Apartes

SEGUNDA-FEIRA – 20/OUTUBRO/2014

SantaMariaBoscardinSTA. MARIA BERTILA BOSCARDIN (1888-1922). Nascida numa família de camponeses, teve uma mãe paciente, com um marido violento, que a ensinou a ser humilde e a rezar.  Durante a 1ª Guerra Mundial, esta enfermeira italiana, religiosa de STA. Doroteia, dedicou-se sem descanso ao tratamento dos feridos. Morreu depois de uma operação cirúrgica e, com a sua agonia serena e confiante, converteu à fé o próprio médico-chefe do hospital. Foi canonizada pelo Papa S. João XXIII, em 1961.

Efésios  2, 1-10 ; Sal 99, 2-5 ; Lucas12, 13-21

EstaMesmaNoiteSeraPedidaATuaVida“ESTA MESMA NOITE SERÁ PEDIDA A TUA VIDA…”  (Luc.12,13-21). Esta frase deve fazer-nos tremer, ou tratar-se-á duma Boa-nova? O Evangelho nunca usa o medo para nos converter, mas deve escu-tar-se para nos despertar! Deus, que é Vida, só pode desejar a autêntica vida para os Seus filhos. Ele põe-nos em guarda: uma pequena vida egoísta e mesquinha não tem consistência, dissolve-se. Mas existe uma outra vida que dilata o coração porque está aberta aos nossos irmãos e a Deus. Essa vida não está abafada pelos bens. Não os desprezamos (sabemos da sua dura necessidade), mas as riquezas recebidas de Deus são para partilhar entre os homens. Então, elas desempenham o seu papel de boas servidoras e falam-nos daquilo para que nós somos realmente feitos. Cristo convida-nos a uma interrogação existencial. Sobre o quê fundamentamos a nossa vida? Como gerimos a angústia que nasce da nossa finitude? De quem e de quê fazemos depender a felicidade?

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort(Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

XlX DOMINGO DO TEMPO COMUM – 19/OUTUBRO/2014

DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2014
Mensagem do Santo Padre

Beatificação de Paulo VI, Papa.

SaoPedroDeAlcantaraS. PEDRO DE ALCÂNTARA (1449-1562). Místico, contemporâneo de Santa Teresa de Jesus (conheceu-a em 1560, acreditou na autenticidade das visões e apoiou-a na reforma do Carmelo), nasceu em Villa de Alcántara (Cáceres), filho de uma das famílias mais poderosas. Estudou gramática e filosofia em Alcântara, e as leis canónicas e civis em Salamanca. Aos dezaseis anos entrou nos Fanciscanos onde escolheu o nome de Pedro de Alcântara. Grande orador e director espiritual, viveu e morreu sempre fiel à regra franciscana, cujos pilares são a contemplação, a oração, a penitência, o retiro espiritual, a pobreza e o auxílio aos irmãos com o amor e a caridade. O Papa Leão XII proclamou-o, a pedido do imperador D. Pedro, Padroeiro do Brasil (hoje co-padroeiro com NSA  Senhora da Aparecida). O Papa S. João XXIII declarou-o, em 1962, também Padroeiro da Estremadura espanhola.

SaoPauloDaCruzS. PAULO DA CRUZ (1694-1775). Paulo Danei, nasceu em Ovada, Itália.  Sua mãe ensinou-o a ver na Paixão de Cristo a força capaz de superar todas as dificuldades. Foi a partir do primado da “palavra da Cruz” na vida interior que Paulo da Cruz, nas pégadas de Paulo de Tarso, levou o Evangelho como “palavra de re-conciliação”, através da paternidade espiritual e da prégação, aos lenhadores, pastores e pescadores, mesmo sem ter ainda a aprovação do papa Bento XIV (só obtida 1714), da Ordem monática dos “Clérigos Descalços da Santíssima Cruz e Paixão de Nosso Senhor”, vulgarmente chamados de “Passionistas”. Pio IX canonizou-o em 1867.

BeatoJerzyPOPIELUSZKOBTO. JERZY POPlELUSZKO (1947-84).Sacerdote, manso e resoluto, próximo do sindicato “Solidarnosc” polaco, “sómente com as armas espirituais da verdade, da justiça e da caridade, reivindicou a liberdade de consciência dos cidadãos e dos sacerdotes”, assassinado pela polícia política que o raptou e torturou “por ódio à fé”. Mas a consciência não morre e o funeral transformou-se numa manifestação. O Papa S. João-Paulo II beatificou-o em 2010.

Isaías 45,1. 4-6 ; Sal 95,1. 3-5. 7-10a.c ; 1 Tessalonicenses 1,1-5b ; Mateus 22, 15-21

