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SEXTA-FEIRA – 22/AGOSTO/2014

VirgemSantaMariaRainhaVIRGEM SANTA MARIA , RAINHA. Na oitava da Assunção, a Igreja celebra hoje o poder de Maria, que intercede por nós como mãe. Este aspecto triunfal da sua realeza pressagia já a Igreja gloriosa do céu.

Ezequiel 37,1-14 ; Sal 106, 2-9 ; Lucas 1, 26-38

“VEM…, ESPíRITO! ”(Ez.37,1-14). O profeta visionário é transportado pelo poder dO Espírito. O termo hebraico “Ru’aH” é polivalente e designa tanto o vento, como o sopro do espírito, tanto do homem como de Deus. Ele está presente desde o início no Génesis, onde o sopro de Deus paira sobre as águas, sopro criador que dá vida a todos os seres: “Tu envias Teu sopro, eles são criados” (Sal.104, 30). Ele é também o espírito inspirador de reis e profetas, levando as faculdades humanas a um mais próximo conhecimento de Deus. O profeta Ezequiel anuncia o renascimento dum povo cuja esperança morrera, numa encenação alucinante que permitirá mais tarde falar-se da fé na ressureição. Para além da morte, a força dO Espírito há-de recriar-nos.

“FAÇA-SE SEGUNDO A TUA PALAVRA” (Luc.1,26-38). Conhecemos esta frase de Maria dita na visita do anjo Gabriel, na Anunciação. E, sem dúvida, não entendemos suficientemente o que ela implica. Ao pronunciá-la, Maria empenhou toda a sua vida, com uma confiança sem limites no projeto de Deus e renunciou, ao mesmo tempo, às suas aspirações pessoais. Ela mostrou-se totalmente livre colocando a sua vontade na vontade de Deus, sem saber onde esta a levaria. Modelo de fidelidade e de fé, Maria nunca voltou atrás na sua palavra e viveu toda a vida em total doação a Deus, meditando no coração os acontecimentos que continuaram a ser para ela um mistério. Que a nossa fé tenha igual fidelidade, pois a nossa vida ordinária está, também ela, sob o olhar benevolente de Deus.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir. Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 21/AGOSTO/2014

SaoPioXSÃO PIO X (1835-1914). Há cem anos morria Giuseppe Sarto, que fora eleito Papa em 1903 com o nome de Pio X. Tinha então escolhido como sua divisa : “Restaurar tudo em Cristo”. Canonizado em 1954.

Ezequiel 36, 23-28 ; Sal 50,12-15.18-19 ; Mateus 22,1-14

UM CORAÇÃO DE CARNE (Ez.36,23-28). O vocabulário bíblico que descreve o homem surpreende-nos muitas vezes. A nossa cultura é marcada pela tradição grega dualista que opõe a alma ao corpo, oposição que o mundo judeu não conhecia. O homem formava aí um todo : um ser de carne na sua fragilidade e finitude, e também um ser animado de sopro vital, inspirado pelO Espírito de Deus. O centro do homem é o coração, lugar dos sentimentos e também da vontade e da decisão. Quando o coração se afasta de Deus, torna-se coração de pedra, insensível, incapaz de entrar em relação e de amar. Mas Deus quer recriar de novo esta humanidade dividida que escolheu a morte. Ele quer dar-lhe O Seu próprio Espírito, animando os nossos corações de carne com a Sua própria vida.

