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SEGUNDA-FEIRA – 4/ABRIL/2016

a_AnunciacaoAMariaANUNCIAÇÃO DO SENHOR. O pintor flamengo, van der Weyden (1400-64), deu a Maria o aspecto físico das mulheres do seu país: o rosto e as mãos pálidas de Maria destacam-se dos fundos azul-escuro do manto e do vermelho do leito. A jovem “atenta à Palavra”, meditava a Escritura quando o mensageiro celeste irrompeu no seu universo. Ainda que o mobiliário do quarto seja o interior flamengo burguês do séc.XVl, diversos elementos simbólicos, discretos, ajudam-nos a perceber o mistério que acontece. No lustre, a única vela apagada lembra a expectativa da luz que Cristo vai trazer ao mundo ; os lírios brancos evocam a pureza e virgindade da jovem que Deus escolhe para Se juntar à nossa humanidade; as vestes litúrgicas do anjo Gabriel materializam a vinda dO Espírito Santo.

Isaías 7,10-14; 8,10 ; Sal 39, 7-11 ; Hebreus 10, 4-10 ; Lucas 1, 26-38 Continue a ler SEGUNDA-FEIRA – 4/ABRIL/2016

II DOMINGO DO TEMPO DA PÁSCOA – 3/ABRIL/2016

DOMINGO DA MISERICÓRDIA: O papa S. João-Paulo II, durante a sua última viagem à Polónia, em 2002, consagrou o mundo à divina misericórdia e instituiu o domingo a seguir à Pascoa, até aí chamado domingo branco (“in albis”, em latim), como o domingo da Divina Misericórdia. Este tema foi uma constante no pontificado deste Santo Padre, cuja segunda encíclica “Dives in Misericordia” (1980) já a ela fora dedicada. Depois, a sua primeira canonização do Terceiro milénio foi igualmente feita em íntima ligação com a misericórdia ao escolher significativamente, a 30/Abril/2000, a Irmã Faustina Kovalska (1905-1938), mística polaca, à qual Jesus manifestara O Seu Coração transbordante de misericórdia pelos homens, revelando-lhe ser a misericórdia o atributo supremo de Deus. O papa S. João-Paulo II, como sabemos, morreu a 2/abril/2005, primeiro sábado dedicado a Maria que ele tinha no seu lema “Totus Tuus” (copiado a S. Luís-Maria Grignion de Montfort) e – sinal ainda mais perturbador – precisamente no início da vigília do domingo da misericórdia por ele instituido. A mensagem à Irmã Faustina surge pois como um raio de luz no caminho dos homens do lllO milénio. O papa Francisco escreveu na bula proclamatória do Ano Santo da Misericórdia que estamos a viver: “Que S.João-Paulo ll, chamado a entrar nas profundezas da misericórdia divina, interceda por nós !”

Actos 5,12-16 ; Sal 117, 2-4. 22-27a ; Apocalipse 1, 9-11a. 12-13. 17-19 ; João 20,19-31

“REUNIAM-SE TODOS NO PÓRTICO DE SALOMÃO…” (Act.5,12- 16). Os pórticos dos aeroportos são familiares para os que viajam de avião, mas há já alguns meses que encontramos, nas catedrais e igrejas jubilares, pórticos de outra ordem. Num caminho de con-versão ou de peregrinação, somos convidados a passar as “portas santas”. Os Actos dos Apóstolos propõem aos cristãos “reunir–se sob o pórtico…”- unidos na oração e na partilha -, seguindo o exemplo das 1AS comunidades cristãs, de tal forma contagioso, que a Igreja todos os dias acolhia novos membros. Não se trata portanto de apenas passar rapidamente mas de parar uns momentos. Parar para se dar graças, parar para se recuperar o fôlego e deixar-se curar, parar para pedir perdão e dizer obrigado. E ficar mais ligados aO Senhor, neste Ano da Misericórdia, com mais consciência de que ficámos salvos pela morte e ressurreição de Jesus-Cristo. Ou melhor ainda, que essa graça é a paz que nos é dada viver por Cristo ressuscitado.

“ASSIM COMO O PAI ME ENVIOU, TAMBÉM EU VOS ENVIO…” (Jo. 20, 19-31 ). Duas aparições num igual enquadramento : num domingo ao anoitecer ; os discípulos barricados por medo dos judeus, Jesus surge “no meio deles”, com a mesma saudação: “a paz esteja convosco”. Porém, cada aparição tem um propósito próprio. Na primeira, O Ressuscitado confia uma missão aos discípulos “Também Eu vos envio” ; Ele dá-lhes O Espírito Santo para perdoar ou reter os pecados. Na segunda, faz avançar Tomé, que quer acreditar, mas na condição de ver e tocar Aquele que fora crucificado. O objectivo de João é que os seus leitores acreditem que “Jesus é Cristo, O Filho de Deus”, para que tenham “a vida em Seu nome”. O evangelista explica que os primeiros discípulos rece- beram na Páscoa o Sopro de Deus para irem anunciar a toda a humanidade a Boa Nova. Os pecados podem perdoar-se: na Sua misericórdia, Deus dá a Sua vida a todos, em Jesus. O profeta Joel já profetizara que O Sopro divino seria recebido na vinda dos novos tempos preparados por Deus. Este acontecimento realiza-se agora. O Reino é oferecido a todos. Jesus é O Messias-Rei das Escrituras. A Páscoa não é uma repetição do passado. É falso pensar que seria mais fácil refazer tudo como dantes. O Ressuscitado fica invisível aos nossos olhos porque Ele Se uniu ao mundo divino. Entrámos no tempo de “acreditar sem ver”. A fé subtitui o “ver” e o “tocar” ; só ela permite ver O Senhor, apoiada no teste- munho das Escrituras. A Páscoa surpreendeu os discípulos, mas Aquele que foi cravado e transpassado pela lança na cruz, Aquele que acompanharam, é O que está “no meio deles”.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

Domingo da Misericórdia

JESUS EU CONFIO EM TI!

