TERÇA-FEIRA – 25/NOVEMBRO/2014

MartirioDeSantaCatarina_CarnachSTA. CATARINA DE ALEXANDRIA (início séc. IV ?). Segundo a vida dos santos da “Legenda Dourada” foi uma cristã nobre, muito culta, que invectivou o imperador Maxêncio pela perseguição dos cristãos, debatendo com os filósofos pagãos por ele enviados para a persuadirem com os seus argumentos, e que, ao contrário, ela converteu. Depois de presa e espancada, foi condenada a morrer na roda que se quebrou quando ali a colocaram. Tudo isto enraiveceu tanto o imperador que a mandou decapitar. A sua existência, muito popular durante a idade Média, é hoje por alguns considerada lendária.

BeatoJacintoSerranoLopezBTO. JACINTO SERRANO LOPEZ e 17 CC (1901-36). Padre dominicano, licenciado em físico-química e músico, detido em Barcelona e fuzilado pouco depois. Tinha 12 anos de sacerdócio e 35 de vida. Morreu a exclamar: “Viva Cristo Rei”; S.João-Paulo ll beatificou-o (2001).

Apocalipse 14, 14-19 ; Sal 95, 10-13 ; Lucas 21, 5-11

AlguemCoroadoComUmaFoiceNaMao_DurerNÃO ESQUECER O COMBATE DO RESSUSCITADO (Ap.14,14-19). A vinda definitiva dO Filho do homem contrasta com o clima de paz que gostamos de sentir junto dO Menino-Deus deitado numa mangedoura. Não cedamos pois ao pânico de interpretar os acontecimentos dolorosos que marcam o nosso mundo como sinais do final dos tempos. Ninguém conhece a hora, nem os anjos do céu, nem O Filho, ninguém a não ser O Pai, afirma Jesus (Marc.13,22). As catástrofes e guerras de que Jesus fala continuam a ser actuais dois mil anos depois.  O Reino de paz tarda a chegar e, todavia, ele está presente, discreto ou até escondido, pois “o bem não dá nas vistas”, e uma floresta a crescer faz menos ruído do que uma árvore a tombar. O Emanuel, “Deus connosco”, está no coração da história graças aO Seu Espírito a agir nos homens empenhados na paz. Simplesmente, não deixemos que as luzes que começam a cintilar nas fachadas dos centros comerciais nos ocultem a seriedade da Encarnação e a luta dO Ressuscitado para assinalar a derrota da morte.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 24/NOVEMBRO/2014

DecapitacaoDeSantoAndreDungLacSTO. ANDRÉ DUNG-LAC e CC (séc.XVIII e XIX). Preso em Hanoi em 1839, este padre vietnamita recusou pisar a cruz de Cristo e foi decapitado. Canonizado pelo papa S. João-Paulo ll em 1998, com outros 116 mártires do Vietname mortos pela fé durante os séculos XVIIIº e XIXº.

Apocalipse 14, 1-3. 4b-5; Sal 23, 1-6; Lucas 21,1-4

“UM CÂNTICO NOVO” (Apocalise 14,1-3.4b-5). Este “cântico novo” ressoa através do saltério, como o cântico do suplicante libertado por Deus de todas as provações que teve de atravessar. Cântico de louvor, cântico litúrgico que a assembleia retoma em festa, ele é, no Apocalipse, o cântico da grande liturgia que se desenrola no céu, para acolher O Cordeiro imolado a partir de agora vencedor, que recebe a glória de Deus. Cântico que une na mesma acção de graças as potências celestes, o mun-do de Deus e dos homens que sofreram por seguirem Cristo e permaneceram fiéis até à morte. Este cântico“novo” evoca a Aliança nova ou Testamento novo, como relação inaudita agora instaurada entre Deus e a humanidade, pelo amor de Cristo, vitorioso da morte.

OObuloDaViuvaO DINAMISMO DO AMOR E DA CONFIANÇA (Luc.21-1-4). Estamos no início da última semana do tempo comum e já paira no ar o perfume de um nascimento. Para prepararmos a vinda dO Emanuel, sigamos o exemplo desta viúva miserável que se aproxima do tesouro do Templo. Ela assemelha-se a uma figura de présépio, enrugada como uma maçã ressequida! Com um gesto simples, ela dá tudo o que possui, sem se preocupar com o amanhã. Deus providenciará… Abordemos, também nós, os dias que nos separam do Natal com confiança total na Sua misericórdia. Um menino estende-nos os braços: os braços de Deus feito homem.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris).

DOMINGO DE N. SENHOR JESUS CRISTO, REl DO UNlVERSO– 23/NOVEMBRO/2014

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO. Termina esta semana o ano litúrgico “A”. A partir do próximo domingo, o Advento é a abertura do novo ano “B” dO Reino de Deus. Vamos continuar a busca da santidade, abrindo-nos ao que O Senhor quiser revelar-nos.