A IMAGEM DE DEUS EM HERANÇA (Mat.22,15-21). Os versículos deste Evangelho podem ser lidos a vários niveis. Há em primeiro lugar os factos tal como são relatados e interpretados por Mateus.  Mas uma palavra torna-os uma passagem chave da Escritura, e abre caminho a uma leitura menos imediata: trata-se do termo “efígie, imagem”. O tom é dado logo de início: experimentar Jesus; diga o que disser, terá de confrontar-Se ou com os judeus ou com o poder político. Mateus condensa sobre o grupo dos fariseus uma parte da oposição a Cristo, mas cabe ao leitor lançar-se numa pesquisa, para ter uma percepção mais clara do judaísmo da época, a partir de fontes menos marcadas pela rotura entre a sinagoga e a Igreja nascente. E também podemos interessar-nos sobre a efígie ou imagem gravada na unidade da moeda, que indica a pertença desta última. Foi o que fizeram os Padres da Igreja (Orígenes, STO. Agostinho, Gregório de Nissa), ao debruçarem-se sobre a unidade que é a “alma humana” portadora da imagem de Deus (Génesis 1). Mas, seja qual for a leitura, este evangelho é rico de ensinamentos espirituais e convida-nos ao discernimento. Como Cristo, há que separar, que diferenciar, onde a tendência é para a confusão entre Deus e César. Mas estes versículos chamam também a nossa atenção para a manipulação, da qual por vezes somos os autores e por vezes vítimas, com o processo clássico que consiste em lisonjear e convidar à vaidade para dessa forma se fazer descuidar as defesas. O tema da efígie interroga-nos como “dar a Deus o que é de Deus”. STO. Agostinho (“Discurso sobre os salmos”, sobre o Sal.94 p.ex.), propõe que pratiquemos o amor dos inimigos porque “O Nosso Pai (…) faz nascer o sol sobre os bons e os maus”. Será desta forma que contribuiremos para “re-esculpir” sobre “o denário da nossa alma, a imagem do Nosso Deus”, e sair do mundo da dessemelhança para entrar no da semelhança. Está em jogo algo importante: aproximar-nos ou afastar-nos de Deus. O discípulo de Cristo está no mundo como o fermento na massa, para explicitar no seu seio a acção dO Espírito.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 18/OUTUBRO/2014

SaoLucasPintandoORetratoDeNossaSenhoraS. LUCAS (séc. I). Tendo-se convertido ao Cristianismo depois de ter encontrado S.Paulo, este médico de profissão seguiu-o nas suas viagens missionárias. É o autor do “terceiro Evangelho”, que tem o seu nome (é o “evangelho da infância de Jesus”, pois Lucas ouviu Maria nos três anos que viveu junto dela), bem como do “Livro dos Actos dos Apóstolos”.

2 Timóteo 4,10-17b ; Sal 114, 10-13. 17-18 ; Luc.10,1-9

CristoEnviaOsApostolosDoisADoisACOLHAMOS A PAZ QUE VEM DE DEUS (Luc.10,1-9). No começo do Evangelho de Lucas, o côro dos anjos canta : “ Glória a Deus nas alturas e paz aos homens que Ele ama” (Luc. 2,14).    Ao vir à Terra, Cristo trouxe uma mensagem de paz. Ao entrarem nas casas, os discípulos, enviados em missão dois a dois, são convidados a transmitirem essa paz que vem de Deus.  Mas eles só o poderão fazer se a tiverem acolhido na sua vida, sinal tangível que a Boa-Nova já está em vias de os transformar. Essa paz fará deles testemunhas autênticas dO Reino. Sê-lo-emos nós?    Despertemos o trabalhador que está adormecido em cada um de nós e deixemo-nos guiar pelO Espírito Santo para participarmos na missão de Cristo.   N’Ele, nós recebemos tudo. É nossa responsabilidade cristã testemunhá-lO também. Neste dia em que festejamos São Lucas peçamos-lhe que interceda por nós, para nos tornarmos amantes do Evangelho, desejosos de O anunciarmos pela palavra e pela vida.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 17/OUTUBRO/2014

SantoInacioDeAntioquiaAtacadoPelosLeoesSTO. INÁCIO DE ANTIOQUIA (107). Bispo de Antioquia durante 40 anos (foi o sucessor de S. Pedro), foi preso na perseguição de Trajano e levado para Roma para ser lançado às feras. Autor de sete cartas de um grande valor histórico e doutrinal.  “Sou trigo de Cristo, moído nos dentes das feras”.

Efésios1,11-14 ; Sal 32, 1-5. 12-13 ; Lucas 12, 1-7 

DIÁLOGO COM DEUS (Luc. 12,1-7). Que haverá de mais banal que os pardais ?   Eles não chamam a atenção nem pela plumagem nem pelo seu canto e todavia Deus dá importância a cada um deles, pois nada existe que não tenha sido desejado por Ele. Sim, Deus ama-nos e valoriza cada um de nós em particular. Nós não somos confundidos numa massa global e indistinta pois “até os cabelos da nossa cabeça estão contados” diz-nos o Evangelho. É certo que as penas e as dificuldades continuam presentes, mas é bom saber que, em tudo isso, Deus toma partido por nós, com a Sua ternura de mãe. Sim, cada um de nós é precioso por aquilo que ele é !  E Deus, nO Seu filho Jesus Cristo, resgatou-nos por um alto preço. O Evangelho de hoje convida-nos a relativizarmos os nossos temores e, sobretudo, a reforçarmos a nossa confiança em Cristo. Serão os nossos temores desajustados? Jesus diz: vós temeis pelo vosso corpo mas receai antes “o que, depois da morte, tem o poder de vos enviar para a Geena”. Deixado a si mesmo, este justo temor pode semear o pânico. Mas Jesus não quer assustar-nos. Ao chamar-nos à vigilância, Ele apela à nossa confiança porque valemos muito a Seus olhos : “Não temais: vós valeis mais que todos os pardais do mundo”.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.