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XV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 13/JULHO/2014

SantoHenriqueESantaCunegundesSTO. HENRIQUE II e STA. CUNEGUNDES (lmperador 973-1024  e lmperatriz 1033). O Piedoso, como ficou  conhecido este santo cuja vida foi agitada por guerras e campanhas constantes para pacificação dos povos e defesa da Igreja.  Restaurou e fundou mosteiros e doou o globo de ouro, simbolo da sua realeza no Sacro Império Romano-Germânico, aos monges de Cluny. Henrique II e a esposa estão sepultados na catedral de Bamberg, que ele próprio construiu e é um dos melhores exemplos da arquitetura alemã de transição do românico para o gótico.

Isaías 55,10-11 ; Sal 64,10-14 ; Romanos 8,18-23 ; Mateus 13,1-23

OSemeador_TissotSEMEADORES DE ESPERANÇA (Mat.13,1-23). Numa linguagem simples e particularmente sugestiva, Jesus conta a história de um semeador. Aos discípulos que tinham necessidade de explicações, Ele gasta tempo a explicar o sentido da parábola que, sendo uma cena simples, levanta muitas questões aos ouvintes de ontem e de hoje. Trata-se de um semeador surpreendente que não escolhe o terreno onde semeia e espalha a semente com abundância por todo o lado. Ele semeia nas terras devastadas, calcinadas pelas guerra, ódio e miséria; semeia nas terras trabalhadas pelas provações, pelo sofrimento e pela oração; Ele semeia igualmente nas terras disponíveis das crianças e dos corações puros.  A parábola diz-nos que Deus trata todos os homens por igual : onde estiver um homem aí está Deus a semear a Sua Palavra.  Caberá a cada um interrogar-se sobre o tipo de terreno que oferece. A atitude do semedor é uma atitude de gratuitidade, de caridade e de esperança. E, ao mesmo tempo, Ele apela a que nos libertemos dos cuidados do mundo para a semente poder germinar. O semeador é um homem de acção, um ser previdente, generoso, aberto e preocupado com o futuro. É alguém que trabalha para que o amanhã, um dia seja melhor. Também nós devemos querer semear o Evangelho no mundo, mesmo que este pareça ter tanta gente má. Devemos semear na terra de cada geração, de cada cultura, e deixar a Deus o cuidado de controlar a germinação e o crescimento. Com esta parábola, a questão do acolhimento dO Reino ficou colocada tanto aos que seguiam Jesus na Galileia, como a nós hoje. Nunca acabaremos de receber a sementeira divina e infelizes daqueles que bloquearem o seu desejo de Deus; matarão a vida. Tem, ainda, uma característica: o semeador divino semeia durante todas as estações do ano, e semeia tanto na alegria como no sofrimento ; tanto na abundância como na penúria.   Sempre, e por toda a parte, os grãos caem com o seu misterioso poder de vida e de glória, que se revelará um dia, quando O Semeador tiver terminado e vier finalmente fazer a colheita.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 12/JULHO/2014

Isaías 6,1-8 ; Sal 92,1-2. 5 ; Mateus 10, 24-33

O DEUS SANTO REVELA-SE (Is.6,1-8).A leitura de hoje, fala-nos da vocação missionária de Isaías e dum medo que pode paralisar-nos e, no fundo, explica e engloba todos os medos : a consciência do pecado que nos habita. “Sou um homem de lábios impuros”. Como ousar então anunciar O Deus de toda a pureza ? Se sentirmos isto, certamente não veremos um serafim vir tocar-nos os lábios com um carvão ardente, mas devemos estar muito atentos para conseguir escutar, no fundo do coração as palavras de Deus:  “Que andas tu a fazer do teu baptismo, da tua confirmação, da Eucaristia, do sacramento da reconciliação ? Será que tudo isso não te basta para afastares todos os medos e anunciares O Meu Nome aos homens ?”

PROCLAMAI-O NOS TELHADOS (Mat.10,24-33). Mateus agrupa aqui várias frases num convite insistente para anunciarmos Cristo, sem temor nem vergonha. Claro que a perspectiva do martírio pode causar-nos medo. Mas os simples respeitos humanos também nos tornam mudos ; ou o receio de passar por “retrógrados” e ser ridicularizados pelos auto-proclamados “espíritos evoluídos”.  Mas, mesmo que não existam tais receios, podemos também calar-nos se nos deixarmos desanimar: “Tudo o que digo não serve para nada, porquê continuar ?”. Como se fosse possível saber-se qual é, num coração, o caminho misterioso duma palavra de vida.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 11/JULHO/2014

S. BENTO DE NÚRSIA (480-547). Fundador do mosteiro do Monte Cassino, berço da ordem dos beneditinos, é considerado como o “pai dos monges do Ocidente”. O Papa Paulo Vl proclamou-o padroeiro da Europa há precisamente 50 anos.

                              Provérbios 2,1-9 ; Sal 33, 2-11 ; Mateus 19, 27-29

CAVA COMO QUEM PROCURA UM TESOURO (Provérbios 2,1-9). O mestre sábio dos Provérbios convida-nos a escavar para encontrarmos o tesouro da sabedoria.  É a sabedoria humana, fruto da experiência e da reflexão, a que ele se refere, mas pressentindo já que, mais além, há um outro tesouro.  Neste pequeno texto, o termo “inteligência” e os seus derivados repetem-se cinco vezes, traduzidos por “verdade, discernimento, compreender”. O enquadramento é eloquente : Sabedoria, discernimento, conhecimento de Deus, mas tam-bém justiça, rectidão e integridade. A escolha deste texto para a festa de Bento, que legislou para os monges e cuja influência sobre o cristianismo ocidental foi considerável, é porque a sabedoria de S.Bento é a do Evangelho: “Cava como quem busca um tesouro, onde Bento te indica, e encontrarás;tu alcançarás o conhecimento de Deus, riqueza escondida aos olhos deste mundo”. O mestre sábio diz-nos que o acesso a Deus não se alcança por um legalismo rigoroso nem por uma confi-ança cega e irreflectida.   Quem busca Deus com temor e respeito deve fazê-lo usando toda a sua inteligência, que o levará a seguir um caminho recto e justo.  A busca de Deus passa por um discernimento, atento e rigoroso, que se inscreve na vida.

OTesouroEscondido_DouOLHAR O PAI COM OS OLHOS DE JESUS (Mat.19,27-29). Hoje, Jesus apresenta-nos um pedaço particularmente admirável do tesouro cujos mil reflexos devemos contemplar, e que está bem integrado no espírito paradoxal dO Evangelho : deixar tudo por Sua causa… Sim!, mas para tudo reencontrar n’Ele, purificado, desembaraçado de qualquer egoísmo, livre dos narcisismos que corrompem o amor que aspira à pureza total.  “Cava, como quem procura um tesouro !” Não temos nada mais importante a fazer na nossa vida. S. Bento, como os outros santos, passou a vida na terra a fazer isto mesmo. Será assim que também nós descobriremos maravilhados que tudo – incluindo os afectos mais queridos – tem a sua origem no coração de Deus: fonte que jamais se esgota. Se a Igreja recebe a vida consagrada, e a vida contemplativa em particular, como frutos extraordinários dO Espírito, é por eles serem sinal do amor dO Senhor pelo Seu povo. O contemplativo deixa tudo para olhar O Pai como Jesus, com um olhar que transforma todas as relações.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 10/JULHO/2014

STA. PAULINA DO CORAÇÃO AGONIZANTE DE JESUS (1865-1942). Italiana emigrada com 10 anos para o Brasil, fundou em Curitiba (1890) a congregação das “Irmãzinhas da Imaculada Conceição”. Em S.Paulo (1903) ocupou-se das crianças orfãs, filhas de ex-escravos, e dos escravos idosos e abandonados. Os diabetes fizeram-na sofrer e morrer cega. Primeira santa brasileira, beatificada por São João-Paulo II (1890).

Oseias 11, 1-4. 8c-9 ; Sal 79, 2ac. 3b.15-16 ; Mateus 10, 7-15

Nestes tempos da Nova Evangelização é bom reler o programa missionário de Jesus.  Anunciar o Evangelho não é uma tarefa, mas uma maneira de viver com os outros.   Paulo VI dizia: “O nosso mundo não escuta os mestres, mas as testemunhas”. Dito de outra forma, o anúncio é uma tarefa de pessoas que se reencontram com Cristo e descobrem a maneira de ser dO Senhor : Jesus Cristo é o único vencedor do mal e da morte, mas não é um triunfador nem um conquistador.   No Evangelho, ser vencedor não significa agir como cruzado ou como inquisidor e o seu programa será apenas o programa dO Príncipe da Paz : Jesus morto e ressucitado!

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 9/JULHO/2014

 STA. VERÓNICA GIULIANI (1660-1727). Clarissa e mística italiana. Viveu durante 30 anos com os estigmas da Paixão de Cristo.

STOS. AGOSTINHO ZHAO RONG e CC. Primeiro sacerdote chinês martirizado. Faz parte dos 120 mártires, canonizados em 2000, que deram a vida por Cristo, na China, do séc. XVII ao séc. XX .

Oseias 10, 1-3. 7-8.12 ; Sal 104, 2-7 ; Mateus 10,1-7

UMA VINHA CHEIA DE VIÇO (Oseias 10,1-3.7-8.12). Oseias reflecte acerca dos males que caiem sobre o povo. Utiliza a imagem da vinha que Deus plantou e quer fazer frutificar;  denuncia aquilo a que que se pode chamar “a ambiguidade do bem”. De facto quanto mais se multiplicavam os frutos mais Israel multiplicava os altares, ou seja a idolatria, com as consequências nefastas que todos conhecemos.  Fenómeno que se verifica frequentemente na nossa vida. Mas a culpa não é da vinha! Se a vinha fosse estéril continuaria a haver bêbados: os espíritos malignos vagueiam à nossa volta à procura do mais pequeno interstício por onde possam voltar para ocuparem o seu lugar.

DozeApostolos_PedroAJoaoDozeApostolos_FilipeATadeuUMA IGREJA VOL- TADA PARA OS OUTROS (Mat.10,1-7). Se Cristo escolheu os Doze, foi para os formar e enviar ao mundo, não foi para eles fazerem milagres sem uma razão maior que ultrapassasse os próprios milagres.  Foi, como Ele próprio lhes disse, para proclamarem que “O Reino dos Céus está próximo”. A expressão implica uma abertura que é barreira definitiva aos espíritos do mal.   De facto, quando O Reino está próximo, o bem perde a sua ambiguidade, e Deus faz frutificar a Sua vinha sem a contrapartida do mal.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.