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XX DOMINGO DO TEMPO COMUM – 17/AGOSTO/2014

SantaClaraDeMontefalcoSTA. CLARA DE MONTEFALCO (1268-1308). Mística contemplativa italiana, abadessa num convento da regra de STO. Agostinho.Tinha visões de Cristo e da Virgem Maria. Testemunha duma profunda devoção à Paixão de Cristo. Foi canonizada em 1881.

Isaías 56, 1. 6-7 ; Sal 66, 2-3. 5-6. 8 ; Rom.11,13-15. 29-32 ; Mat.15, 21-28

“MULHER, É GRANDE A TUA FÉ…”(Mat.15,21-28). Porque será que esta mulher Cananeia, uma pagã que não seria certamente capaz de explicar a sua fé de forma convincente perante um tribunal da Inquisição (noutras épocas teria sido talvez queimada na praça pública), conseguiu fazer Jesus mudar de atitude? Jesus dissera aos Apóstolos, enviados em mCristoEAMulherCananeiaissão : “Não sigais o caminho dos pagãos”, e, fiel a este princípio afirma-lhes ter sido enviado sómente por causa das ovelhas perdidas de Israel. Porém, como homem com experiência, sabe que, da mesma forma que são necessários princípios para viver, é impossível viver a vida sem os matizar, porque, se assim não for, nunca se poderá construir nem a própria liberdade nem a dos outros e, pelo contrário, edificar-se-á um inferno. Assim, não é certo que Jesus tenha tido, desde o início, a intenção de atender os rogos desta mulher. Modelo das nossas relações com Deus, este episódio coloca-nos 2 liberdades frente a frente, e mostra-nos como a nossa liberdade pode condicionar até a de Deus. Nada está decidido de antemão, como nu-ma cerimónia minuciosamente ensaiada. É, antes, um verdadeiro combate que se trava e cujo desfecho é incerto, tal como a luta de Jacob com o anjo. A liberdade é ao mesmo tempo terrível e maravilhosa! Quando as palavras não chegam, ou, pior, não existem para exprimir o que há a dizer, o silêncio ou o grito do homem tornam-se súbitamente mais fortes que todas as palavras. Jesus tinha-Se retirado no país de Tiro e de Sidon. Como era seu hábito ei-lO afastado da terra onde anunciava a Boa-Nova. Um grito rasga o silêncio do Seu repouso. Grito nada semelhante aos outros, que colocava cada um frente à sua humanidade e responsabilidades pois era o grito de uma pobre, da mãe duma doente, da mãe de uma moribunda. O grito da Cananeia foi assim: “Tem piedade de mim, Senhor, Filho de David !” Estas palavras tocaram o coração dos discípulos e o coração de Jesus. Os discípulos intercedem por ela, e Jesus iniciou o diálogo com uma mulher que viera ao Seu encontro embora não fosse do povo de Israel. Perante a insistência desta mãe, perante a grandeza da sua fé, Jesus deixou-Se tocar e satisfez o pedido. A cura da filha da Cananeia é sinal que a Boa Nova ultrapassou as fronteiras de Israel.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir. Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 16/AGOSTO/2014

STO. ESTEVÃO DA HUNGRIA (935-1038). Sagrado rei da Hungria no dia de Natal do ano 1000, dedicou-se a unificar e cristianizar o seu país, dotando-o de bispados, igrejas e mosteiros.

Ezequiel 18,1-10.13b. 30-32 ; Sal 50,12-15.18-19 ; Mateus 19,13-15

DeixaiVirAMimAsCriancinhas“DEIXAI VIR A MIM AS CRIANCINHAS…” As crianças, como os pais bem sabem, não têm dificuldade de falar a Jesus nas suas orações. Sem preconceitos, sem segundas intenções, elas estão sempre dispostas a aproximar-se de Cristo com palavras simples, com imagens que lhes falam – e, quem sabe?, com que Ele lhes fala também – elas não têm dificuldade de se relacionarem com Jesus. Cristo encoraja-nos a que façamos viver a fé no coração dos mais pequeninos, a não os afastarmos da fonte da vida, que desde a mais tenra idade permite o seu crescimento espiritual e humano. Um exemplo, é certo excepcional, entre tantos outros: na hora da morte de STA Gianna Beretta Molla, foram os seus três filhos, ainda crianças, que consolaram o marido dizendo-lhe : “Papá, a mamã está feliz no Paraíso !”

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 15/AGOSTO/2014

ASSUNÇÃO DE NªSª Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher vestida de sol, com a lua a seus pés, coroada com 12 estrelas.

Apocalipse 11, 9a ; 12,1-6a.10ab ; Sal 44,10bc-12ab.16 ; 1 Coríntios 15, 20-27 ;
Lucas 1, 39-56

AAssuncaoDeMariaPARA UMA CIDADE NA MONTANHA (Lucas 1,39-56). A felicidade de Maria foi ter acreditado com todo o coração na palavra do anjo. Ela saiu ao encontro da prima Isabel com passo rápido, marca da sua fé. Uma fé suficiente para ousar meter-se a caminho e partilhar a sua alegria. Uma fé que reúne hoje duas mulheres na felicidade de serem mães. A nossa própria fé também está do lado da alegria. Por vezes sobrecarregados no nosso caminho nem sempre estamos suficientemente livres para a expressar. Mas Maria leva em si a promessa de Deus para todo um povo : “O Senhor fez em mim maravilhas”. Ela não pode calar a Boa-Nova : O Espírito Santo tornou-Se carne nela. Ela está grávida dO Salvador. A nossa fé também nos mete a caminho. A exemplo de Maria, também ela produz fruto e a própria vida de Deus. Feliz aquela que acreditou, pois Maria prefigura toda a igreja. A promessa da Encarnação é Deus que Se junta a cada um no seu caminho. Com Cristo, o poder de Deus está ao serviço dos mais humildes. Deus nunca desiste do homem. Em pleno verão, a festa da Assunção recorda-nos que O Senhor é fiel e vem a nós, na condição de nos recordarmos da Sua promessa e de lhE respondermos humildemente. Tudo o que sobrecarregar a nossa caminhada, o que temos a mais e o que nos falta, apaga-se hoje perante a alegria de O podermos seguir. O Senhor está connosco e por nós, no caminho. Como Maria, a Igreja chama-nos a oferecer a Cristo a beleza e a simplicidade das nossas vidas. Na Assunção de Maria, O Senhor oferece-nos já a alegria do céu.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 14/AGOSTO/2014

S. MAXIMILIANO KOLBE (1894-1941). Este sacerdote franciscano polaco foi um apóstolo entusiasta do culto da Virgem Maria e um heróico mártir do amor no campo de extermínio de Auschwitz, onde ofereceu a sua vida em lugar de outro deportado, pai de família. Foi canonizado em 1982.

Ezequiel 12,1-12 ; Sal 77, 56-59. 61-62 ; Mateus18, 21–19, 1

OServoImpiedoso_BowyerPERDOAR: UM TRABALHO SOBRE SI MESMO (Mateus 18,21–19,1). O perdão não é uma coisa fácil! Todavia, Jesus convida-nos a perdoar ainda uma e outra vez… recordando aos interlocutores a sua própria dívida a Deus, dívida que pode ter muitas causas (indiferença; fecho em si próprio…). O caminho do perdão surge assim como essencial e não como opcional. Haverá sempre alguém a quem perdoar. Porque o perdão é uma obra de humanização, uma escolha consciente pela qual se manifesta que o amor é mais forte que o ódio. Mas o perdão é também uma obra de divinização. Deus é o primeiro a ser misericordioso e nós somos capazes de ser misericordiosos como Ele. Quanto perdoamos, é então que nos assemelhamos mais a Deus. É verdade que isto ultrapassa as simples forças humanas e implicará um investimento pessoal baseado no trabalho sobre si para não se ficar no “ressentimento”, valor farol da nossa época, mas sem o negar. O perdão apela, pois, à capacidade que cada um dispõe de fazer triunfar o amor sobre o ódio, para se deixar configurar com Cristo. Maximiano Kolbe, dizia quando o maltratavam : “Graças Te dou Senhor por me terem ofendido porque agora já posso rezar melhor O Pai Nosso”.

