SÁBADO – 22/NOVEMBRO/2014

ExtaseDeSantaCeciliaSTA. CECíLIA (~180). Nascida numa família ilustre romana, é, desde o século V, venerada como virgem e mártir.

Apocalipse 11, 4-12 ; Sal 143, 1-2. 9-10 ; Luc. 20, 27-40

“ESTAS DUAS TESTEMUNHAS….” (Ap.11,4-12). Pergunta-se com frequência quem serão estas duas testemunhas, também chamadas “profetas” : elas enfrentam as forças do mal que denunciam, que as matam com o regozijo dos habitantes da terra, mas, reerguidas por Deus, elas suscitam a conversão e o arrependimento dos seus inimigos. Responsáveis das Igrejas? Grupos cristãos? O autor tem o cuidado de sublinhar que escreve de forma simbólica. Trata-se certamente daqueles que, no encalço de Cristo aceitaram o apelo à conversão e morreram como Ele, nas condições e no mesmo lugar em que Ele foi crucificado. A palavra “testemunha” diz-se “martur” em grego, e os que testemunharam até ao fim ao preço da própria vida são os “mártires”, testemunhas credíveis acolhidas por Deus. “O Espírito da vida entrou neles”. Triunfo da Ressurreição sobre todas as forças da morte. É desolador contemplar os que se encarniçaram a matar de toda a espécie de formas, e que todavia podiam “subir ao céu na nuvem”. Pensamos logo na profecia de Zacarias (Zac.12,10), realizada na Cruz: “Hão-de olhar para Aquele que trespassaram” (João 19,37).

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 21/NOVEMBRO/2014

ApresentacaoDeNossaSenhora_bAPRESENTAÇÃO DE NOSSA SENHORA. A Igreja do Oriente celebra desde o séc.Vl esta festa, tão rica de significado, em que São Joaquim e Santa Ana apresentam nO Templo a jovem Maria.

Zacarias 2, 14-17 ; Sal 45,11-12. 13b-14.15b-16 ; Mateus12, 46-50

“…COMO SUA PORÇÃO NA TERRA SANTA.” (Zacar.2,14-17). Um texto célebre do regresso dos exilados a Jerusalém. O Senhor vem novamente habitar no meio do Seu povo. O vocabulário é de eleição : “tomar posse”, “escolher”, “seu património”(seu domínio), que denota um elo exclusivo entre O Senhor e Israel. Uma expressão sobressai : “na terra santa” ; não se trata do país, nem da Terra Santa no sentido actual do termo, mas mais precisamente de “solo”. O solo que Deus confiou ao homem para o cultivar e dele re-tirar o seu alimento, será, a partir de agora, o lugar para onde Deus vem viver no meio dos Seus. Tata-se de um solo “santo”, porque é um dom de Deus que, até na actividade humana mais simples, se torna presente para dar a vida. E isto é verdadeiro para todos os povos.

“AQUELE QUE FAZ A VONTADE DE MEU PAl…” (Mat.12,46-50). Neste dia da Apresentação de Maria no Templo, preparamo-nos para entrar no Ano dedicado à vida consagrada. Caminhar a seguir as pégadas de Cristo, diz respeito a todos, porque todos desejamos ser Seus “irmãos e irmãs”, na proximidade de Maria, que a Igreja escolhe hoje para nos apresentar como alguém que sabe fazer cons-tantemente a vontade dO Pai. Com ela, tentamos aprofundar a nossa maneira de rezar o “Pai Nosso” para descobrirmos que há mais alegria em fazer prevalecer em nós a vontade dO Pai do que em fazer triunfar a nossa…

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 20/NOVEMBRO/2014

GelasioIOAfricanoS. GELÁSIO I, O AFRICANO (496). Originário da África do Norte foi eleito papa em 492. Embora tenha sido Papa apenas durante 4,5 anos, exerceu uma profunda influência na política, liturgia e disciplina eclesiais. Reafirmou a superioridade do espiritual sobre o material, e a primazia da cátedra de Roma sobre a cátedra de Constantinopla. Muitos dos seus decretos foram incorporados no Direito Canónico. Foi chamado “Pai dos pobres”, por nunca ter hesitado em recorrer às riquezas da Igreja em tempos de fome, de epidemias de peste ou simplesmente de pobreza.

Apocalipse 5, 1-10 ; Sal 149,1-6a. 9b ; Lucas 19, 41-44

“ELE ALCANÇOU A VITÓRlA…”(Apoc.5,1-10). Entre as muitas questões que O Apocalipse coloca aos leitores de hoje, sinto certamente espicaçar-me esta : em quê, dirá respeito a mim mesmo, hoje, uma liturgia celeste como aquela que se desenrola no capítulo5? Irei eu também chorar diante do Livro selado? Ou cantarei eu com os quatro Viventes e os 24 anciãos diande dO Cristo-Cordeiro? Claro que sim!, porque sei e acredito que Cristo-Cordeiro tem a chave da interpretação do mistério das nossas vidas e da História! E que foi Ele que nos deu o sacerdócio real, posto tão em evidência pelo Concílio Vaticano II!

“…POR NÃO TERES RECONHEClDO O TEMPO EM QUE FOSTE VISITADA.” (Apocalipse.5,1-10). Jerusalém, tu que reunes na fé aO Deus Único uma multidão de homens vindos de povos, de raças, de línguas e ritos tão diferentes; tu que és a cidade dos que procuram Deus, eis que hoje O Filho de Deus está a chorar sobre ti. Pois não será afinal, cidade da Paz, o ruído da guerra que os teus filhos escutam? Jesus de Nazaré veio até ti propôr a paz, e tu que fizeste? Jesus morto numa das tuas colinas e ressus-citado num dos teus jardins. Mas a Sua vida sepultada na tua terra é sinal seguro que não foste abandonada pelo teu Deus, e que a oração que se eleva das tuas muralhas é ouvida. Jerusalém, não temas e reencontra a paz a que foste convidada!

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 19/NOVEMBRO/2014

SantaMatildeDeHackebornSTA. MATILDE DE HACKEBORN (1240-1298). Mística alemã, mestra e amiga de STA. Gertrudes Magna no mosteiro de Helfta (Saxe). Iniciou a devoção mariana das três avé-marias diárias. STA. Matilde e STA. Gertrudes são as precursoras da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

SaoRafaelKalinowskiS. RAFAEL KALINOWSKI (1240-1298). Entrou, aos 42 anos, inspirado na Virgem Maria, nos Carmelitas descalços “por definição Ordem de Maria”, da Áustria, e trabalhou na restauração do Carmelo na Polónia. Morreu em Wadowice, terra natal de S. João-Paulo II que o canonizou (1991).

Apocalipse 4,1-11 ; Sal 150,1-6 ; Lucas 19,11-28

UMA GRANDIOSA LITURGIA CELESTE (Apocalip.4,1-11). O capítulo quatro do Apocalipse celebra uma liturgia grandiosa que preside ao desenvolver do próprio Livro, apresentando em sucessivas etapas a atracção da Jerusalém celeste. Para nos dar a coragem e a esperança, porque através dos combates, Cristo é já O vencedor definitivo de todas as nossas lutas. A liturgia da Jerusalém celeste permite-nos suplantar, com o anúncio profético da paz definitiva de Deus, qualquer “terror apocalíptico”!

ParabolaDasMinasDeOuro_Merian“SENHOR, ELE JÁ TEM DEZ !…”(Lucas 19,11-28). Esta parábola das minas de ouro fere-nos. Este rei não é a imagem do nosso Deus. É um rei violento que usa meios radicais para eliminar os inimigos. É um rei injusto que aprofunda a separação entre o que já tem muito e aquele que nada possui. Como entender-se isto? Esta violência evoca o irrepremível desejo de um Pai que quer ver os filhos crescer, e fazer frutificar o dom depositado nas suas mãos. O reino de Deus deve crescer, porque a glória dO Pai é que nós produzamos muitos frutos. Não será essa a maneira de se honrar a Deus? A “mina” de ouro dada pelo rei aos servos é o sinal dessa imensa confiança outorgada a cada um. Não a coloquemos escondida sob o alqueire. Àquele que a deixar frutificar pelo dom de si mesmo, está prometida a superabundância.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.