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TERÇA-FEIRA – 12/AGOSTO/2014

STA. JOANA-FRANCISCA DE CHANTAL (+1641). Viúva aos 28 anos, colocou-se sob a direcção espiritual de S. Francisco de Sales. Com ele, fundou em 1610, em Annecy, a “Ordem da Visitação”(as Visitandinas).

BTO. KARL LEISNER (1915-1945). Internado no campo de concentração de Dachau, este diácono alemão foi aí ordenado clandestinamente por Monsenhor Piguet, bispo de Clermont Ferrand. Beatificado em 1996.

Ezequiel 2, 8–3, 4 ; Sal 118,14. 24. 72.103.111.131 ; Mateus 18,1-5.10.12-14

ChamamentoEzequiel“EU ABRI A BOCA E ELE DEU-ME A COMER O LIVRO…” (Ez. 2,8–3,4). Para alguém se tornar profeta – no povo de Deus devemos sê-lo todos – não basta repetir a doutrina como um gravador, é necessário “comer o livro”, alimentar-se dele, assimilá-lo até se identificar com a Palavra que ele contém. Mas olhemos um pouco para esse “livro”. Na época eram rolos com escrita normalmente num único lado; aqui o rolo está escrito na frente e no verso para significar ser o pecado do povo tão grande que se tornava difícil encontrar espaço para escrever todo o castigo que merecia. E, todavia, este rolo cheio de ameaças é doce de comer como o mel. Porque será ? Não nos é dada nenhuma explicação, como que a convidar-nos a procurá-la. Para Deus, o castigo é sempre condicional e a doçura do mel faz-nos pressentir que, se o pecador se arrepender, a misericórdia seguirá de perto a justiça. Assim, por mais preenchido que esteja o rolo, e por mais apertada que seja a sua escrita, Deus encontrará sempre forma de escrever entre as suas linhas. Ezequiel sabe isso e saboreia de antemão a doçura do perdão. Ele é o profeta que fala da solicitude dO Pastor pela ovelha tresmalhada que volta ao redil, tema que Jesus retoma e relaciona com a alegria de Deus. Os que se alimentam da Palavra e do perdão de Deus, sabem que essa alegria já não é terrena e que ela contribui para os transfigurar ; por isso, virá aos seus lábios, espontâneamente, o cântico do salmista : “Doces são ao meu paladar as Tuas palavras, Senhor, muito mais do que o mel na minha boca”.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 11/AGOSTO/2014

SantaClaraSTA. CLARA DE ASSIS (1193-1253). Impressionada com o exemplo de S. Francisco de Assis, Chiara Offreduccio foi a origem da segunda ordem franciscana, a das “Pobres Damas”(ou Clarissas), que ela dirigiu durante quarenta anos. Morreu a agradecer a Deus tê-la criado. Foi canonizada logo em 1255.

Ezequiel 1, 2-5. 24-28c ; Sal 148,1-2.11-14 ; Mateus 17, 22-27

A GLÓRIA DE DEUS (Ez.1,2-5.24-28c). Será difícil encontrar maior contraste entre as duas leituras. Ezequiel diz-nos -ou melhor, balbucia-nos – a visão que iniciou o seu ministério. Ele viu, não a Deus, o que é impossível aqui na terra, mas sim aquilo a que chama a “Sua glória”. Na sua pessoa é a terra que se eleva a antecâmara do céu e, Ezequiel, à vista do reflexo da “glória de Deus” caíu com o rosto por terra.

