SEGUNDA-FEIRA – 15/FEVEREIRO/2016

a_PadreMiguelSopockoBTO. MIGUEL SOPOCKO (1888-1975). Em Vilnius, foi o director espiritual da STA. Faustina Kowalska: ele incitou-a a escrever as suas visões e a fazer pintar o quadro desejado por Jesus. Dedicou a sua vida a propagar o culto da Divina Misericórdia. Foi beatificado pelo papa Bento XVI, em 2008.

Levítico 19,1-2.11-18; Sal 18B,8-10.15; Mateus 25,31-46

EU SOU O SENHOR (Lev.19,1-2.11-18). Deus convida-nos a ser santos como Ele é Santo (Levítico19,2): que graça maior poderia oferecer do que associar-nos a Ele, na Sua própria santidade ? Por ter sido feitos à imagem de Deus, santificar-nos-emos conformando os nossos actos com a Sua vontade. Hoje, o Levítico lista tudo o que não é de Deus: roubo, mentira, fraude, perjúrio ; opressão, exploração, retenção do salário, abuso dos fracos; ilegalidade, favoritismo, injustiça, calúnia, morte ; ódio, fraqueza, vingança, rancor. Dar de comer, de beber, acolher, cuidar, vestir, visitar : que haverá de melhor e mais concreto numa época em que Deus Se dá a nós em todos os outros, os“próximos”que necessitam de tudo isso ? Peçamos a Cristo para “intensificar o murmúrio do nosso coração”, para aderir mais à santidade que Deus nos propõe através da Sua. Não é possível ganhar ódio ao pecado e, inversamente, amor aos irmãos, sem se entrar na profundidade de Deus. O tempo da Quaresma não nos será dado para isso?

“QUANDO VIER O FILHO DO HOMEM…” (Mat.25,31-46). Mateus evoca o regresso de Cristo-Salvador, proclamado em cada eucaristia: “Esperamos o Teu regresso na glória”. É a “Parúsia”, vinda gloriosa dO Filho do homem e reunião dos eleitos no “final dos tempos”. Ora, os homens serão julgados segundo a vida concreta e não pelos seus actos religiosos ou de piedade. “Sempre que o fizestes a um dos Meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes”(Mat.25,40), e inversamente.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

I DOMINGO DO TEMPO DA QUARESMA – 14/FEVERElRO/2016

STOS. CIRíLO e METÓDIO (séc. IX ). Naturais de Tessalónica, estes dois irmãos anunciaram o Evangelho às populações eslavas na sua própria língua : o eslavo, criando inclusive um alfabeto específico: o cirílico. Em 1980 o papa S.João-Paulo ll proclamou-os co-padroeiros da Europa, a par com S. Bento de Núrsia.

Deuteronómio 26,4-10; Sal 90,1-2.10-15; Romanos 10,8-13; Lucas 4,1-13

CONFESSAR A SUA FÉ (Deut. 26,4-10). Nexte texto apresenta-se o gesto ritual duma liturgia celebrada no templo de Jerusalém : oferenda dos 1 OS frutos da terra. O gesto vem acompanhado duma confissão de fé expressa sob a forma de relato. Memorial da salvação de Deus, ele recorda as diversas etapas vividas por
Israel: errância nómada, estadia no Egipto, escravidão, clamor a Deus, Sua intervenção e dom da terra prometida sem a qual o gesto litúrgico não poderia fazer-se. Neste contexto, o memorial não se limita à mera “lembrança” do passado: trata-se, sobretudo, do ofertante se deixar invadir pela gratidão perante um Deus que escuta a oração, liberta da escravidão e guia por caminhos de felicidade. Neste 1o domingo da Quaresma, tempo de preparação da celebração da Páscoa de Cristo e baptismo dos catecúmenos, eis-nos reenviados ao percurso cristão: da errância interior até à terra prometida do nosso coração habitado por Deus, passando pelo desenraízamento do mal e da idolatria que nos impedem de realizar plenamente a vocação de criaturas de Deus. A confissão de fé do Deuteronómio, lida, meditada e interiorizada, suscita a nossa através do relato da própria vida: relato da nossa relação com Deus, que nos “liberta do poder das trevas para nos introduzir no reino dO Seu amado Filho” (Col.1,13). Para readquirir o entusiasmo que já tive – e reassumir o meu Baptismo – tenho que descer ao deserto de mim mesmo e aí redescobrir Cristo e os meus irmãos. Como STA. Teresinha intuiu, o reino não está no cimo dos céus, está no fundo do meu coração e tenho que fazer -me pequeno, que descer do alto das minhas suficiências para encontrar a “criança” que é Jesus, a dizer-me: “O Reino de Deus está em ti, podes construir a paz !”. Será este o programa da minha Quaresma.

