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SEXTA-FEIRA – 18/JULHO/2014

BeatoBartolomeuDosMartiresBTO. BARTOLOMEU DOS MÁRTIRES (1514-90). Dominicano, ensinou nos conventos de Lisboa, Batalha e Évora. Arcebispo de Braga, compôs um “Catecismo da doutrina cristã e práticas espirituais” para melhorar a evangelização do povo. Participou no Concílio de Trento onde apresentou 268 petições para reforma da Igreja.

Isaías 38, 1-6. 21-22. 7-8 ; Sal 38,10-12.16-17ab; Mateus 12,1-8

“E O SOL ANDOU PARA TRÁS…” (lsaías 38,7-8). Deus, para provar ao rei Ezequias que Se interessava por ele e protegia a sua cidade e o povo, fez um milagre.  E que milagre !: fez recuar o sol  Terá o sol andado para trás no tempo de Ezequias ?  Podemos consultar as investigações dos sábios, mas o mais importante será descobrirmos qual o ensinamento escondido atrás desta linguagem simbólica. O prodígio, tal como é relatado pelo autor inspirado, evidencia, pelo seu exagero, que Deus não pretende fingir quanto à Sua real in-tervenção na história dos homens.  E todavia este milagre não é nada. De facto, mesmo que o sol tivesse recuado no seu caminho, que seria isso comparado com o tremendo prodígio revelado pelas palavras dO Senhor ? : “Aqui está Quem é maior que O Templo!” Maior do que o sol, sem o qual a vida na terra não é possível.  Jesus faz aqui alusão ao mistério da Sua Encarnação. Assim, de agora em diante, as controvérsias sobre o Sábado, em que se enunciavam preceitos sem alma e sem preocupação com o bem das pessoas, irão parecer desfocadas e mesquinhas. O sol do homem é o seu coração, cuja tendência é descer para ocidente e perder pouco a pouco a claridade e o calor.  Deus, porém, está disposto a fazer o maior dos milagres para que o nosso coração guarde perpétuamente a sua juventude e remonte sem cessar do oriente.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 17/JULHO/2014

BeatosInacioDeAzevedoE39CompanheirosMartiresBTOS. INÁCIO DE AZEVEDO e 39 CC MÁRTIRES (1570). Jesuítas martirizados na Madeira pelos calvinistas holandeses quando iam a caminho do Brasil. Dias mais tarde, outros 12 foram mortos por piratas ingleses e franceses, mas Pio IX só beatificou os primeiros, que STA. Teresa d’Ávila vira subirem ao céu.

BeatasCarmelitasDeCompiegneBTAS. CARMELITAS DE COMPIÈGNE (1794). Guilhotinadas na Praça do Trono durante a Revolução francesa, estas 16 carmelitas subiram ao cadafalso louvando a Deus e cantando o “Te Deum”.

Isaías 26, 7-9. 12. 16-19 ; Sal 101,13-14ab.15-21 ; Mateus 11, 28-30

Jesus coloca-se na linha do profeta Isaías que via, na união com Deus e na sintonia com a Sua vontade, um caminho plano. E, todavia, o profeta não teve uma vida fácil nem um fim agradável (segundo a tradição morreu mártir, serrado em dois). Quanto a Jesus o menos que poderá dizer-se é que a Sua vida não foi juncada de flores. No texto de Mateus, notemos que não se diz que o jugo é suprimido ou retirado das nossas vidas.  Há, aliás, algum santo que não o tenha duramente experimentado? Temos que nos pôr noutro plano para poder compreender, sem que para tal seja necessário um desdobramento de personalidade, e saber tão sómente descobrir os seus diferentes níveis.  É muito gráfica a imagem clássica do mar onde as tempestades, por mais violentas que sejam, jamais perturbam a serenidade das profundezas.  Jesus podia dizer-nos, hoje, o que disse sobre a paz: “Eu dou- -vos a minha paz, mas não vo-la dou como o mundo a dá…”    De facto, para além do nível em que as provações da vida presente “zombam” de nós, as belas expressões que se encontram nestas leituras não são simples expressões literárias. Sim!, a respiração da nossa alma é o desejo de Deus e a oração.  Assim encontraremos o orvalho de luz, a  mansidão e a humildade do coração.  Para nós é o início dum programa cujas felizes consequências são garantidas por Jesus.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 16/JULHO/2014

AVirgemMariaDaOEscapularioNOSSA SENHORA DO MONTE CARMELO. O Carmelo, montanha na Palestina, é um alto lugar de oração desde os tempos antigos.  Os carmelitas construiram ali um mosteiro dedicado á Virgem Maria, que levou em Nazaré uma vida de trabalho e de contemplação. Em 1251, Nossa Senhora deu O Escapulário castanho a Simão Stock (depois deste Superior-Geral dos Carmelitas descalços ter ido à Terra Santa) com a promessa da sua assistência na hora da morte e a graça da perseverança final, aos que o usassem.