CristoPedroEAMoedaDoTributoDEIXAR-SE INTERPELAR (Mat.17,22-27). O texto evangélico relata também uma visão : a da fé pura. É o céu, na pessoa de Jesus Cristo, que desceu não à antecâmara do mundo mas sim às suas mais escuras áreas, pois trata-se já da Paixão e morte dO Senhor. As duas visões não são separáveis. Consideradas em conjunto definem o cristão e são o bilhete de identidade dO Filho do homem. O próprio Jesus apresenta-Se sem equívocos desta forma, pois põe o Seu título messiânico em relação com a Sua morte e ressurreição : “O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens ; será morto e ao terceiro dia ressuscitará !” Graças à fé, nós podemos agora fazer a união das duas visões e, assim, não nos é lícito seguir o profeta e os Apóstolos no seu temor e tristeza. O Filho do homem, que também é “glória de Deus” tem que ser doravante a fonte da nossa confiança e da nossa alegria. “Simão, que te parece ?” Não é a primeira nem a última vez que Cristo faz uma pergunta: “Para vós, quem sou Eu ?”(Mat.16,15) ; “Simão, filho de João, amas-Me tu mais que estes ?” (João 21,15). Deixemo-nos interpelar por Cristo, situemo-nos diante d’Ele e reinvestamos as nossas realidades humanas num novo recomeço. Que descobriu Pedro através deste diálogo, senão a liberdade dos filhos de Deus? Liberdade que Paulo consi-derava como um fruto da Redenção, a avaliar sempre com a medida da caridade : “Tudo é permitido, mas nem tudo é conveniente” (1Cor.10,23). Diz S. João: “No amor não há receio; pelo contrário, o amor perfeito expulsa o medo”.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

XlXª SEMANA DO TEMPO COMUM – 10/AGOSTO/2014

SaoLourencoS. LOURENÇO (258). Este jovem diácono morreu queimado vivo numa grelha por ter recusado entregar ao imperador as esmolas que a Igreja reservava para os pobres.

1 Reis 19, 9a.11-13a ; Sal 84, 9-14 ; Romanos 9,1-5 ; Mateus 14, 22-33

“SILÊNCIO E TEMPESTADE (1 Reis 19, 9a. 11-13a). A experiência mística do profeta Elias relatada na primeira leitura mostra-nos por imagens a passagem do temor ao amor. Será possível expressá-lo melhor do que pôr os flagelos da natureza em contraste com a brisa ligeira (brisa anunciadora no paraíso do encontro íntimo do homem com Deus) ? Um grito, um murmúrio… nós reconhecemos logo a voz dos que nos são queridos. A voz deles não é ruído, ela é linguagem, apelo, rosto. O ambiente sonoro da primeira leitura deste domingo é exemplar. O profeta Elias aguarda O Senhor que vai passar na montanha. Coisa fácil para alguém habituado a transmitir as mensagens de Deus aos homens, poderíamos pensar… Todavia, nada mais complicado. Elias teve que resistir à tempestade, ao tremor de terra e ao fogo, antes de reconhecer O Senhor no silêncio de uma brisa ligeira. E então, Elias “cobriu o rosto” como era o costume para se manter diante de Deus.

PensavamQueEraUmFantasma“NÃO TEMAIS, SOU EU !”(Mat.14,22-33). Os discípulos vivem a experiência do medo nesta cena do evangelho. Eles começaram a gritar na barca, cheios de medo, quando viram alguém a caminhar sobre o mar, e o vento só amainou e chegou a calmaria quando Jesus e Pedro voltaram a bordo. O homem é alguém habitado pelo medo; um sentimento que o seu crescente domínio do universo não extirpou, longe disso. O motivo do medo pode mudar mas ele permanece, porque não está ao alcance do homem arrancar a raíz dos seus temores. Os pagãos tinham medo dos deuses com quem procuravam reconciliar-se por intermédio de rituais mais ou menos mágicos. Deus encontrou os homens possuídos por estes temores ainda que, felizmente, por vezes eles sejam remédio contra o mal mais temível: a recusa dO Deus-Amor. Depois, no final os tempos, veio Jesus-Cristo. Se Jesus encontrar lugar na minha vida, a raíz do medo será arrancada. A Sua luz tem a virtude de dissipar as trevas, símbolo do pecado, mas também do medo; porém, só o pode fazer na medida em que o homem abrir o seu coração. “Sou Eu, não tenhais medo!” Sim!, se eu acolher Cristo verei desaparecer todos os medos porque acolherei O Amor. Mas como será possivel que Deus continue no anonimato para alguns e não para outros? Que Ele Se revele apenas a alguns, no silêncio ou na provação? O Apóstolo Paulo parece já levantar esta interrogação dolorosa na Epístola aos Romanos. Que a nossa oração se volte para aqueles que têm o desejo de crer mas não conseguem fazê-lo. Peçamos aO Espírito que nos converta coração para aceitar Deus como Ele é.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 9/AGOSTO/2014