“ESTÁ ESCRITO…” (Lucas 4,1-13). Curioso diálogo este, entre dois interlocutores que utilizam o mesmo argumento: “Está escrito!” Porém os seus objectivos divergem claramente. Jesus procura na Escritura a vontade de Deus: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” – lê-se no Deuterónimo – enquanto o diabo só intenta separar O Filho dO Pai. Em grego, o seu nome significa exactamente isso : é o “diábolos”, ou seja “aquele que divide”. Pode portanto retirar-se, de imediato, uma primeira lição: é possível ler-se a Escritura de uma maneira “diabólica” sempre que tentamos separar-nos de Deus em vez de O aproximar de nós. Todavia nada, nem ninguém, pode separar O Filho de Seu Pai. Onde está o segredo ? “Jesus foi conduzido ao deserto pelO Espírito para ser tentado pelo demónio” (Mat.4,1-11). É O Espírito que que O conduz, é Ele que lhE sopra as respostas. Há pois uma Boa Nova para todos os fiéis de Cristo ao longo dos séculos: o mal é vencido porque o demónio é forçado a retirar-se… “Então, o demónio deixou-O até um certo tempo.” A tentação é o elemento sempre presente na vida dos homens. A seguir vem a rejeição ou a adesão e, por fim, a materialização do desvio. Daí que seja tão importante cada um estar vigilante e atento aos pensamentos desorientadores que lhe possam surgir no espírito. Tal como Cristo fez, é bom que os quebremos de imediato, opondo-lhes por exemplo uma jaculatória ou um versículo da Palavra de Deus. Todavia, o melhor remédio contra a tentação – sob todas as formas – está na oração e na abertura fraterna a todos os irmãos.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 13/FEVEREIRO/2016

Isaías 58,9b-14; Sal 85,1-6; Lucas 5,27-32a

SÁBADO, DIA PARA RECUPERAR AS FORÇAS (Is.58,9b-14). O profeta Isaías associa o jejum ao amor e ao socorro do próximo: fazer desaparecer o gesto acusador, a palavra maldizente, dar a quem tem fome, satisfazer o desejo do infeliz. Além disso, não esquecer que o homem é chamado a ter uma relação privilegiada com O Seu Senhor. Daí, advém o significado da importância dada ao sábado, respiração espiritual benéfica. Os trabalhos interrompem-se para o homem se deslumbrar diante d´Aquele que lhe dá o dom da vida. Quer sejam essas pausas espirituais de um minuto, de uma hora, de um dia ou de uma semana, elas unem-nos aO Criador.

“SEGUE-ME…” (Isaías 58,9b-14). Na nossa sociedade há categorias sociais, de notáveis… e de malditos! A sociedade palestiniana, contemporânea de Jesus, tinha também os seus intocáveis: os leprosos, devido ao perigo de contágio, mas também os colectores de impostos por causa da colaboração com o poder Romano. Porém, é a um destes que Cristo vai considerar: Levi-Mateus, que dá um grande banquete em honra d’Aquele que o chama a deixar tudo e ser Seu discípulo. Daí o escândalo dos notáveis ao ver Jesus tomar tomar uma refeição com gente da ralé. Jesus é o modelo dos cristãos chamados pelo papa Francisco para irem até às periferias!

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.