VIGíLIA DA ASSUNÇÃO DE NªSª

1Crónicas15, 3-4.15-16;16,1-2 ; Sal 131, 6-7. 9-10.13-14 ; 1Coríntios 15, 54b-5 ; Luc.11, 27-28

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 13/AGOSTO/2014

STOS. PONCIANO e HIPÓLITO (235). As heresias eram muitas no final do séc. II e princípio do III. Hipólito, tradi-cionalista muito culto, recusou reconhecer o Papa Calisto que acusava de ser modalista e suprimir a Trindade o que causou um cisma na Igreja que continuava quando foi eleito o Papa Ponciano, sucessor de Calisto. A perseguição de Maximino desterrou Ponciano e Hipólito para a Sardenha onde morreram reconciliados.

Ezequiel 9, 1-7; 10,18-22 ; Sal 112,1-6 ; Mateus 18,15-20

AGloriaDeDeus_Chagall“A GLÓRIA DE DEUS ESTAVA SOBRE ELES…” (Ezequiel 9,1-7;10,18-22). Estranho carro celeste conduzido pelos anjos fulgurantes que avança em todas as direcções no céu levando a glória de Deus; deixando O Templo que vai ser destruído, a glória acompanha o povo exilado na Babilónia. Este carro é a “merkabá”, que aparece nas especulações místicas da Cabala, e a “sweet charriot” dos Espirituais Negros dos escravos negros americanos. A literatura apocalíptica tem os seus códigos com que nos devemos familiarizar: este texto relê O Êxodo e a salvação do povo marcado na fronte e arrancado por Deus à escravidão; ele é o cântico de esperança de todos os deportados e miseráveis que esperam a vitória de Deus. Esperança que deve habitar em nós.

“QUE ELE SEJA PARA TI COMO UM PAGÃO OU UM PUBLICANO…” (Mateus 18,15-20). “Viver em Igreja”, supõe aprender a levar a comunidade – apesar das tendências más sempre virem à superfície – à aceitação humilde da ajuda entre os irmãos. Quando se lê este texto temos tendência para colocar o pecador em primeiro plano. Jesus, porém, não faz assim e dirige-se primeiro aos membros sãos da comunidade. Na Igreja todos devem ter consciência que estão encarregues dos que pecaram gravemente. Porém, quando surgir um pecador cujo coração esteja tão endurecido que pareça já não haver mais nada a fazer, deve ser tratado “como um pagão ou um publicano”. Estará tudo acabado ? A frase de Jesus devia ser como um provérbio que se dizia sem sequer pensar no “pagão” e no “publicano”. Mas quem eram eles para Jesus ? A resposta está na história dos homens: nenhuma exclusão é definitiva! Os pagãos em breve encherão a Igreja. Quanto aos publicanos, o próprio Mateus, antigo publicano, sabe que Jesus veio procurar o que estava perdido. Mateus apresenta-nos a comunidade cristã como um local de diálogo e de empenhamento e nunca de “fala-barato” ou de indiferença. Isto é um desafio que implica a purificação do coração : pela oração, conhecimento de si mesmo e das suas pobrezas, o domínio das paixões (cólera, orgulho…) Não serão os irmãos que exortaram em vão o pecador, os mesmos que, agora de comum acordo, rezam para que Deus, que tudo pode, cure os seus irmãos doentes? De facto, como sempre, a palavra de Deus diz-nos aqui muitas coisas sobre o que deverá significar para cada um “viver em Igreja”… Peçamos aO Espírito para nos iluminar e guiar.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.