Texto e imagens in http://www.evangelhoquotidiano.org

 SantaTeresaBeneditaDaCruzSanta Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), religiosa, mártir, padroeira da Europa, +1942. Edith Stein nasceu em Breslau, atualmente Wroclaw, capital da Silésia, na Alemanha (cidade que, depois da Segunda Guerra Mundial, passou a pertencer à Polónia), no dia 12 de Outubro de 1891, quando se celebrava a grande festa judaica do Yom Kippur, o Dia da Reconciliação. Seus pais, Sigefredo e Augusta, eram comerciantes judeus. Edith foi a última de onze filhos. O pai faleceu em 1893. A mãe encarregou-se dos negócios da família e da educação dos filhos. A pequena Edith, segundo o seu próprio testemunho, foi muito dinâmica, sensível, nervosa e irascível. Aos sete anos, começou a possuir um temperamento mais reflexivo. Em 1913, ingressou na Universidade de Gottingen e dedicou-se ao estudo da Fenomenologia. Aí encontrou a sua verdadeira vida: livros, companheiros e, sobretudo, o célebre professor E. Husserl. Durante este tempo chega a um ateísmo quase total. Em 1914, explode a Primeira Guerra Mundial. Edith vai trabalhar num hospital com quatro mil camas. Entrega-se a este trabalho de corpo e alma. Estuda com seriedade a Fenomenologia, até se encontrar com a doutrina católica. Encontra definitivamente a sua nova fé em 1921, quando lê a autobiografia de Santa Teresa de Jesus. O amor a Deus, o Absoluto, toma conta de sua alma: “Cristo elevou-se radiante ante meus olhos: Cristo no mistério da Cruz”. Sob a direção do Padre jesuíta Erich Przywara, começa a estudar a teologia de São Tomás de Aquino. Baptiza-se no dia 1 de Janeiro de 1922, recebendo o nome de Teresa Edwig. Desde então sente-se evangelizadora: “Sou apenas um instrumento do Senhor. Quem vem a mim, quero levá-lo até Ele”. “Deus não chama ninguém a não ser unicamente para Si mesmo”. Aos 42 anos, no dia 15 de Abril de 1934, festa do Bom Pastor, veste o hábito carmelita no Convento de Colónia. Sua conversão, que não a impede de continuar a sentir-se filha de Israel, enamorada de sua santa progenitura, separa-a, contudo, de sua família e de sua amada mãe: “Minha mãe opõe-se com todas as suas forças à minha decisão. É difícil ter que assistir à dor e ao conflito de consciência de uma mãe, sem poder ajudá-la com meios humanos”. (26-01-1934). No dia 21 de Abril de 1935, domingo de Páscoa, faz seus votos religiosos e três anos depois, no mesmo dia, seus votos perpétuos. Sua vida será uma “Cruz” transformada em “Páscoa”. Na Alemanha, os nazis começam a semear o ódio ao povo judeu. Ela pressagia o destino que a aguarda. Tentam salvá-la, fazendo-a fugir para a Holanda, para o Carmelo de Echt. Membros das SS não tardam a invadir o convento e prendem Irmã Benedita e sua irmã Rosa, também convertida ao catolicismo. Três dias antes de sua morte, Edith dirá: “Aconteça o que acontecer, estou preparada. Jesus está aqui conosco”. (06-08-1942). Após vários tormentos, no dia 9 de Agosto de 1942, na câmara de gás do “inferno de Auschwitz”, morria a mártir da Cruz, Irmã Teresa Benedita. Foi beatificada no dia 1º. de Maio de 1987, em Colônia, e canonizada em 1999 pelo papa João Paulo II. O mesmo Papa a declarou, com Santa Catarina de Sena e Santa Brígida da Suécia, padroeira da Europa. (cf.geocities.yahoo.com.br/monjascarmelitas).

