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V DOMINGO DO TEMPO DA PÁSCOA – 24/ABRlL/2016

a_JerusalemCelesteS. BENTO MENNI (1841- 1914). Este milanês descobriu a sua vocação aos 18 anos, na gare de Milão, repleta dos soldados feridos na batalha de Magenta (1859, na 2ª Guerra da independência da Itália contra a Áustria), ao ver como eles eram tratados pelos Irmãos Hospitaleiros de S. João de Deus. Maravilhado, pediu a admissão e recebeu o hábito no ano seguinte. Foi ordenado em 1866, e no ano seguinte, com apenas 26 anos, foi enviado pelo papa Pio IX a Espanha, para ali restaurar sua Ordem. Perante a urgente necessidade de atendimento das mulheres doentes mentais, fundou (com Maria Josefa Recio e Angustias Gimenez, em 1881) a “Congregação das Irmãs Hospitaleiras”. Ele mesmo implantou a Congregação em Portugal. Homem de caridade inesgotável e de excepcionais dotes de governo, foi testemunha fiel do amor de Deus aos mais pobres e marginalizados. Quando morreu em Dinan (França), existiam já 22 grandes centros entre asilos, hos- pitais gerais e hospitais psiquiátricos. O papa S.João-Paulo II canonizou-o em 1999.

Act.14, 21b-27 ; Sal 144, 8-13ab ; Apoc. 21,1-5a ; Jo.13, 31-33a. 34-35

TUDO COISAS NOVAS (Apoc.21,1-5 a). Para os leitores familiarizados com a Escritura, estes 5 versículos do Apocalipse despertam múltiplas ressonâncias, que manifestam o cumprir das profecias e o regresso à história entre Deus e a humanidade, colocada sob o signo de uma rotura original com carácter dramático. Isaías anunciava a criação dos novos céus e nova terra bem como o fim de um passado doloroso (Is.65,17). Ezequiel deixava entrever a renovação da aliança e a proximidade da “morada de Deus”, ou seja a Sua presença activa no meio do Povo (Ez.37). Aquilo que, igualmente, referia a profecia dO Emanuel (Is.7). E se, no Capítulo 3, do Génesis – relato da expulsão de Adão e Eva do paraíso – se descrevia a separação dos humanos de Deus, aqui hoje, nestes versículos do Apocalipse garante-se a reversão da maldição de uma vida cheia de morte e lágrimas. A Igreja, sob a figura da Cidade Santa, Esposa dO Cordeiro, dá-nos a contemplar a Aliança renovada e definitiva, selada na Páscoa de Cristo, acontecimento que muda irrevogavelmente o curso da história colectiva e as nossas histórias individuais. Deus revela-Se como Aquele que consola e recria pelo dom dO Seu Filho. Será que que já alguma vez fizemos, pessoalmente, a experiência luminosa da consolação que vem de Cristo ? Experiência que nos terá deixado entrever toda a glória e peso da novidade instaurada por Cristo ? Mas como conhecemos as lágrimas e o sofrimentos daqueles que nos são próximos, faremos muitas vezes perguntas a que o texto bíblico não dá resposta. Ele apenas nos propõe um caminho de fé, num desejo atravessado pela esperança.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 23/ABRlL/2016

a_DecapitacaoDeSaoJorgeS. JORGE (275-303) . Soldado originário da Capadócia, terá sido martirizado em Lídia (Lod, em Israel). lmortalizado na lenda em que ele mata o dragão (símbolo do mal), foi muito popular na Idade Média.

Actos 13, 44-52 ; Sal 97, 1-4 ; João 14, 7-14

LUZ DAS NAÇÕES (Act. 13,44-52) . No livro de Isaías, O Senhor destina o seu servo a ser a “luz das nações” (Is. 49,6) . Impregnado da lei de Deus, o servo ilumina as nações. No início do evangelho de Lucas, Cristo desvenda-Se assim aos olhos do velho Simeão: “Luz que se revela às nações” (Luc.2,32) . Paulo e Barnabé afirmam hoje que herdámos esta missão: ser “luz das nações” com Cristo. O papa Francisco encoraja-nos : “Somos todos convidados a aceitar este apelo : sair do seu próprio conforto e ter a coragem de ir junto de todas as periferias que têm necessidade da luz do evangelho” (Evangelii Gaudium 20) .

