XlV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 6 JUNHO/2014

BTA. MARIA TERESA LEDOCHOWSKA (1863-1922). Esta condessa austríaca de origem polaca fundou, em 1894, o “Instituto S. Pedro Claver” dedicado ao serviço da Igreja missionária.

Zacarias 9, 9-10 ; Sal 144, 1-2. 8-11.13cd-14 ; Romanos 8, 9.11-13 ; Mateus 11, 25-30

TresBellesHeures_TurimO MESSIAS QUE VEM COMO REI HUMILDE (Zac.9,9-10). Numa linguagem diferente, hoje, os responsáveis das Igrejas, não acrescentam nada ao que o profeta Zacarias já proclamava ao anunciar a vinda dO Rei-Messias: não há verdadeira solução para o problema da guerra – que é questão de sobrevivência da humanidade – fora do Evangelho. De facto, sabemos que as raízes da guerra devem procurar-se mais no coração do homem do que nos acontecimentos passageiros do mundo. “De onde vêem as guerras – perguntava já S. Tiago na sua encíclica (Tiago 4,1) -, não vêm precisamente das paixões que se combatem nos vossos membros ?” Fabricam-se menos armas nas oficinas de morte do que em nós mesmos. É sempre a porta íntima do nosso arsenal que se abre primeiro. E quem poderá compreender que o “criminoso de guerra” em potência, que cada um é, tem no próprio coração uma dupla chave desse arsenal de morte ?

A REVELAÇÃO AOS PEQUENINOS (Mateus 11,25-30). Só quem entender isto pertencerá à categoria dos“pequeninos” de que fala Jesus. Quem compreender isto…, não apenas intelectualmente (então pertencerá ao grupo dos“sábios e inteligentes”), mas graças à sua vida, posta, como pede S.Paulo, sob o domínio dO Espírito. Só assim desaparecem do seu coração, pouco a pouco, os “carros de guerra”. Então ele subscreverá com a própria existência o tratado de paz celebrado entre o céu e a terra, e contribuirá para a vitória sobre as forças do mal ; vitória muito mais profunda do que a que poderemos conhecer neste mundo : a vitória de Cristo, O Rei-Messias. No texto de Mateus, Jesus dirige-se aO “Pai” para “proclamar o Seu louvor”. O motivo está na “revelação aos pequeninos” daquilo que O Pai esconde aos “sábios e inteligentes”. A seguir, Jesus fala longamente de Si mesmo. O Pai confiou-lhE tudo. A revelação dO Pai passa unicamento pelO Filho com quem Jesus Se identifica. Os que sofrem sob “o peso do fardo” encontram“repouso” junto de Si. Jesus convida os ouvintes a serem “Seus discípulos” tomando sobre eles o Seu jugo, o Seu fardo, para encontrarem esse repouso. Esse jugo é “fácil de levar”, esse jugo “é leve”. Os evangelhos estão contruidos a partir da Páscoa e para a testemunharem. Acreditar nO Crucificado ressuscitado não é fácil. Os discípulos de Jesus estão na expectativa dos tempos novos e definitivos de Deus que tardam em chegar! O evangelista encoraja-os, recordando-lhes que a ressurreição muda tudo e transfigura a sua vida. O jugo tão pesado dO Senhor torna-se então fácil de levar e o Seu fardo, tão pesado, torna-se leve. Os “mansos”, os “humildes”, na Bíblia procuram viver o melhor possível o ensinamento divino. Jesus é O seu melhor representante pois Ele manifestou uma perfeita união aO Seu Pai e nunca Se afastou d’Ele. Ao contrário dos mansos e dos humildes, os “sábios” e os “inteligentes” representam aqui aqueles que pensam serem eles próprios pequenos deuses, apagando assim das suas vidas O Senhor do céu e da terra. Aquilo que o evangelista critica não é a procura nem a reflexão, mas sim a pretensão de atingir por si mesmo a felicidade, o repouso. Os cristãos acreditam que a felicidade e o repouso só se alcançam pelo, e no, acolhimento dO Pai e de Seu Filho. Esta é a atitude dos “pequeninos”, daqueles que têm plena confiança nO Senhor.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.