Isaías 10, 5-7.13-16 ; Sal 93, 5-6. 7-8. 9-10.14-15 ; Mateus 11, 25-27

ISAÍAS É “ENVIADO”. É pela sua palavra que Isaías será missionário, e aqui não se dirige ao seu povo. Nós vêmo-lo ocupar-se dum povo pagão, sem poupar ameaças e invectivas.  É o programa de todos os profetas e diz respeito a todas as nações, a todo o homem: é necessário demolir para reconstruir. Demolir o que está vacilante e sem consistência e reconstruir solidamente na rocha. Demolir o quê?Refazer o quê ?  Na leitura do Livro de Isaías responde-se à primeira pergunta (no Evangelho à segunda). Desmantelar, fazer desaparecer o orgulho que leva o homem a colocar-se no lugar de Deus, por vezes de forma bem subtil : vemos o Assírio que quer possuir a vida dos outros e, também, o Assírio que pre-tende ser senhor absoluto da própria vida.  Sim, há que suprimir esse orgulho e evidenciar o vazio daí resultante, para que seja possível receber o que só é revelado aos pequeninos: os mistérios dO Reino. O profeta Isaías continua hoje, “enviado”, a sua palavra atravessa os séculos e chega até nós.

“REVELASTE ESTAS COlSAS AOS PEQUENINOS…”(Mat.11,25-27). Eis-nos mergulhados na intimidade da relação de Jesus com O Pai. Jesus proclama o Seu louvor, por O Pai ter revelado aos pequeninos os mistérios dO Reino.  Mas de que pequenez se trata ? A dos pequeninos que entregam a sua vida aO Senhor, que procuram a sua felicidade em Deus e não neles próprios.  Devemos pedi-la a Cristo porque ela é a chave da humildade essencial que nos abre aO Pai.  Sem a possuirmos arriscamo-nos a ser meros gestores dos próprios méritos… STA Teresa do Menino Jesus mostra-nos essa“pequena via”: desejo de se apresentar perante Deus de mãos vazias, sem contabilidade dos méritos, na simplicidade e total gratuitidade do dom de si mesmo. Somos como erva agitada pelo vento, mas infinitamente amados e salvos. E é por causa dos que assimilam isto nas suas vidas que Jesus exclama aO Pai : “Eu Te bendigo, Pai, por esconderes estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelares aos pequeninos”. Está levantada apenas uma ponta do véu; como não será quando este for completamente removido !

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 15/JULHO/2014

SaoBoaventuraS. BOAVENTURA (1221-74). Teólogo e filósofo escolástico medieval, foi o 7º Superior Geral dos Irmãos Menores (Franciscanos) cuja Ordem dirigiu com sabedoria. A sua teologia está marcada pela tentativa de integrar completamente a fé e a razão. Ele ensinava que Cristo é o “único mestre verdadeiro” que oferece à humanidade conhecimentos que nascem da fé, se desenvolvem através da compreensão racional e se tornam perfeitos pela união mística com Deus. Foi canonizado em 1428 pelo papa Sixto lV e declarado Doutor da Igreja em 1588.

BTA. ANA MARIA JAVOUHEY (1779-1851). Fundadora da “Congregação das Irmãs de S. José de Cluny”. Trabalhou muitos anos na Guiana onde promoveu a emancipação dos escravos negros.

Isaías 7,1-9 ; Sal 47, 2-8 ; Mateus 11, 20-24

MUDAR O CORAÇÃO DE PEDRA NUM CORAÇÃO DE CARNE (Mateus 11,20-24). Corozaim encontra-se um pouco ao norte do monte das Bem-aventuranças nos cumes da margem ocidental do lago de Genesaré (ou lago Tiberíades).  É um lugar impressionante pela sua aridez pedregosa  e desolada, ravinada e enegrecida, que contrasta singularmente com a Galileia verde e fértil que a circunda. A recusa à conversão está verdadeiramente ilustrada na sua petrificação! Os milagres de Cristo tocam no que em nós está petrificado, parali-zado, surdo, cego e mudo, como a ingrata geologia de Corozaim, para nos ajudar a voltarmos o nosso olhar para Ele. Converter-se, é mudar o nosso coração de pedra num coração de carne! “Se não crerdes, não vos mantereis firmes”. Após o discurso sobre a missão, do envio de missionários e dos seus esforços generosos, Jesus faz o balanço.  Há porém núcleos de resistência surpreendentemente refractários ao anúncio da Palavra. De facto, as cidades mais especialmente privilegiadas parecem ser piores do que aquelas onde o anúncio nunca se fez: a dedicação dos evangelizadores e os milagres por si realizados não conse-guem vencer ali a inércia ao acolhimento da Boa-Nova. Talvez as ameaças de castigo as levem a voltarem-se para Deus? Nada menos certo! Como é actual esta história, e como o balanço de Jesus se ajusta à actividade missionária da Igreja! E, todavia, o que Deus nos quer entregar é aquilo que toda a gente procura, tanto hoje como ontem: a felicidade, a paz, a alegria… Mas o que diz o profeta: “Se não vos apoiardes em Mim, não vos mantereis firmes”, continua a ser válido. Só se acreditarmos e nos agarrarmos à Palavra de vida (e esta será a verdadeira conversão) nos manteremos firmes e as nossas mãos deixarão de ficar vazias. A maldição de Cristo transformar-se-á então em benção: “Bem-aventurado és tu, que te voltas para O Senhor !”.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 14/JULHO/2014

SaoCamiloLellis_SubleyrasS. CAMILO DE LÉLLIS (1550-1614). Orfão desde o berço, viveu até aos 25 anos uma vida de libertino e jogador ao ponto de ter de mendigar. Chagas nos pés levaram-no ao hospital durante 4 anos, onde conviveu com S.Filipe de Néri. Foi ao ver a forma negligente como os assalariados tratavam os doentes que teve a idéia de fundar a “Congregação dos Ministros dos Enfermos” que também prestassem assistência corporal e espiritual aos do-entes em casas particulares.  O tratamento dos empestados em Nápoles e Roma foram a prova de fogo destes religiosos enfermeiros que, dizia S.Camilo de Léllis, deviam ter sempre “as mãos empapadas de caridade”.

Isaías 1,10-17 ; Sal 49, 8-9. 16bc-17. 21. 23 ; Mateus 10, 34-11,1

Isaias_TissotA COERÊNCIA NECESSÁRIA (Is.1,10-17).  Em Isaías, Deus revela-Se muito severo sobre a forma como estamos ausentes nas nossas orações, nas oferendas e nas nossas assembleias: Ele espera de nós coerência entre a liturgia que celebramos e o coração com que O habitamos, entre a nossa intenção e os actos que a confirmam. Revestido de uma tarefa missionária, podia esperar-se que Isaías partisse de imediato para longe, para terras de pagãos, como Jonas. Mas não, ele dirigiu-se aos mais próximos. Se é verdade que todo o cristão é missionário pelo baptismo, na maioria dos casos será ao seu meio habitual, no qual vive, que deve primeiro levar a Boa-Nova. Não apenas aos pagãos que o rodeiam, mas também a todos os cristãos com quem convive. Será sobretudo aí que esse jogo de paz e de guerra (simbolizado pela espada) irá decorrer.

PERDER A VIDA POR CAUSA DE CRISTO (Mateus 10,34–11,1).  É igualmente num contexto familiar que termina o ensino de Jesus, relatado por Mateus, sobre a missão. Será aí, nos encontros, permanentes ou inesperados, que aprendemos a tornar-nos dignos d’Aquele por quem militamos, ao mesmo tempo missionários e evangelizados. E isto “perdendo” a própria vida. Por exemplo, aturando um parente ou alguém que nos incomoda mas tem necessidade de ser ouvido; isso será como dar um copo de água a um “pequenino”: não fica sem recompensa. Por vezes, será ainda talvez resistir à tentação de abandonar a assembleia dominical só porque nos desagrada a liturgia. Se porém perseverarmos, O Senhor far-nos-á compreender que é nessa oração comunitária, que vive-remos e sentiremos verdadeiramente o coração da Igreja. Ser apóstolo e missionário, aqui e agora, onde Deus nos colocou, não é pois tarefa que possa ser malbaratada, visto ser O próprio Deus que no-la dá; hoje e sempre.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.