“SENHOR MOSTRA-NOS O PAI… ” (Jo. 14,7-14) .“Mostra-nos O Pai; isso nos basta”. Não falta Continue a ler SÁBADO – 23/ABRlL/2016

Dia Internacional da Mãe Terra?

publicado in POVO 22.4.16

Hoje é o dia da Terra. Aliás, de acordo com a resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas 63/278 de 22 de Abril de 2009, a Assembleia Geral decidiu designar o dia 22 de Abril como o dia Internacional da Mãe Terra. Não obstante a atenção que devemos prestar à interacção que temos com o planeta que nos acolhe, a nossa relação com ele/ela não é de filiação. É o argumento de Chesterton que com toda a sua genialidade lhe chama antes, irmã e até mesmo irmã mais nova:

”Só o sobrenatural tem uma visão saudável da Natureza. A essência do panteísmo, evolucionismo e das religiões cósmicas modernas está nesta proposição: que a Natureza é nossa mãe. Infelizmente, se olharmos para a Natureza como mãe, descobriremos que ela é uma madrasta. O ponto principal do cristianismo era este: a Natureza não é nossa mãe: a Natureza é nossa irmã. Podemos ser orgulhosos da sua beleza, uma vez que temos o mesmo pai; mas ela não tem autoridade sobre nós; temos que a admirar, mas não que a imitar. Isto dá ao prazer tipicamente cristão nesta terra um estranho toque de leveza que é quase frivolidade. A Natureza era uma mãe solene para os adoradores de Isis e Cibeles. A Natureza era uma mãe solene para Woodsworth ou para Emerson. Mas a Natureza não é solene para Francisco de Assis ou para George Herbert. Para S. Francisco, A Natureza é irmã, e mesmo uma irmã mais nova: uma pequena, irmã bailarina, para nos rirmos dela e para a amarmos”

G. K. Chesterton

SEXTA-FEIRA – 22/ABRlL/2016

Actos 13, 26-33 ; Sal 2, 6-11 ; João 14, 1-6

ACTORES DA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO ( Actos 13,26-33) . Poderíamos ficar chocados com a cegueira dos habitantes de Jerusalém e dos seus chefes, mas isso seria esquecer a nossa história cristã marcada, também ela, por incompreensões e afastamentos, tantas vezes em contradição flagrante com O Evangelho. O “grande escritor” escreve a bela história da Boa-Nova com lápis frágeis e pouco eficazes. Paulo dirige-se aos irmãos de raça esquecendo-se, por causa deles, de tal modo de si, que chega a dizer : “Eu desejaria (para a sua salvação) ser eu próprio anátema, separado de Cristo” (Rom.9.3). É uma força de expressão, mas revela-nos um homem devorado por um desejo imenso de anunciar Jesus Cristo. Ele irá percorrer a terra e sofrer o martírio por essa única razão. A promessa feita a nossos pais cumpre-se contra tudo e contra todos, com a nossa pobre colaboração. Esta permanente maravilha enche-nos de humildade. Que felicidade ser os autores da história da salvação.

“ PARA IRDES AONDE EU VOU VÓS SABEIS O CAMINHO… ” ( João 14,1-6) . Não se trata aqui de colocar a questão das moradas, do seu número, ou de como elas são. É certo que é uma pergunta para preparar um “lugar”. Mas a interpelação de Tomé: “Senhor, nós não sabemos para onde Tu vais, como poderemos conhecer o caminho ?”, ajuda-nos à reflexão. Ele que não tinha estados de alma para o lugar, acaba por os ter para o caminho a seguir. A resposta de Cristo trás a novidade de não falar diretamente de Si, mas do caminho que nós mesmos temos de trilhar. Porque a angústia dos discípulos ao verem partir o Mestre – “que fazer?” – pede uma resposta. Cristo é O caminho e a verdade, no sentido de que Ele é O lugar da vida em plenitude.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.