MartirioDeSaoClementeS. CLEMENTE I (99). 3º sucessor de São Pedro. É-lhe atribuida uma Carta aos Coríntios, evocativa do início da Igreja e das suas dificuldades e conflitos, que lhes recordava o ideal evangélico. Morreu mártir afogado.

Ezequiel 34, 11-12.15-17 ; Sal 22, 1-3. 5-6 ; 1 Coríntios 15, 20-26. 28 ; Mateus 25, 31-46

JulgamentoFinal_RubensUM ANTE-GOSTO DO REINO (Mat.25,31-46). A celebração de Cristo “Rei do universo” remete-nos para as representações políticas, apesar das leituras nos mostrarem que Jesus não é um príncipe terrestre. O Evangelho do Julgamento Final insiste todavia sobre a eficácia social e política da aceitação da res-surreição de Cristo. Devido às suas fragilidades, os justos agiram mal simplesmente e sem cálculo. Os dispostos no lado mau foram denunciados pela ausência de compaixão concreta, e a sua duplicidade foi firmemente desmascarada. Se tivessem sabido que, na pessoa daquele pobre, era O Rei que se apresen-tava, ter-se-iam imediatamente posto ao Seu serviço, mas por interesse. Esta festa litúrgica ajuda-nos a compreender que, quando a graça da eter-nidade se saboreia no interior das nossas existências quotidianas, a fé na ressurreição de Cristo não é apenas uma experiência íntima. É nos compromissos humanos que testemunhamos o nosso baptismo. De facto, a fé cristã é, ao mesmo tempo mística e política, secreta e visível, interior e eficaz. Todavia, essa espessura política da fé não é senão um ante-gosto dO Reino definitivo de Deus e isso deveria impedir o cristianismo de pretender substituir-se ao Estado. A Igreja só reclama a liberdade religiosa, tanto para ela como para todas as religiões. A fé impele-nos a agir e a testemunhar na sociedade, mas ela também nos permite descobrir que O Reino de Deus nos precede, porque O Espírito Santo actua na história e no coração de cada um. Jesus transporta os que O ouviam aos últimos tempos, quando O “Filho do homem” vier “na Sua glória” e Se sentar sobre o trono. O “Filho do homem” é descrito como um rei, que pode convocar todas as nações. O nome de “Senhor” que lhE é dado ressoa como o nome próprio de Deus na Bíblia. “Todas as nações” são convocadas. Os homens são separados em dois campos. “À direita”, lugar de honra tradicional, vêm os “benditos” dO Pai, os “justos”, que recebem em herança O “Reino”, a “vida eterna”. “À esquerda”, os “malditos”, privados dO Reino, “irão para o castigo eterno”. Que fizeram os justos para estar no bom campo? Eles aceitaram, (ajustaram-se), à Lei divina que exige justiça e rectidão nas acções, e fizeram-no sem procurar a recompensa dO Rei.  Eles encontraram, sem o saberem, O próprio Senhor na casa daqueles que socorriam. E que fizeram os malditos? Nada!, nem se mexeram, e não podem por isso ir para junto dO Senhor.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 22/NOVEMBRO/2014

ExtaseDeSantaCeciliaSTA. CECíLIA (~180). Nascida numa família ilustre romana, é, desde o século V, venerada como virgem e mártir.

Apocalipse 11, 4-12 ; Sal 143, 1-2. 9-10 ; Luc. 20, 27-40

“ESTAS DUAS TESTEMUNHAS….” (Ap.11,4-12). Pergunta-se com frequência quem serão estas duas testemunhas, também chamadas “profetas” : elas enfrentam as forças do mal que denunciam, que as matam com o regozijo dos habitantes da terra, mas, reerguidas por Deus, elas suscitam a conversão e o arrependimento dos seus inimigos. Responsáveis das Igrejas? Grupos cristãos? O autor tem o cuidado de sublinhar que escreve de forma simbólica. Trata-se certamente daqueles que, no encalço de Cristo aceitaram o apelo à conversão e morreram como Ele, nas condições e no mesmo lugar em que Ele foi crucificado. A palavra “testemunha” diz-se “martur” em grego, e os que testemunharam até ao fim ao preço da própria vida são os “mártires”, testemunhas credíveis acolhidas por Deus. “O Espírito da vida entrou neles”. Triunfo da Ressurreição sobre todas as forças da morte. É desolador contemplar os que se encarniçaram a matar de toda a espécie de formas, e que todavia podiam “subir ao céu na nuvem”. Pensamos logo na profecia de Zacarias (Zac.12,10), realizada na Cruz: “Hão-de olhar para Aquele que trespassaram” (João 19,37).

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.