Todos os artigos de paroquiacruzquebrada

TERÇA-FEIRA – 8/JULHO/2014

Oseias 8, 4-7.11-13 ; Sal 113B, 3-10 ; Mateus 9, 32-38

“ELES AGIRAM SEM ME CONSULTAR” (Os.8,4-7.11-13). É esta censura que Deus faz ao Seu Povo.  Todavia, estes homens estão cheios de boa vontade e procuram agradar a Deus. São generosos e dão o seu ouro e dinheiro para fabricar o que o profeta chama “ídolos”. E esses ídolos são, no espírito dos que se ajoelham à sua frente, imagens que representam o verdadeiro Deus. Porém Deus é severo e ameaça fazê-los voltar ao Egipto, ou seja, à escravidão.  Fraquezas dos homens que se atêm apenas ao seu juízo e não vêm “consultar Deus”…   Diz-se na Escritura:“Há caminhos que parecem direitos ao homem mas que terminam no fundo do inferno”.   Ninguém está livre de os percorrer, e S.Bento cita este texto aos seus monges. Podemos chamar “mal” ao que é “bem” e “bem” ao que é “mal” se nos esquecemos de consultar Deus.

JesusCuraOPossessoMudoO OLHAR DE JESUS (Mat.9,32-38). Este relato também retrata as comunidades cristãs de 2014!  Muitas sentem-se abandonadas, sem pastor.  Sim, as nossas comunidades são pobres e colocam-se questões. Neste contexto não jogaremos nós aos exorcistas como os fariseus ? Podemos até dizer de Jesus : “É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios”. Somos tentados a ver só os fracassos ou o que está contra os nossos interesses. Consultar Deus para evitar este perigo não deve ser um acto passageiro, mas a atitude permanente do espírito e do coração.  Jesus propõe-nos a alternativa missionária: ter o Seu olhar, um olhar de piedade pelo povo.  Ser trabalhador da missão, é ver sempre as necessidades dO Reino.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 7/JULHO/2014

Oseias 2, 16. 17b-18. 21-22 ; Sal 144, 2-9 ; Mateus 9,18-26

JesusCuraAHemorroisa_Luiken“SE EU PUDER TOCAR NO SEU MANTO…” (Mat.9,18-26). Este pensamento de fé da hemorroísa leva-nos a meditar na cena da transfiguração em que vemos as vestes de Jesus participar da Sua glória divina: elas resplandecem. A pobre mulher pressente que Jesus Cristo é mais que Jesus, no sentido de que Ele comunica tudo o que é a tudo o que O rodeia ; é este o simbolismo do vestuário. Ela consegue de facto tocar a franja do Seu manto (ou seja a parte mais exterior) e fica curada. Mais ainda, Jesus diz-lhe: “A tua fé curou-te”.  Se a mão da menina morta tivesse tocado, mesmo ao de leve, na franja do manto de Jesus isso teria bastado para a trazer de volta à vida. Como gostariamos de ter estado presentes neste acontecimente relatado por Mateus! Mas a nossa vida difícil não se enfraquece, o espírito não divaga, as relações não se distanciam? Um pouco como esta mulher ou esta menina, nós fazemos a experiência da separação, mas deve- mos pôr-nos em espírito no lugar da mulher doente e do pai da criança morta, para nos inspirarmos nos seus actos de fé. Para os  contemporâneos de Jesus, ambas estavam mortas: uma socialmente, porque impura, e a outra fisícamente.  Mas Jesus derruba os muros da separação e abre-nos à vida. Tal como Ele, somos convidados a derrubar os muros e a restabelecer a Aliança com O Senhor e com cada um. Tenhamos confiança na vida que Ele nos dá.  Devemos reflectir que fazemos parte das“vestes” de Jesus, e que a nossa adesão a Ele pode ser tão profunda que os doentes e mortos espirituais, no simples contacto connosco, encontrem igualmente a saúde e a vida. Há homens e mulheres que viveram e vivem esta intimidade e nós conhecemo-los: são os santos. Hoje celebramos o português, BTODiogo de Carvalho (1624), cujo zelo missionário o fez entrar aos 16 anos nos Jesuítas, em Coimbra, para depois em Macau concluir os estudos de filosofia e teologia e dali partir para o Japão, Cochinchina e Tartária onde foi o 1º a celebrar a Eucaristia. Morreu mártir no Japão para onde regressara.  Os santos, em relação a Cristo, são um fato feito sob medida.  Então porque não nós, porque não eu?

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

XlV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 6 JUNHO/2014

BTA. MARIA TERESA LEDOCHOWSKA (1863-1922). Esta condessa austríaca de origem polaca fundou, em 1894, o “Instituto S. Pedro Claver” dedicado ao serviço da Igreja missionária.

Zacarias 9, 9-10 ; Sal 144, 1-2. 8-11.13cd-14 ; Romanos 8, 9.11-13 ; Mateus 11, 25-30

TresBellesHeures_TurimO MESSIAS QUE VEM COMO REI HUMILDE (Zac.9,9-10). Numa linguagem diferente, hoje, os responsáveis das Igrejas, não acrescentam nada ao que o profeta Zacarias já proclamava ao anunciar a vinda dO Rei-Messias: não há verdadeira solução para o problema da guerra – que é questão de sobrevivência da humanidade – fora do Evangelho. De facto, sabemos que as raízes da guerra devem procurar-se mais no coração do homem do que nos acontecimentos passageiros do mundo. “De onde vêem as guerras – perguntava já S. Tiago na sua encíclica (Tiago 4,1) -, não vêm precisamente das paixões que se combatem nos vossos membros ?” Fabricam-se menos armas nas oficinas de morte do que em nós mesmos. É sempre a porta íntima do nosso arsenal que se abre primeiro. E quem poderá compreender que o “criminoso de guerra” em potência, que cada um é, tem no próprio coração uma dupla chave desse arsenal de morte ?

A REVELAÇÃO AOS PEQUENINOS (Mateus 11,25-30). Só quem entender isto pertencerá à categoria dos“pequeninos” de que fala Jesus. Quem compreender isto…, não apenas intelectualmente (então pertencerá ao grupo dos“sábios e inteligentes”), mas graças à sua vida, posta, como pede S.Paulo, sob o domínio dO Espírito. Só assim desaparecem do seu coração, pouco a pouco, os “carros de guerra”. Então ele subscreverá com a própria existência o tratado de paz celebrado entre o céu e a terra, e contribuirá para a vitória sobre as forças do mal ; vitória muito mais profunda do que a que poderemos conhecer neste mundo : a vitória de Cristo, O Rei-Messias. No texto de Mateus, Jesus dirige-se aO “Pai” para “proclamar o Seu louvor”. O motivo está na “revelação aos pequeninos” daquilo que O Pai esconde aos “sábios e inteligentes”. A seguir, Jesus fala longamente de Si mesmo. O Pai confiou-lhE tudo. A revelação dO Pai passa unicamento pelO Filho com quem Jesus Se identifica. Os que sofrem sob “o peso do fardo” encontram“repouso” junto de Si. Jesus convida os ouvintes a serem “Seus discípulos” tomando sobre eles o Seu jugo, o Seu fardo, para encontrarem esse repouso. Esse jugo é “fácil de levar”, esse jugo “é leve”. Os evangelhos estão contruidos a partir da Páscoa e para a testemunharem. Acreditar nO Crucificado ressuscitado não é fácil. Os discípulos de Jesus estão na expectativa dos tempos novos e definitivos de Deus que tardam em chegar! O evangelista encoraja-os, recordando-lhes que a ressurreição muda tudo e transfigura a sua vida. O jugo tão pesado dO Senhor torna-se então fácil de levar e o Seu fardo, tão pesado, torna-se leve. Os “mansos”, os “humildes”, na Bíblia procuram viver o melhor possível o ensinamento divino. Jesus é O seu melhor representante pois Ele manifestou uma perfeita união aO Seu Pai e nunca Se afastou d’Ele. Ao contrário dos mansos e dos humildes, os “sábios” e os “inteligentes” representam aqui aqueles que pensam serem eles próprios pequenos deuses, apagando assim das suas vidas O Senhor do céu e da terra. Aquilo que o evangelista critica não é a procura nem a reflexão, mas sim a pretensão de atingir por si mesmo a felicidade, o repouso. Os cristãos acreditam que a felicidade e o repouso só se alcançam pelo, e no, acolhimento dO Pai e de Seu Filho. Esta é a atitude dos “pequeninos”, daqueles que têm plena confiança nO Senhor.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

Jornada Mundial da Juventude – Cravóvia 2016

Oração para a Jornada Mundial da Juventude
Cracóvia – 2016

Deus, Pai misericordioso,
que revelastes o Vosso amor no Vosso Filho Jesus Cristo e
o derramastes sobre nós no Espírito Santo Consolador,
confiamos-Vos, hoje, o destino do mundo e de cada homem.

Pai Celestial,
concedei que possamos dar testemunho de Vossa misericórdia.
Ensinai-nos a transmitir
a fé aos que estão em dúvida,
a esperança aos que estão desanimados,
o amor aos que se sentem indiferentes,
o perdão aos que erraram e
a alegria aos que estão descontentes.

Permiti que a centelha do Vosso amor misericordioso,
acesa em nós, se torne fogo que
transforma corações e renova a face da terra.

Maria, Mãe de misericórdia, rogai por nós.
São João Paulo II, rogai por nós.

1º SÁBADO – 5/JULHO/2014

STO. ANTÓNIO MARIA ZACARIAS (1502-39). Nascido na álvorada do Renascimento, António-Maria estudou medicina em Pádua e voltou para Cremona, sua cidade natal, para exercer a profissão. A Lombardia sofria então fomes e epidemias por causa das guerras. O jovem médico era por todos admirado pelo seu zelo juntos dos empestados. Mas não lhe bastava cuidar dos males do corpo pois via como era urgente debruçar-se sobre as doenças da alma e, assim, abraçou a vida eclesiástica. Em 1530, fundou em Milão uma “Congregação de padres regulares” que colocou sob a protecção de S.Paulo.  Estes padres de novo género obedeciam a uma regra, faziam votos religiosos, e depressa foram chamados de “barnabitas”, em referência à igreja de S.Barnabé de Milão, onde trabalhavam.  Fundou igualmente a Congregação feminina das“Irmãs Angélicas de S.Paulo”, e um movimento laical associado. Mas era toda a Igreja, onde na época crescia a contestação de Lutero, que necessitava cuidados.  António-Maria foi assim um verdadeiro precursor da reforma católica do Concílio de Trento(1545). Esgotado pelo seu zelo apostólico entregou a alma a Deus com apenas 37 anos.  Hoje, os Barnabitas estão presentes na Europa, América do Norte e Brasil.

Amós 9,11-15 ; Sal 84, 9.11-14 ; Mateus 9,14-17

“O RESTO DE EDOM…” (Amós 9,11-15). O curto texto que fecha o Livro de Amós é um óraculo de salvação, que faz reflorescer a esperança depois de todas as desgraças da derrota e dos horrores das deportações. A renovação do povo começa pela vitória sobre os inimigos, os povos vizinhos aqui representados por Edom. Alguns séculos mais tarde, a tradução grega há-de ler de outra forma o texto Hebreu e transformar a esperança de um triunfo militar na visão de uma humanidade reconciliada, completamente voltada para a procura de Deus: “O resto dos homens procurará O Senhor”. Este é o texto que Tiago citará no concílio dos primeiros Apóstolos em Jerusalém : ele leu ali
a abertura do cristianismo a todos os homens e a esperança da salvação universal(Act.15,16-18).

DISCERNIMENTO ERRADO (Mat.9,14-17). Que nos dizem os versículos do evangelho? Além do mais, que o jejum não é o fim em si mesmo, nem, aliás, nenhuma prática religiosa por melhor que ela seja, se não for habitada pelo amor e dirigida Àquele a quem a destinamos. Esquecer-se o jejum quando o tempo é de festa porque Jesus está presente, não será demonstrar um discernimento errado? Agarrar-nos ao passado agora que chegaram novos tempos não será petrificar-nos ? Tentemos portanto sair desse adormecimento que nos faz agir por hábitos, por legalismos, ou por falta da presença efectiva dO Deus vivo.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama,  Ed.Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.