Comentário do dia
Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
Poesia «Pax vobis»

A Paz de Cristo

«A paz seja convosco» (Lc 24,36):
É a saudação pascal do Ressuscitado: «Pax vobis.»
Para trazer a paz ao mundo, Ele fez-Se homem,
E a paz foi anunciada pelos anjos nas campinas de Belém.

A paz é um abrigo seguro no seio do Pai eterno:
Tu tinhas a paz, Senhor, quando foste peregrino nesta terra,
E tua Mãe também, visto que o seu coração era um com o teu.
Glorificaste teu Pai no mais alto dos céus
Para que Ele dirigisse de novo o seu olhar para a terra
E para que a paz adviesse também para aqueles que a não têm.
Mas isto só se cumpriu através da tua morte.
Quando, pelo preço do teu sangue, consumaste a obra da reconciliação
E voltaste a entregar o teu espírito nas mãos do Pai,
Então Ele inclinou-Se sobre os teus
E colocou-os, contigo, no seu seio.
O rio da paz jorrou para nunca mais se deter,
O seu percurso passa pelo coração de tua Mãe:
Ela o conduz aos homens com suas suaves mãos.

Foste tu, Rainha da Paz, que edificaste a nossa casa.
Para que se tornasse um local de paz.
Os corações dos teus filhos devem tornar-se cálices
De onde transborda o orvalho celeste,
Dando fecundidade às terras áridas.

SEXTA-FEIRA – 8/AGOSTO/2014

Texto e imagens in http://www.evangelhoquotidiano.org

SaoDomingosGusmaoS. Domingos de Gusmão, presbítero, fundador, +1221. São Domingos nasceu em Caleruega, em Castela-a-Velha, no ano de 1170. De família nobre, e de belo rosto, acostumou-se desde jovem a duras penitências. De caráter metódico e firmíssimo, deu grande importância aos estudos, como premissa indispensável ao dever apologético dos frades pregadores. Aos 14 anos de idade, foi enviado para Palência, onde estudou filosofia e teologia. Como sacerdote e cônego de Osma distinguiu-se pela rectidão, zelo, pontualidade nas funções e espírito de sacrifício. Pregou com êxito contra os hereges albigenses, que defendiam a existência de dois princípios, de duas divindades: o Bem e o Mal. Estudo e pobreza são os dois pontos principais da Ordem dominicana, o programa de vida dos frades ’mendicantes’ que vestem o hábito de São Domingos, contemporâneo de outro grande e amado santo fundador, São Francisco de Assis. São Domingos morreu em Bolonha no dia seis de Agosto do ano 1221 e foi proclamado santo, 13 anos após a morte, em 1234.

Naum 2, 1. 3; 3, 1-3. 6-7 | Sal Deut 32, 35cd-36ab. 39abcd. 41
| Mt 16, 24-28

Comentário do dia
Imitação de Cristo, tratado espiritual do século XV, Livraria Moraes, 1959
Livro II, cap. 11

«Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo»

Jesus tem agora muitos que amam o seu reino, mas poucos que gostem de carregar a sua cruz. Tem muitos que desejam consolação, mas poucos tribulação. Encontra bastantes companheiros de mesa, mas poucos de abstinência. Todos desejam alegrar-se com Ele, mas poucos querem suportar por Ele alguma coisa. Muitos seguem Jesus até à fracção do pão, mas poucos até ao beber do cálice da Paixão. Muitos veneram os seus milagres, mas poucos seguem a ignomínia da Cruz. Muitos amam a Jesus, enquanto as adversidades não os tocam. Muitos O louvam e bendizem enquanto dele recebem quaisquer consolações, mas se Jesus Se esconder e os abandonar um pouco, caem nos queixumes ou em grande abatimento.

Aqueles, porém, que amam Jesus por Jesus, e não por si próprios, bendizem-No em toda a tribulação e angústia, tal como na maior consolação. E, ainda que Ele nunca lhes quisesse dar consolação, louvá-Lo-iam sempre e sempre Lhe quereriam dar graças. Oh, quanto pode o puro amor a Jesus, não misturado a nenhuma comodidade pessoal ou amor próprio!