se chama “Legião”, Satanás multiforme. Como no deserto de Judá após o baptismo, como no “momento favoravel”, no Getsémani, é para nos salvar dO Mal que Jesus, no sentido mais forte e musculado, O expulsa.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris)     

IV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 2/FEVEREIRO/2014

IV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 2/FEVEREIRO/2014

APRESENTAÇÃO DO SENHOR

Transmissão em directo da Santa Missa presidida pelo Papa Francisco no Dia Mundial da Vida Consagrada, na Festa da Apresentação do Senhor, 8h30:

A festa da “Apresentação dO Senhor e da Purificação de Maria” é tradicionalmente conhecida como “Festa das Candeias” ou de “Nossa Senhora da Candelária” (Brasil, Guiné Bissau): neste dia as mulheres que tiverem filhos, até um ano de idade, levam-nos à Igreja para os apresentarem aO Senhor e à comunidade, entregando-os ao cuidado da Virgem. Para cumprir as prescrições da Lei, Maria e José levam Jesus ao Templo.
ApresentacaoDeJesus_GuidoDiSienaO quadro de Guido da Siena (1230-90) abre-nos ao sentido teológico deste acontecimento. José leva com respeito a oferenda ritual: duas pombas que a Tradição cristã verá como
símbolo de Israel e das nações pagãs chamadas a unirem-se na Igreja de Cristo. Maria estende as mãos e o seu gesto anuncia o dom que Cristo fará de Si mesmo na Páscoa e no sacramento da eucaristia. Por isso, a arquitectura e a decoração (altar, baldaquino, cruz, lâmpadas do santuário) evocam mais uma igreja do que O Templo de Jerusalém.
Os 2 profetas, Simeão e Ana, guiados pelO Espírito de Deus, reconhecem na criança O Messias aguardado pelo povo de Israel. Simeão toma Jesus nos braços e com as suas mãos humildemente cobertas pelo manto faz delas um trono. Ana, com a mão aponta o céu donde lhe vem a inspiração. Aqui, os dois Testamentos encontram-se e O Antigo inclina-se perante O Novo: a salvação está a caminho, e ela é esta criança. Motivo para Jesus já não ter fraldas mas uma túnica de cor vermelha, anunciadora da Sua Paixão. Simeão pode partir em paz, ele já recebeu dO Salvador a benção.

Malaq.3,1-4 ; Sal 23, 7-10 ; Hebreus 2,14-18 ; Luc.2, 22-40

“OS MEUS OLHOS VIRAM A TUA SALVAÇÃO” (Lucas 2,22-40), exclama o velho Simeão. Ele tem nos braços um recém-nascido : Jesus, entregue às mãos dos pecadores ; salvação de Deus desde o Seu nascimento e até mesmo desde a Sua concepção… Porque Ele quis partilhar integralmente a nossa condição humana de carne e de sangue. Luz das nações e glória de Israel, Ele será sinal de contradição. Por ser verdadeira luz e glória, Ele desmascará as nossas falsas luzes e as lantejoulas das glórias do mundo. Mensageiro da Aliança, Ele desmascará as alianças perversas que o homem pecador mantém com o diabo e que o tornam escravo. No Seu sangue será selada para
nós a Aliança nova e eterna. Porque Ele tornou-Se em tudo semelhante aos seus irmãos, para ser, nas relações com Deus, um sumo- sacerdote misericordioso e digno de confiança, capaz de tirar os pecados do mundo. Com Simeão, devo pegar o Menino Jesus nos braços, contemplá-lO e bendizer Deus pela Sua salvação. A salvação não é uma teoria mas alguém, Jesus, com quem temos de nos relacionar. Hoje, a liturgia dá-me a contemplar Jesus pequenino, entregue às minhas mãos de pecador… Com a Virgem Maria, devo preparar-me para ter também o coração trespassado. Porque se eu amo Jesus, a oferenda que Ele
faz da Sua vida na cruz não pode deixar-me insensível. E a lança que trespassará o meu coração abri-lo-á aO Coração para sempre aberto de Jesus, para Se derramar de mim sobre os meus irmãos a inesgotável misericórdia de Deus.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris)     

1.º SÁBADO – 1/FEVEREIRO/2014

1.º SÁBADO – 1/FEVEREIRO/2014

STA. BRÍGlDA, PADROEIRA DA IRLANDA (451 –525). Abadessa, fundadora de vários mosteiros.

BTO. LUÍS VARIARA (1875-1923). Padre salesiano italiano, missionário na Colômbia junto dos leprosos.
Fundou ali a congregação das “Filhas dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria”, que aceitava postulantes doentes. O Papa João Paulo ll beatificou-o em 2002.

2 Samuel 12,1-7a.10-17 ; Sal 50,12-17 ; Marcos 4, 35-41

JesusAcalmaATempestadePORQUÊ TER MEDO? Vento contrários, vagas alterosas. A embarcação enche-se de água. No meio da tempestade, no lago de Tiberíades, Jesus dorme : apetece-nos até dizer que o faz de propósito ! E quando os discípulos lhE perguntam : “Não Te importas que pereçamos ?”, pode até presumir-
se a Sua resposta um pouco “irónica” : “Não, porque a Mim nada fará mal, e a vós tambem não ! Ainda não compreendestes que, enquanto Eu estiver convosco, não tendes nada a temer ?” Os discípulos são convidados, e nós com eles, a fazer a descoberta e a aprendizagem do que é a fé: confiança radical em alguém. Conheço esta situação. Frequentemente sou confrontado com ela, quando as forças de destruição, em mim e fora de mim, me assaltam : provas, dúvidas, sofrimentos, “tribulações”, diz S.Paulo. E Jesus parece dormir. Jesus não diz nada, não responde. Ausente? Indiferente? E na barca açoitada sobrevivemos com dificuldade.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris)