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TERÇA-FEIRA – 24/JUNHO/2014

NASCIMENTO DE S. JOÃO BAPTISTA. A Igreja celebra, na alegria, o nascimento de João Baptista, que veio dar testemunho da Luz no limiar dos novos tempos.

Isaías 49,1-6; Sal 138, 1-3.13-15; Actos13, 22-26; Lucas 1, 57-66.80

“FEZ DA MINHA PALAVRA UMA ESPADA AFIADA…”(Is.49,1-6). São de guerra as imagens da vocação do profeta.   O Livro da sabedoria fará da Palavra personificada um combatente com uma espada afiada. A Epístola aos Hebreus dirá ser ela mais cortante que uma espada de dois gumes (He. 4,12). Em todos os textos a Palavra surge como um instrumento de julgamento: se Deus é bondade e misericórdia, a Sua Palavra, que penetra no fundo dos corações, põe a nu, ilumina e faz surgir a verdade. Ela faz aparecer o que, em cada um, é recusa e violência. Ela força-nos a uma escolha. Trazida pelo profeta ou por Jesus, a Palavra exige a renúncia aos ídolos e pede empenhamento.

ZacariasEscreveONomeDeJoao“NINGUÉM NA TUA FAMíLIA TEM ESSE NOME…” (Lucas 1,57-66.80). Dar à criança que ia nascer um nome diferente do de seu pai, não era habitual naquela época! A mãe Isabel atirara uma autêntica pedrada no charco. As tradições e costumes eram abalados. Mas O Espírito desdenha os nossos hábitos e tem o “feliz prazer” de gerar vida e bênção, desconcertando, ao fazê-lo, muitas das nossas certezas. Quando Zacarias confirma por escrito que o filho se chamará João, ei-lo liberto do seu mutismo. A Palavra nova e inesperada restitui-lhe a palavra. De algum modo, Deus tem sentido de humor! Confiemos nO Espírito que, mais uma vez, mostra ter novidades felizes.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama,  Ed.Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 23/JUNHO/2014

SaoJoseCafassoS. JOSÉ CAFASSO (1811-1860).  Sacerdote e professor de teologia moral em Turim.  Foi director espiritual de S. João Bosco, cuja obra encorajou. Canonizado em 1947. Antes de morrer escreveu esta estrofe : “Não será morte mas doce sono para ti alma minha, se ao morrer te asssitir Jesus e te receber a Virgem Maria”.

2 Reis17, 5-8.13-15a.18 ; Sal 59, 3-5.12-13 ; Mateus 7,1-5

RetiraPrimeiroATraveDaTuaVistaRENUNCIAR A JULGAR (Mateus 7,1-5). Para os Pais eremitas do deserto não existia crescimento na caridade e na oração sem renunciar ao julgamento e à crítica dos outros.  Escutemos Doroteu de Gaza: “Imaginai o mundo como um círculo traçado na terra (linha redonda feita com compasso e um centro). Imaginai que o centro é Deus e os raios são os diferentes caminhos ou formas de viver dos homens. Quando os santos, desejosos de se aproximar de Deus caminham para o centro, à medida que entram no interior aproximam-se uns dos outros, e quanto mais se aproximam uns dos outros mais se aproximam de Deus.   Compreende-se que suceda o mesmo no sentido inverso : quanto mais afastados uns dos outros, mais os homens se afastam de Deus”. Doroteu de Gaza, o eremita (séc.VI) dizia também: “Se tivermos caridade, a própria caridade cobrirá todas as faltas”.  E que dizer dos santos que embora sem consentir no pecado, não julgam o pecador, nem “o abandonam”. Ao contrário, compadecem-se, exortam-no, consolam-no e tratam-no como membro doente. Um horizonte que podemos interiorizar, na plena consciência da nossa própria fragilidade.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama,  Ed.Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

DOMINGO DO SS. CORPO E SANGUE DE CRISTO – 22/JUNHO/2014

S. TOMÁS MORE e JOHN FISHER (1535). Respectivamente Chanceler de Inglaterra  e bispo de Rochester, eles recusaram fazer, por fidelidade a Roma, o juramento da supremacia do rei Henrique VIII e morreram decapitados.

Deut. 8, 2-3.14b-16a  ; Sal 147,12-15.19-20 ; 1Cor.10,16-17 ; João 6, 51-58

SantissimaEucaristia_KharlamovO PÃO VIVO DESCIDO DO CÉU (João 6,51-58).  A festa do “Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo” (desde o séc.XIII, é fruto das querelas teológicas e devoções da Idade Média. A transformação do pão e vinho nO Corpo e Sangue de Cristo permanece hoje o maior mistério da fé, e, por isso,  proclamamos solenemente na consagração: “Mistério da fé!” Na Idade Média os fiéis participavam afastados do altar da missa e raramente comungavam (todos, de pé, tentavam ver a exposição da Hóstia e do Cálice, na Sua elevação). Todavia a Igreja desde sempre afirma e crê que, no sacramento da Eucaristia, o pão se transubstancia nO Corpo de Cristo que Ele entregou, e o vinho se torna nO Sangue de Cristo derramado pela nossa salvação. Cada Eucaristia recorda a Sua morte e a última ceia, e proclama a Sua ressurreição. Quando celebramos a missa é Jesus ressuscitado que celebramos. Nesta passagem de S.João, há um número impressionante de frases que aludem á vida (ou à sua ausência):“o pão vivo”; “ele viverá eternamente”; “para que o mundo tenha a vida”; “vós não tereis a vida em vós”; “a vida eterna” ; “O Pai que está vivo” ; “Eu vivo pelO Pai” ; “viverá por Mim” ; “eles estão mortos” ; “viverá eternamente”.  Esta “vida” não designa a vida sobre a terra, mas a vida que vem do céu e por isso “eterna”, semelhante à vida dO “Pai”.   Ela torna-se possível possível por intermédio de Jesus (“Ele viverá por Mim). A nossa vida alimenta-se do pão que é O próprio Jesus: “Aquele que come a Minha Carne e bebe O Meu Sangue…” Sobrepõem-se dois domínios.  O primeiro é o mundo, ao qual pertencem o pão e o vinho que tomamos para sustentar a vida na terra. O segundo é o mundo divino, a que pertencem O Pão e O Vinho que comemos e bebemos na Eucaristia para sustentar a vida divina. Jesus ressuscitado faz-Se nosso pão para que possamos partilhar a vida divina que Ele comunga com O Pai. Esta é uma linguagem impossível e incompreensivel fora da fé em Cristo ressuscitado. O texto de João é disto um testemunho perfeito. Só quem comer a Carne de Jesus e beber o Seu sangue “permanece” em Jesus, e Jesus nele.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama,  Ed.Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 21JUNHO/2014

SaoLuisGonzaga_colPartS. LUÍS GONZAGA (1567-91). Natural de Florença, filho primogénito da família de Mântua dos Gonzagas, morreu mártir da caridade ao serviço dos empestados em Roma, com 23 anos.  A sua pureza de vida era excepcional. Aos 17 anos, contra vontade da família, renunciou aos direitos de primogenitura a favor do irmão e entrou na Companhia de Jesus.   Canonizado por Bento XIII em 1724, que o declarou patrono dos jovens estudantes.

2 Crónicas 24, 17-25 ; Sal 88, 4-5. 29-34 ; Mateus 6, 24-34

O RISCO DA CONFIANÇA. O reino de Joás até se iniciara bem: ele era fiel aO Senhor !  Mas deixou-se seduzir pelo gosto do poder e do reconhecimento do povo. Não podendo servir 2 senhores, afastou-se de Deus. Os homens do nosso tempo estão também muitas vezes divididos: carregam o cuidado de muitas coisas ; agitam-se e inquietam-se.  Jesus convida-nos à confiança numa vida simples, frugal, centrada em Si e no Seu Reino.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir.Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.