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QUINTA-FEIRA SANTA– 17/ABRIL/2014

QUINTA-FEIRA SANTA– 17/ABRIL/2014

Em directo, 8h20: Missa Crismal

Em directo, 16h20: Missa in Coena Domini

Êxodo12,1-8.11-14 ; Sal 115.12-13.15-18 ; 1Coríntios11, 23-26 ; João13,1-15

CristoLavaOsPesAosApostolosA memória increve-se num gesto e ganha voz ! : “Fazei isto em memória de Mim”.   Esta frase central pode resumir o dia desta Quinta-Feira Santa.  Dia último, em que os sinais se vão inscrever em profundidade no coração e na vida dos discípulos e da Igreja, até aos dias de hoje.   Dia fundador da experiência pascal. Dia em que o serviço maior é o do lava pés.  Dia em que o dom total de Cristo Se fará no “Tomai e comei, este é O Meu Corpo”, e “Tomai e bebei, este é O Meu sangue”, precedendo a Sua morte e ressurreição. Dia fundador em que chega a hora de realizar a unidade entre a mesa e o serviço do irmão, entre a refei-ção da festa judaica da Páscoa e aquela, definitiva, da Eucaristia.  Os convivas desta refeição tiveram de passar por experiências inéditas : ver O Mestre levantar-Se da mesa e assumir a condição de servo ; expe-rimentar uma nova arte de viver a fazerem-se servos uns dos outros. Eles que seriam os caminhantes na fé, enviados a todas as nações, tiveram os pés lavados pelo Mestre. Eles continuaram a refeição e entraram no mistério do pão do caminho e no vinho da vida, dados para o perdão dos pecados, sinal da morte e da ressurreição dO Vivente.   Ganhar forças na fonte da vida e servir o irmão, tornar-se Corpo e Sangue de Cristo para amar este mundo à maneira de Cristo. Eis o que este dia fundamental dá aos baptizados.  A sua memória é celebrada com gravidade mas na alegria dO Evangelho. Este dia faz-nos orar com ousadia por e com o papa Francisco e os nossos bispos, por e com os actuais e futuros nossos sacerdotes, por e com todos os baptizados.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris).

QUARTA-FEIRA – 16/ABRIL/2014

QUARTA-FEIRA – 16/ABRIL/2014

Isaías 50, 4-9a ; Sal 68. 8-10. 21bcd-22. 31. 33-34 ; Mateus 26,14-25

SantaFace_Angelico“ENDURECI O MEU ROSTO…” (Isaías 50,4-9a).  Nós procuramos o rosto de Deus, o Seu rosto de glória. E eis a resposta da Palavra divina, dum escandaloso atrevi-mento: O Servo não é porém a resposta de Deus à questão do filósofo ; ela é a resposta pessoal que Deus dirige ao coração de todos os homens. Inacreditavel paradoxo : é através de um rosto de homem desfigurado, ridicularizado, à mercê dos insultos e dos escarros, – um rosto sem rosto – , que se nos revela a Face dO Deus vivo. Mas se Ele está assim abandonado à traição e à malícia dos homens, se Ele está assim totalmente desapossado de Si mesmo, no sofrimento e na morte, é por Ele ser a escuta perfeita da Palavra de Deus, disponibilidade absoluta à Vontade de Deus, pura relação filial a Seu Pai.  Ao entregar-Se assim, Ele revela-nos, num último nível de profundidade, o mistério do Amor gratuito, e a Glória d’Aquele que não se pode ver sem morrer. Ele revela-nos também o grau de expropriação de nós mesmos, que devemos aceitar para nos abrirmos à plenitude do mistério de Deus.  Ele ensina-nos, sobretudo, que está infinitamente próximo, e que podemos alcançá-lO e fazer a experiência da Sua Presença sempre que houver um sofrimento, uma humilhação… Hoje, à luz do rosto desfigurado de Cristo, podemos aprender a olhar e a amar todos os homens.

“SERIA MELHOR ESTE HOMEM NÃO TER NASClDO”(Mateus 23,14-25). Esta frase de Jesus mergulha-nos no drama pascal!  A figura de Judas, que nos acompanha toda a Semana Santa, aparece como uma antítese. Judas entregou Jesus por trinta moedas de prata.  Jesus entregou-Se como Servo tendo como única defesa o apoio dO Senhor. Judas só via o julgamento dos homens, ele estava submitido às autoridades terrestres. Nascido carnalmente, escolheu aí continuar. Jesus, através dO Servo, abre-nos outro caminho: confiar no julgamento de Deus.  Com Ele, não seremos confundidos, o que é terrestre não terá a última palavra, ela pertencerá aO Senhor.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris).

TERÇA-FEIRA – 15/ABRIL/2014

TERÇA-FEIRA – 15/ABRIL/2014

Isaías 49, 1-6 ; Sal 70.1-6ab.15.17 ; João 13, 21-33. 36-38

Judas“À LUZ DA PALAVRA”.  A experiência da traição é sem dúvida uma das mais comuns, na amizade, no casamento, no trabalho e no seio da própria Igreja. Não acusemos demasiado Judas, acontece que nós também traímos! Por vezes, atrai-çoamos pensan-sando fazer o bem. A palavra de Deus vem, hoje, dar luz às escolhas relacionais que fazemos : o nosso modo de agir é chamado a amar cada um como Cristo nos ama. A bitola das nossas relações, terá de ser a maneira de agir de Jesus. Compreende-se então a figura do Servo em Isaías. Nós somos essas ilhas longínquas, longe de Deus, longe dos homens.  Ele, O Servo, vem reconciliar as nossas relações com O Pai e entre nós.  Da 1ª leitura podemos recolher ainda uma frase que provavelmente já dissemos mais duma vez ao constatar o fracasso dos nossos esforços : “Fatiguei-me para nada…”  Mas O Pai vai realizar o Seu plano através do servo inútil e , no fracasso aparente de Cristo é que Deus Se vai glorificar.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris).

SEGUNDA-FEIRA – 14/ABRIL/2014

SEGUNDA-FEIRA – 14/ABRIL/2014

Isaías 42, 1-7 ; Sal 26.1-3.13-14 ; João 12,1-11

“EIS O MEU SERVO…” (lsaías 42,1-7). Nós podemos, antes de abordar as leituras de Isaías, que nos hão-de guiar progressivamente para a cruz de Jesus, sublinhar uma frase misteriosa do evangelho de amanhã : “Agora O Filho do homem foi glorificado e Deus foi glorifi-cado n’Ele”.  Jesus fala no passado.  Portanto, em todos os acontecimentos precedentes, de que a traição de Judas marca o desenlace fatal, Deus foi glorificado. Nós, que em princípio procuramos a glória e a revindicamos como razão de ser das nossas acções, deixemo-nos guiar para uma melhor compreensão do que é verdadeiramente para nós hoje a Glória de Deus. Uma coisa é de imediato evidente: por nós mesmos somos incapazes de o compreender; arriscamo-nos sempre ao equívoco. A prova são os sacerdotes que tinham lido, relido e inúmeras vezes comentado estas passagens de Isaías. Eles faziam o voto de procurar só a Glória de Deus, e aguardavam O servo ideal, o Eleito de Deus que, pelo poder dO Espírito, a manifestaria a todas as nações. E todavia não O reconheceram quando, em carne e osso, Ele veio para o meio deles. Esperavam um Cristo que viesse conformar a glória de Deus à sua própria glória, que viesse consolidar as seguranças da sua ciência teológica, da sua moral e religião, e assim confirmar a aliança firmada com Abraão e a sua descendência…  Não lhes atiremos porém pedras. Na vigília da Paixão, será que os apóstolos viram mais claramente ?

AUncaoEmBetania“A CASA FICOU CHEIA COM O ODOR DO PERFUME…” (João 2,1-11).  Na semana em que é proclamada a salvação da humanidade, a liturgia começa com a história de uma mulher, Maria, a der-ramar perfume nos pés de Jesus. Porquê?  Este gesto arrebatador de humildade, ditado pelo seu amor vai revelar-se profético. Maria de Betânia dá a Jesus um presente inestimavel, sinal de um amor sem limites e do reconhecimento da Sua dignidade única. É este perfume que se espalha na casa, na Igreja. O amor surgido da fé em Cristo, é a expressão do mistério escondido a todos os sábios e curiosos.  Maria teve a intuição da infinita gratuitidade do Dom de Deus, até à morte e sepultura. Nesta semana, vamos aproximar-nos do Seu mistério, acompanhá-lO na Sexta-feira na morte, e no silêncio da germinação de Sábado Santo, para nos erguermos com Ele na noite pascal. Vamos a caminho desse acto incrível em que Cristo nos dá a vida.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris).

DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR – 13/ABRIL/2014

DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR – 13/ABRIL/2014

Isaías 50, 4-7 ; Sal 21. 8-9.17-18a.19-20. 23-24 ; Filipenses 2, 6-11 ; Mateus 26,14–27, 66

EntradaDeCristoEmJerusalem_FlanarinUMA MULTIDÃO NUMEROSA.  As leituras deste domingo de Ramos que inicia a Semana Santa, a grande semana cristã, evocam todas uma singular caminhada de Cristo com a multidão, símbolo da humanidade inteira, acompanhando-O na Sua aventura humana com a qual a nossa está indissoluvelmente ligada. Jesus faz uma entrada em Jerusalém, simultâneamente triunfal e humilde, semelhante à Sua entrada neste mundo ; a pequena jumenta, diferente dos cavalos de combate, é disso sinal. Mas haverá aos olhos de Deus outros triunfos que não sejam fruto da humildade? “Não tenhas medo deste rei, a Sua humildade é a tua segurança e a tua felicidade”. Depois passa-se deste texto triunfal, sem triunfalismo, à leitura da Paixão.  É a mesma caminhada que prossegue pelas ruas da cidade de Jerusalém como através do tempo dos homens. A humildade deu mais um passo, pois a jumenta foi enviada de volta, e Cristo con-tinua o Seu caminho a pé.  Mas depressa, como para significar que Ele não caminha na terra na ponta dos pés, e que a terra deve ficar marcada pelas Suas pégadas para sempre, Ele carregará a Cruz cujo peso contribuirá para agravar mais o Seu sofrimento moral. Mas vejamos ainda um pouco a multidão.  Até ao fim, até ao Calvário, alguns levarão as palmas agitando-as e cantando: “Hossana !”    Esses serão felizes pois terão ainda nas mãos e lábios a aclamação para o domingo de Páscoa.  Outros terão os rostos endurecidos, símbolos de corações fechados.  Nos carrascos (de todos os tempos) as palmas transformam-se em chicotes e cordas de flagelação.

JesusACaminhoDoCalvario_BoschNo quadro de JESUS A CAMINHO DO CALVÁRIO com a cruz às costas, Jerónimo Bosch (1450-1516) lança um olhar sem compaixão sobre a pobre humanidade.   O “mau ladrão” (em baixo à direita, com a corda ao pescoço) está hediondo, deformado pelo mal, como na maioria das representações tradicionais. Mas aqueles que o insultam bem como o resto da multidão que invectiva Jesus e o bom ladrão (no alto à direita), são igualmente horrendos. Todos os rostos estão desfigurados pelo vício, pela irritação, pela violência e bestialidade : os olhos esbugalhados e as bocas desdentadas, abertas, prontas a morder. Todos são cúmplices do mal e procura-se em vão Aquele que pode resgatar os outros. Porém, Ele está lá, no centro deste desgraçado mundo.  A paz que emana da Sua face põe em evidência o ódio que desfigura os outros rostos.  Ele,“O mais belo dos filhos dos homens”(Sal.45,3), cala-Se. Jesus tem os olhos fechados e ora : no meio da violência, procura a intimidade dO Pai, oferece já o perdão. Além de Simão de Cirene (do qual só vemos as mãos na cruz) e da Verónica que, com o sudário limpou a rosto de Cristo, ninguém cuida d’Aquele que é o templo dO Espírito. Verónica, que furou a multidão e lhE enxugou rosto, contempla no linho a imagem de quem veio trazer a todos a salvação e a graça.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris).