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SÁBADO – 12/ABRIL/2014

SÁBADO – 12/ABRIL/2014

Ezequiel  37, 21-28 ; Jeremias 31, 10-11.12ab-13 ; João 11, 45-57

COLOCAREI O MEU SANTUÁRIO NO MEIO DELES. A 1ª leitura e o Evangelho são dois quadros radicalmente diferentes que se comple-mentam e não podem ser entendidos um sem o outro. Tal é o paradoxo da lógica de Deus que apenas O Espírito Santo a pode revelar. Deus fala a nossa linguagem e revela-nos as aspirações mais profundas; imaginemos o que as promessas evocariam aos deportados da Babilónia : o regresso, a unidade, a paz, a intimidade com Deus e O Seu Reino alargado a todas as nações…  Em suma, a terra transformada num paraíso. O texto do evangelho fala dos preparativos da Paixão e evidencia uma razão que teve grande papel nos acontecimentos : a “necessidade” sentida pelos responsáveis de Israel de assegurar a coesão política do povo em torno da Lei, a fim de resistirem aos romanos.  Jesus foi condenado à morte, porque a sua pregação se arriscava a destruir uma situação já em si frágil. Os profetas incomodaram sempre os políticos e Jesus não será, nem ontem nem hoje, o último da lista.   Mas, lido na perspectiva da 1ª leitura, o desígnio dos sumo-sacerdotes revela-se fútil : para Deus não se tratava só do povo de Israel e do Templo de Jerusalém, mas de todas as nações e do novo Santuário que é O Corpo de Jesus Cristo.  Temos que entrar, nestes dois níveis, na meditação da Paixão de Cristo : seguir com Jesus o drama da última semana e do caminho da Cruz e, acreditar que é graças a esta semana e caminho que a Aliança, entre Deus e todos os homens, misteriosamente Se renova e aprofunda.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort   (Supl.Panorama, Ed. Bayard, Paris)

SEXTA-FEIRA – 11/ABRIL/2014

SEXTA-FEIRA – 11/ABRIL/2014

Jeremias  20,10-13 ; Sal 17, 2-7 ; João 10, 31-42

“AS OBRAS DE MEU PAI”  (Jo.10,31-42). Jesus faz um raciocínio extenso e há que esforçar-nos para o compreender: a Escritura chama “deuses” a quem a Lei se dirige; logo, chama assim ao Povo de Israel que recebe e “cumpre” a Lei.   As obras da Lei têm portanto um real valor de divinização. À “fortiori”,  Aquele que, vindo de Deus, cumpre as “obras de Deus” pode duma forma absolutamente nova chamar-se Filho de Deus, sem que mereça censura por Se fazer Deus. O que se pedia aos Judeus era que reconhecessem o carácter divino daquilo que Jesus fazia – em termos de ensinamentos, de misericórdia e de milagres – a fim de discernirem, a partir dessas obras extraordinárias que transcendiam a lei (sem todavia abolir o significado da Aliança), a real divindade do Enviado.  Ora este discernimento que Jesus propõe, também nós teremos que fazer relativamente às pessoas e ás actividades que, hoje, se reclamam ser do Evangelho. A atitude fundamental deve ser de conversão : não resistir à Verdade onde ela se apresentar, mesmo que ponha em questão este ou aquele aspecto da nossa vida, que sendo bom pode sempre ser melhor.   Senhor não me deixes impedir o sopro dO Espírito !

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort   (Supl.Panorama, Ed. Bayard, Paris)

QUINTA-FEIRA – 10/ABRIL/2014

QUINTA-FEIRA – 10/ABRIL/2014

Génesis 17, 3-9 ; Sal 104, 4-9 ; João 8, 51-59

AsPromessasDeDeusAAbraao“JÁ NÃO TE CHAMARÁS ABRÃO, MAS SIM ABRAÃO” (Gén.17,3-9). Nada se compreende da entrada de Deus na vida de Abraão, se não se vir nela a entrada de Deus na condição humana, o nascimen-to dO Verbo na carne:“Abraão viu o Meu dia e rejubilou”.  Reciprocamente, se não houver da nossa parte resposta idêntica à de Abraão, a Encarnação permanecerá para nós sómente “um dogma”.  A sua 1ª resposta, tinha sido de silêncio : metera-se a caminho, sem comentários. (Pensamos no silêncio ainda mais interior de Nossa Senhora).    Se consentirmos este silêncio, faremos a experiência de um nascimento : alcançaremos a nossa fé profunda e original, e como Abraâo,o nosso autêntico nome: tornar-nos-emos filhos de Deus. Mas a este nome só o conheceremos verdadeiramente no final da nossa resposta : “Ao vencedor Eu darei um nome novo que ningué conhece, além de quem o recebe…Eu gravarei nele o nome dO Meu Deus,… e O Nome novo que Eu tenho”. Como isto faz ridículas as nossas ambições camu-fladas, as nossas pretensões, e todas as formas de prestígio que tanto gostamos de acrescentar ao nosso nome !  Em vez de procurar a própria glória, deveriamos viver no deslumbramento do que Deus fez por nós e em nós, e repetir-lhO nas nossas acções de graças.

“EU SOU ! ”(Jo.8,51-59). Quanto mais se medita o Cap.8 de S.João, que temos vindo a ler na semana, mais se compreende a necessida-de dum coração puro e alma de pobre para se confessar que Jesus é : “Eu Sou”; que Ele tem Deus como verdadeiro Pai e que os Seus ensinamentos são não só uma verdade, mas a Verdade.     Isto não se aplica apenas aos fariseus do tempo de Jesus que, vendo-O face a face deveriam ter confessado a Sua dignidade absoluta, é-o também para nós.   Claro que nós confessamos o mistério de Jesus com os lábios e nos termos exactos da nossa tradição cristã, mas conhecê-lO-emos ?   E conheceremos O Seu Pai ?  Todavia por o mistério de Jesus nos assombrar sempre de novo, com o enlevo do primeiro instante em que só O entrevimos, talvez seja sinal de que não estamos longe dO Reino.  Outro sinal será o acolhimento com atenção, sem inveja, com abertura e discernimen-to,  de todos aqueles que sabem mais do que nós e são movidos pelO Espírito nos caminhos traçados pela novidade do Evangelho. Um terceiro sinal será entrever Jesus, senão expontâneamente, pelo menos ao segundo olhar, no menor (e no mais importante) dos homens que encontrarmos no caminho e, por isso, ter com todos eles atitudes de acolhimento, de dom.    Porém, para lá destes sinais, será sobretudo o coração que devemos escutar para o ouvirmos dar testemunho silencioso do que, verdadeiramente, Jesus “É”.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort   (Supl.Panorama, Ed. Bayard, Paris)

QUARTA-FEIRA – 9/ABRIL/2014

QUARTA-FEIRA – 9/ABRIL/2014

Daniel 3,14-20. 91-92. 95 ; Daniel 3, 52-56 ; João 8, 31-42

OsTresJovensEOAnjoNaFornalhaArdenteNA FORNALHA (Daniel 3,14 – 20.91 – 92.95). Antigamente o cântico dos 3 jovens era a regra (ou quase), depois da missa, no cântico de acção de graças.  Talvez saibamos de cor as palavras retomadas hoje após esta leitura.   De facto, existe um elo muito forte entre a acção de graças e o sacrifício; e os cristãos sempre reconheceram nos 3 jovens as figuras proféticas do que eles deveriam ser. Em teoria é belo. Mas no facto em si?  Por mais irreal que a história pareça, ela ilustra bem a realidade quotidiana que nós temos de viver neste mundo, ainda que essa realidade pareça infinitamente mais suave. Fornalha, de facto, não há.  É sobretudo o cinzentismo, o nevoeiro, por vezes a obscuracidade onde se vai desenvolver a fé. Desenvolver-se?  Seria primeiro necessário que ela pudesse só sobreviver, quando o edifício da nossa fé nos surge tão frágil, inconstante, junto do colosso cujos adoradores parecem ter a última palavra. “E se afinal forem eles a ter razão?” O seu culto está muito bem orquestrado com todos os instrumentos que celebram o “Homem”, a “Sociedade”, a “Liberdade”, ou mais simplesmente o Lucro, o Prazer imediato. Seriamos vencidos se esta não fosse precisamente a hora em que, perdidas a seguranças demasiado humanas, a nossa fé se purifica no cadinho e quando pode, então, agir em nós a Força vitoriosa da Ressurreição de Cristo. Mas para isso temos que retomar a oração no mais secreto de nós mesmos e repetir O Nome onde se encontra a força dos mártires, abrindo-nos aO Espírito do nosso Pai que nos torna livres no meio da fornalha do mundo sem Deus.

“A VERDADE VOS FARÁ LIVRES” (Jo.8,31-42). No mundo grego, a “verdade”, (alètheia), designa um regresso para lá do esquecimento, um desvendar das realidades que o espírito humano tinha esquecido. Ela é da ordem do conhecimento, da visão das realidades ideais que precedem o ser humano. No mundo judeu, a dimensão da visão é substituida pela audição; trata-se de escutar a palavra de Deus. Porém Jesus, aqui, afirma tanto ter visto como ter escutado. Pouco lhE importam as imagens! A verdade é duma outra ordem: ela não é um regresso a um passado perdido, mas uma marcha activa para Alguém que, com a Sua Palavra, nos chama a Si. A verdade é a confiança que liberta de todas as prisões e nos permite agir e avançar para a Vida.  Aquilo que Jesus viveu na perfeição.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort   (Supl.Panorama, Ed. Bayard, Paris)