“O REINO DOS CÉUS É COMPARÁVEL A UM REI QUE CELEBRA AS NÚPCIAS DO SEU FILHO…” (Mat.22,1-14). Que faremos nós no céu? Festejaremos as núpcias de Cristo. Da Igreja ? Sim, enquanto assembleia de todos os que tenham aceite o convite para entrarem. Alguns terão recusado entrar durante a vida nesta alegria das núpcias dO Filho, de reconhecerem em Jesus O Esposo da Igreja. Outros terão vindo, mas não terão querido vestir o traje das núpcias. Ou seja, não se terão deixado lavar pelO Filho. Estes terão vindo sem pensarem que só a misericórdia os pode despir do seu traje de pecado. O céu é um banquete de núpcias, e não uma cena de teatro em que nos contentamos de ficar sentados num banquinho da plateia a ver os anjos voarem. “Felizes os convidados às núpcias dO Cordeiro !”.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir. Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 20/AGOSTO/2014

VisaoDeSaoBernardoS. BERNARDO (1094-1153). Monge de Cister, abade do mosteiro de Claraval (Vale claro), árbitro da Europa”, conselheiro de papas e de reis, mas também grande místico e homem de oração. Fundou 163 mosteiros, incluindo o de Alcobaça, em Portugal. Grande devoto de Nossa Senhora. Proclamado Doutor da Igreja.

Ezequiel 34,1-11 ; Sal 22,1-6 ; Mateus 20,1-16a

TRABALHADORES DA PRIMEIRA HORA ? (Mat.20,1-16a). Confessemos que a célebre parábola “dos traba-lhadores da 11ª hora” não nos deixa bem dispostos… Certamente que os contratados em primeiro lugar não foram lesados pois receberam o salário acordado. Mas há em nós um sentido de justiça que se revolta um pouco com a narrativa. De facto, os últimos a chegar estavam ainda frescos e ágeis ; eles ainda mal pegaram nas ferramentas e já as entregam, enquanto os outros não podem mais de cansaço e são, mesmo assim, os que por último regressarão a casa, sem afinal terem ganho mais ! É possível justificar a conduta divina de muitas maneiras…, não podemos é justificá-la simplesmente recordando que os pensamentos de Deus não são como os nossos pensamentos, nem os Seus caminhos como os nossos caminhos. Porém, o texto da primeira leitura abre-nos uma outra pista de reflexão. Na verdade, se meditarmos na atitude solícita dO Pastor pelas suas ovelhas, seremos levados a fazer a seguinte pergunta: será que existem trabalhadores de primeira hora ? Sim e não, mais não que sim. De facto, que representa o nosso trabalho, mesmo que o tenhamos começado bem cedo, comparado com o que Deus faz por nós em Cristo ? E, é um verdadeiro trabalho o que Ele faz ! A bondade de Deus não tem limites. É totalmente gratuita, de um amor que nada segura. Ele não se envolve em cálculos de justa repartição nem, sobretudo, em reclamações igualitárias. O Senhor da herdade é absolutamente justo, pagando a cada um o que tinha prometido. Mas livremente e sem Se explicar primeiro, Ele dá sempre mais do que menos… Ao contrário, nós nunca cessamos de comparar, de invejar, de julgar. Sem compreender nada da bondade de Deus, nós vemos os outros com olhos maus ; com esse olhar maldoso que levou Caím a matar o seu irmão; com esse “mal” que Jesus no Pai-Nosso nos ensina a pedir a Deus que nos livre. “Livra-nos do mal”. Faz-nos olhar para cada um com O Teu Olhar de bondade!

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir. Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 19/AGOSTO/2014

SaoJoaoEudesS. JOÃO EUDES (1601-1680). Pregador sem par, missionário infatigavel, fundou a “Congregação de Jesus e Maria” e a de “Nª Sª da Caridade”. Difundiu em França a devoção ao SagrAdo Coração ficando conhecido como o “autor, pai, doutor, apóstolo e promotor entusiasta da devoção litúrgica aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria.

SaoBernardoTolomeiS. BERNARDO TOLOMEI (1272-1348). Após uma juventude libertina, este Toscano (Siena) fez-se dominicano no mosteiro de “Nª Sª do Monte Olivete”, que fundou com 2 companheiros. Morreu ali, a servir os empestados que asilava. Canonizado por Bento XVI, em 2005.

Ezequiel 28,1-10 ; Deuteronómio 32, 26-28. 30. 35cd-36ab ; Mat.19, 23-30

“QUEM PODERÁ ENTÃO SALVAR-SE…?” (Mat.19,23-30). Sente-se que a pergunta dos Apóstolos vem do fundo da sua alma e é feita com angústia. Eles têm consciência de estar perdidos, ou não faria sentido ouvirem alguém falar de salvação. No tempo dos Juízes, “ser salvo”, tinha conotação política. Para Gedeão significava essencialmente escapar à OBuracoDaAgulhapilhagem periódica de Madiã. No tempo de Jesus a situação não melhorara e, para muitos, o fim da ocupação romana teria constituído, sem mais, a “salvação”. Pedro e os companheiros, porque eram instruídos por Jesus, começavam a entender que O Reino dos “salvos” não se confundia com a independência política do seu país. Mesmo não sabendo exactamente o que significava “estar perdido e ser salvo”, tinham cada vez maior consciência que a fórmula escondia e revelava simultâneamente o seu desejo da misericórdia de um Deus salvador e o abismo de miséria que os separava d’Ele. Se Jesus tivesse respondido à pergunta dizendo : “É difícil”, isso tê-los-ia conduzido ao desespero. Felizmente que lhes disse: “É impossível” ; impossível aos homens, mas possível a Deus. Desde então tudo está incluído neste “impossível”, primeiro a libertação da angústia, mas principalmente a fonte donde é possível tirar aquilo que o homem rico, demasiado rico, desdenhou, sem se dar conta que se empobrecia sem limites, ao preferir um coração cheio das suas pobres riquezas terrenas.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir. Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 18/AGOSTO/2014

SantoAlbertoCruchagaSTO. ALBERTO HURTADO CRUCHAGA (1901-52). Jesuíta chileno empenhado no sindicalismo cristão, fundador da revista “Mensaje” e da “Acção Sindical Chilena”. Hospitalizado com cancro, repetia: “Contente, Senhor!, contente”. Canonizado por Bento XVI, em 2009.

SantaHelenaSTA. HELENA (255-328). Mãe do Imperador Constantino que procurou e encontrou na Terra Santa o madeiro da Cruz, cuja descoberta STO. Ambrósio narra.

Ezequiel 24,15-24 ; Deuteronómio 32,18-21 ; Mateus 19,16-22

“QUE ME FALTA AINDA…?” (Mat.19,16-22). Esta pergunta feita a Cristo por um homem que, para reflectir, O procura no caminho, certamente que todos os santos a fizeram no coração. Quanto mais adiantado se estiver na via da perfeição maior será o apelo à ultrapassagem dos próprios limites. Na verdade, Deus coloca no íntimo de todos os homens esta JesusEOJovemRicointerrogação: “que me faltará ainda?”, pergunta que Ele acicata nos melhores e faz despontar nos que ainda dormem. O homem que encontrou Jesus era um jovem bom: observava os mandamentos e tentava praticar o bem para ter a vida eterna ; e, todavia sentia uma falta. Jesus convida-o a fazer mais, a ser perfeito pois as muitas riquezas o afastavam do verdadeiro tesouro. A história deste jovem rico mostra-nos como os bens do mundo são incapazes de saciar o coração dos homens mas podem, infelizmente, impedi-los de satisfazerem esse desejo profundo. Não imaginamos Jesus a responder-lhe : “Mas, não te falta nada, termina a tua busca, repousa, come, bebe, goza a vida!” Ele diz-lhe exactamente o contrário: “Segue-Me, caminha ainda e sempre; não sabes os caminhos que te farei percorrer; Eu, sei-o e isso deve bastar-te. Eu conduzo-te para outras riquezas ao pé das quais as que tentam reter-te parecerão ridículas. Os bens que te prometo são fonte de alegria, enquanto os “bens” que querem impedir-te de chegar ao limite do “que te faltará ainda”, são apenas e sempre fonte de tristeza”. É necessário desfazer-nos dos bens do mundo para ganhar o tesouro que Jesus dá aos que O seguem. Senhor !, eu observo os Teus mandamentos, mas não me faltará o essencial ?

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir. Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.