Apartes

SÁBADO – 25/OUTUBRO/2014

SaoJoaoStoneS. JOÃO STONE (1539). Agostiniano inglês, foi martirizado por ter recusado reconhecer o rei Henrique VIII como chefe da Igreja de Inglaterra. Prisioneiro na Torre de Londres foi ajudado por uma voz celeste a ser firme e aceitar o martírio. Acusado de alta traição ele foi enforcado e esquartejado. O Papa Paulo VI inscreveu-o no rol dos santos em 1970.

                        Efésios 4,7-16; Sal 121,1-5; Lucas 13,1-9

AfigueiraEsterilA URGÊNCIA DA CONVERSÃO (Luc.13,1-9). Quatro anos de adiamento para uma figueira que não dá fruto apesar dos cuidados do jardineiro, é francamente demais! É até humanamente inconcebivel. E todavia… é assim que Deus cuida por cada um de nós, esperando pacientemente que os nossos corações, tão lentos a acreditar, se  voltem
resolutamente para Ele. Para Deus – Boa-Nova ! – nunca é demasiado tarde! A nossa vida terreste é só uma etapa, uma peregrinação de conversão que nos prepara para acolher a Vida eterna. Assim, quando a morte vier nos surpreender, por mais violenta ou dolorosa que  ela seja, sómente restará a misericórdia de Deus que recebe qualquer coração que queira ajustar-se ao Seu.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 24/OUTUBRO/2014

SantoAntonioMariaClaretSTO. ANTÓNIO MARIA CLARET (1807-1870). Missionário na Catalunha, Arcebispo de Santiago de Cuba, conselheiro do reino de Espanha, escritor espiritual, este fundador das “Filhas do Coração Imaculado de Maria”, chamadas Missionárias Claretenianas, ocupou cargos de grande exposição e sofreu assim muitas calúnias e perseguições pelos inimigos da Igreja. A revolução de 1848 desterrou-o (França), onde morreu. Segundo o papa Bento XVI, este evangelizador catalão “trabalhou com uma generosidade constante pela salvação das almas”.

Efésios 4, 1-6 ; Sal 23, 1-6 ; Lucas 12, 54-59

“… O TEMPO PRESENTE ” (Lucas 12,54-59). O português utiliza a mesma palavra “tempo”, para falar  da duração ou do estado do céu ; e isto facilita o jogo de palavras, iniciado no Concílio Vaticano ll, sobre a “observação dos sinais dos tempos”. Jesus joga com esta imagem, apesar do texto grego não o facilitar.  O que o texto sublinha é a capacidade de observar e de julgar : a partir do estado do céu os homens podem prever a metereologia ; então porque não observam o que se passa entre eles? Eles são incapazes de discernir “o tempo presente”; o termo grego designa“o momento”, “a ocasião favorável” que tem de se agarrar. Ora, a palavra de Jesus cria esse momento favorável: a reconciliação é possível!

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 23/OUTUBRO/2014

SaoJoaoDeCapristanoS. JOÃO DE CAPISTRANO (1386-1456). Apóstolo da Itália, com S.Bernardino de Sena seu grande amigo, este ex-advogado e franciscano, foi nomeado por Nicolau V, “núncio” apostólico da Alemanha, Boémia, Polónia e Hungria.  Apesar de duas tentativas de envenenamento, congregou a cristandade no combate a Maomé ll, terror da Europa e açoite de Deus para castigo das culpas dos cristãos, que, em 1456, viera cercar Belgrado. Antes da batallha ele percorreu as fileiras do exército dos cristãos exortando-os com o crucifixo na mão, e estes, apesar do menor número, venceram. Ficou conhecido como “o santo soldado”.

Efésios  3,14-21; Sal 32,1.3-5.11-12.18-19; Lucas 12, 49-53

“A LARGURA, A PROFUNDlDADE…” (Ef.3,14-21). O autor da carta aos Efésios é um visionário que aumenta ao máximo a apresentação da salvação para todos que ele descreve.  Todas as dimensões do espaço são aqui honradas para evocar a extensão extrema do amor de Deus ao qual nenhuma criatura escapa. Porque O Deus que Cristo nos dá a conhecer é simultâneamente criador e salvador. A salvação que Ele nos oferece no Seu Filho está já em germe na Criação, à qual ela preenche inteiramente.  Alguns Padres da Igreja viram nas quatro dimensões os 4 ramos de uma cruz cósmica abraçando todo o universo num amor infinito. Outros lêem aí a plenitude da sabedoria divina, que permite ao crente avançar no conhecimento de Deus.

AS DORES DE PARTO DE UM MUNDO NOVO (Luc.12,49-53).   Jesus começa por aludir indirectamente à Sua Páscoa próxima, ao falar do baptismo que irá receber e do fogo dO Amor (Espírito Santo) de que Ele é O fruto. Jesus não se contentou em “dar pleno sentido” ao sofrimento , Ele salvou realmente aquilo que, sem a Sua morte e ressurreição, estaria perdido. Ele assumiu salvar-nos pessoalmente e concedeu-nos o dom total e definitivo da Sua vida. Foi por nós que Cristo desejou receber o baptismo da morte, a fim de nos ressuscitar com Ele.   Aceitemos que seja cumprido, consentindo amar com a força do amor de Cristo. Mas Jesus não Se deu só por amor, porque permitiu ainda que entrássemos no movimento do dom total pelos nossos irmãos. É este o sentido do nosso baptismo que nos faz viver como Filhos de Deus.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 22/OUTUBRO/2014

SaoJoaoPauloIIS. JOÃO-PAULO II (1920-2005). No dia 22 / Out./ 1978, Karol Wojtyla foi solenemente entronizado sob o nome de João-Paulo II. O dia de hoje foi escolhido para a memória litúrgica deste glorioso Papa polaco, canonizado em 27/4/2014.

BeatasJosefinaLerouxECompanheirasBTA. JOSEFINA LEROUX e COMPANHEIRAS (1794). Onze religiosas clarissas e ursulinas, de Valenciennes, que, com quatro irmãs da Caridade, de Arrás, foram guilhotinadas na Revolução Francesa. Josefina subiu alegremente para o cadafalso, beijou a mão do carrasco e perdoou a todos. O papa Bento XV beatificou-as em 1920.

Efésios 3,2-12; Isaías 12,2-6; Lucas 12,39-48

“O MEU SENHOR TARDA EM VlR…” (Luc.12,39-48). Alguns decénios após a desa-parição de Jesus, os primeiros apóstolos são mortos e muitos cristãos interrogam-se : porque não volta O Senhor como prometeu? Os cépticos troçam : porquê esperar? A Parúsia (2ª vinda de Cristo) nunca acontecerá, o melhor será aproveitar os prazeres da vida, dizem. Os evangelistas retomam a questão por meio de pequenas parábolas.  Sim, O Senhor (o Mestre!) tarda, mas a Sua promessa cumprir-se-á. Pouco importa o tempo que demorar, os crentes devem vigiar continuamente e estar preparados para O acolherem a qualquer momento. Segundo a segunda carta de Pedro, O Senhor, na Sua infinita paciência, dá assim a todos “o tempo para chegarem à conversão”. Dois mil anos mais tarde, é-nos necessário recordá-lo! A confiança de Cristo em nós é imensa. Podia ter-nos deixado só as chaves da casa, mas fez bem mais: confiou-nos uns aos outros. Qual é a Sua maior riqueza? Os Seus irmãos, os filhos dO Seu Pai do Céu; os nossos irmãos, do maior ao mais pequeno. Jesus chama-nos à responsabilidade: o dom de Deus está nas nossas mãos. As nossas irmãs e irmãos são-nos confiados pelO Pai. Jesus parece dizer-nos : mostra-Me como tratas os teus irmãos e Eu dir-te-ei que vigilante és tu! Eis o que dá sentido à minha vigília: aguardar Cristo, acolhendo-O quando Ele vier até mim sob os traços do meu próximo.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 21/OUTUBRO/2014

BeatoNicolauBarreBTO. NICOLAU BARRÉ (1621-66). Viveu uma vida de apóstolo, de místico, de mestre espiritual, de pedagogo, animado pelo Espírito de Deus. Sensibilizado pela extrema miséria, material e moral, das crianças das ruas, fundou para elas o “Instituto das Irmãs do Menino Jesus”. Tinha humildade e caridade.   Foi beatificados por S. João-Paulo II (1999).

Efésios  2, 12-22 ; Sal 84, 9-14 ; Lucas 12, 35-38

“ESTEJAM APERTADOS OS VOSSOS CINTOS…”(Lucas 12,35-38). Qual é pois o traje de serviço de que nos fala o evangelho? Certamente a roupa de trabalho! Ela é verdadeiramente a roupa do vigilante… Vigiar, é pois desejar-se Deus através de tudo o que fazemos, mas com o grande cuidado de servir os nossos irmãos. Se a vigília é solitária, ela todavia põe-nos sempre em comunhão. Por isso ela está ligada à oração. Da mesma forma que a luz acesa no santuário recorda a presença divina, também o nosso desejo de servir fielmente pode ser assimilado a uma lâmpada que resplandece. STO. Agostinho diz-nos: “O teu desejo, é a tua oração”. Vigiar, desejar, orar são uma unidade! É a maneira de fazer Deus entrar no nosso quotidiano e tudo viver n’Ele, por Ele e para Ele. O Senhor também vigia. O Mestre far-se-á servo: eis o que nos remete para o mistério da Encarnação, e a Cristo do Sábado Santo. Estes versículos podem também levar-nos ao Deus que jamais cessa de aguardar a resposta da humanidade ao Seu amor, vigiando sobre a vida e o crescimento do Seu povo. Nós sabemos pela Escritura que a noite da saída do Egipto foi uma noite de vigia para O Senhor (Êx.12,42); e o Salmo 120 recorda-nos que “o guardião de Israel” nunca dorme nem sequer dormita. Talvez a vigilância seja mais fácil, se nos apercebermos que nela somos precedidos por esta presença que está dependente do amor.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort(Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.