JesusEuConfioEmTi

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Cardeal Orani Tempesta in Zenit

A Festa da Misericórdia é celebrada no domingo seguinte à Solenidade de Páscoa em todas as Igrejas do mundo. A data foi instituída pelo, na época, Papa João Paulo II, em 30 de abril do ano de 2000. O Domingo da Misericórdia é dedicado, especialmente, para o grande anúncio do amor misericordioso de Deus, que vem até nós em Jesus Cristo, Nosso Senhor. Para isso, além das indulgências do Ano Santo, também neste Segundo Domingo da Páscoa concede-se indulgência plenária aos que participam da Eucaristia e procuram se configurar sob as condições pré-estabelecidas: Confissão Sacramental, Comunhão Eucarística e orações segundo a intenção estabelecida pelo Sumo Pontífice.

Apesar de esta Festa ter sido instituída como festa universal somente no ano de 2000, ela já era realizada pela Irmã Faustina Kowalska desde a década de 30, na Polônia. Segundo os escritos, Santa Faustina foi inspirada para que fosse realizada a Festa da Misericórdia em toda a Igreja; pedido apontado pelo menos em 15 momentos nas anotações, como cita um trecho retirado do diário da religiosa. “Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Nesse dia estão abertas as entranhas da minha Misericórdia. Derramo todo o mar de graças nas almas que se aproximarem da fonte da minha Misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e castigos. Nesse dia estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças… Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa. A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da minha Misericórdia”. (Diário nº. 699).

A Imagem da Misericórdia é um quadro de Jesus, pintado à mão por um pintor renomado naquele tempo, a partir das descrições feitas pela Irmã. A obra traz a seguinte inscrição: “Jesus, eu confio em vós”! (Jezu, ufam Tobie!). Após uma acurada análise dos escritos e da vida da santa, a Santa Sé autorizou, em 1978, a Devoção da Divina Misericórdia. Em 1994, Irmã Faustina foi beatificada e em 2000 foi canonizada com o título: Santa Maria Faustina do Santíssimo Sacramento.

São João Paulo II instituiu, no ano 2000, a Festa da Misericórdia no 2º Domingo da Páscoa. O Pontífice faleceu no dia 02 de abril de 2005, que na época coincidiu com a véspera desta festividade. João Paulo II e João XXIII foram canonizados em 27 de abril de 2014, durante o Domingo da Misericórdia.

Neste ano, temos a graça especial de celebrarmos o Ano Santo da Misericórdia. O lema escolhido para esse jubileu extraordinário é um chamado à vivência concreta da fé e a misericórdia: “Misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36). O Papa estabelece que em todas as Dioceses, Santuários, Paróquias, Comunidades cristãs aconteça a celebração deste ano santo como um acontecimento de graça e renovação espiritual. Além disso, o Santo Padre recomenda a revitalização das obras de misericórdia corporal e espiritual fixadas pela Igreja, para entrarmos no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina. Obras de misericórdia corporal: “dar comida aos famintos, bebida aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, visitar os doentes e enterrar os mortos”. Muitas dessas obras podem ser incrementadas participando de algumas pastorais e movimentos. Obras de misericórdia espiritual: “aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas inconvenientes, rezar pelos vivos e defuntos”. (MV n.15). Aprendamos, portanto, no Ano Santo da Misericórdia, a ser misericordiosos uns com os outros para merecermos a misericórdia de Deus.

Neste Domingo da Misericórdia somos chamados a participar da Celebração Eucarística e, se possível, dos encontros realizados em nossas paróquias espalhadas por vários lugares em nossa Arquidiocese. Merece especial destaque o Santuário Arquidiocesano da Divina Misericórdia em Vila Valqueire. Mas teremos o grande evento, solene, na nossa Catedral Metropolitana de São Sebastião, na Avenida Chile, a partir das 14 horas, e encerrando com a missa às 16hs, em que toda a Igreja Arquidiocesana é convidada a participar.

Devemos neste dia acolher a misericórdia em nossas paróquias, famílias e, sobretudo, em nosso coração. Que Jesus misericordioso, o Senhor Ressuscitado, seja a luz em nosso caminho e faça com que sejamos luz para toda a humanidade que tanto necessita do amor, da paz, da união e, sobretudo, da misericórdia.

Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

1º SÁBADO, OITAVA DA PÁSCOA –2/ABRIL/2016

NaoQuiseramCrerActos 4,13-21; Sal 117, 1. 14-21; Marcos 16, 9-15

NÃO QUISERAM CRER (Marc. 1,9-15) . Os discípulos não acreditaram em Maria Madalena nem nos dois a quem, no caminho de Emaüs, Jesus aparecera diferente. Como os compreendemos! Jesus fora morto sob os seus olhos e colocado no sepulcro havia já três dias. E eis que vêm dizer-lhes que Ele está vivo! É absolutamente inacreditável. Não estaremos nós demasiado habituados a este mistério da nossa fé, ao ponto de nem reconhecer já o que ela tem de inverosímil, de inacreditável? Mas a dúvida dos discípulos é salutar, porque ela os repõe – e a nós também – perante a extraordinária situação da Ressurreição. Tal como os discípulos, somos obrigados a deixar subverter os nossos hábitos e maneiras de pensar para começar a apreender a vida de forma diferente. Sim, a Ressurreição de Jesus abre-nos o futuro e dá às nossas vidas um sentido novo ; vem transformá-las. Assim, também nós podemos anunciar O Evangelho e tornar-nos testemunhas credíveis da magnífica esperança que nos habita.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.