TERÇA-FEIRA – 18/NOVEMBRO/2014

SaoPedroESaoPauloDedicação das BASíLlCAS de S.PEDRO e S.PAULO. A Igreja lembra os 2 Apóstolos fundadores e as 2 Basílicas erigidas na cidade de Roma : S.Pedro, símbolo e centro da Igreja Católica, e S. Paulo extra-muros, na estrada de Óstia.

Apocalipse 3,1-6. 14-22; Sal 14,2-5; Lucas 19,1-10

PARA ALÉM DOS SÉCULOS (Ap.3,1-6.14-22). As “cartas às Igrejas” (Ap.2,3) são dirigidas, para além dos dos séculos, também a nós. Com um infinito respeito pela nossa liberdade, O Senhor, está à porta do coração inteligente de cada um. Num quadro célebre, de Wiliam Hunt (1827-1910) “A luz do mundo”, na catedral de S.Paulo em Londres, Cristo bate a uma porta sem puxador, como que a sugerir que seremos nós quem, do outro lado, temos esse puxador na mão com total liberdade para lhE abrirmos ou não a porta.

“ZAQUEU DESCE DEPRESSA…”(Lucas 19,1-10). Zaqueu não estava à espera disto ! Ele queria apenas ver Jesus. Mas Jesus também o viu, e os seus olhares cruzaram-se: Zaqueu pendurado na árvore e, mais abaixo, Jesus que – como noutras passagens do Evangelho – erguia os olhos ao céu quando orava aO Pai. Há algo magnífico nestre encontro inesperado; súbitamente, Zaqueu já não pode ficar na árvore a olhar de cima. É-lhe necessário descer para reencontrar Jesus e desse reencontro nasce a sua alegria e conversão radical. Aprendamos também nós a descer do alto, a descer no nosso coração, aí onde podemos encontrar e acolher a vida de Deus!

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 17/NOVEMBRO/2014

SantaIsabelDaHungriaSTA. ISABEL DA HUNGRIA (1207-1231). Isabel fez um casamento de estado aos 14 anos com Ludwig IV, mais velho 7 anos. Do casamento feliz e exemplar de sete anos, nasceram 3 filhos. Durante esse período, com o apoio do marido, mandou construir um hospital, visitava os en-carcerados e dava diariamente esmola a centenas de pobres. Após a morte do marido, viúva aos 21 anos, Isabel deixou a corte e professou na Ordem Terceira de S.Francisco, sendo das primeiras terciárias da Alemanha. No verão de 1228, edificou um hospital em Marburg e, ali, dedicou-se a tratar os doentes, especialmente os leprosos, impondo-se muitas mortificações.

SaoGregorioDeToursS. GREGÓRIO DE TOURS (538-94). Viveu na época merovíngia, tempo de agitação política e matanças. Bispo de Tours, impõs-se pelas suas virtudes e coragem. Escreveu sobre a vida dos santos e uma “História dos Francos”, sendo considerado o pai da história de França.

Apocalipse 1,1-4; 2,1-5a; Sal 1,1-4.6; Lucas 18, 35-43

REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO (Apoc.1,1-4; 2,1-5a). O termo “apocalipse” significa “revelação”. Mas o seu complemento é ambíguo: Jesus Cristo é o sujeito que revela o futuro ao profeta João, ou será Ele mesmo o futuro revelado? A abertura do texto apresenta uma admirável sucessão: Deus confiara a revelação a Jesus Cristo e Ele fê-la conhecer ao Seu servo João, por intermédio de um anjo. João, testemunha da palavra de Deus e do testemunho dO próprio Jesus Cristo (“tudo o que ele viu”). O que João viu e lhe permite saber o que deve vir, foi a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Isso permite-lhe desvendar aos homens que irão atravessar igual Páscoa, num caminho de sofrimento e de morte, mas que a omnipotência dO Espírito, já em acção, virá renovar a sua vida. “O tempo está próximo”. Qual é a proximidade a que o Apocalipse se refere? É a do “kairos”: a vinda gloriosa de Cristo e o fim da ordem das coisas tal como presentemente as vivemos. Desde a Encarnação e a Redenção, nós vivemos no tempo-tempo, “chronos”, que cada dia nos aproxima do tempo-acontecimento, “kairos”, sobre o qual não sabemos nem o dia nem a hora. Confessemos que é uma ignorância nada confortável. Mas ela é a chave da vigilância cristã: nós somos os atentos vigilantes, na expectativa da vitória final de Cristo.

SenhorTemPiedadeDeMim“…AO OUVIR A MULTIDÃO PASSAR…” (Lucas 18,35-43). A deficiência deste cego é dramática : apenas o ouvido lhe permite aperceber-se que, à sua frente, está a passar uma multidão. Ele é o sinal da nossa condição na terra : vivemos sob o regime da fé e não vemos a Deus. Mas ouvimos Cristo, a Palavra, e tudo é possível. Na súplica do cego, nós escutamos o grito da humanidade:“Tem piedade de mim!” Este grito dos homens, Deus escuta-o. Ele escuta-o de tal maneira, que enviou O Seu Filho para restituir a vista aos cegos. Ele está diante de nós para nos curar. A primeira realidade sobre a qual se abriram os olhos do cego foi a pessoa de Jesus que vinha curá-lo e o olhava. Para nos conduzir até à visão de Deus, Jesus está ali e fita-nos. Ele abre-nos os olhos.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 16/NOVEMBRO/2014

SantaGertrudesMagnaSTA. GERTRUDES MAGNA (1256-1303). Os escritos desta mística alemã beneditina, que nunca foi abadessa, transmitem a alegria da sua fé profunda na Encarnação, na misericórdia de Jesus e numa íntima confiança no Seu Sagrado Coração. Por isso era entusiasta da Eucaristia e da Liturgia. STA. da Humanidade de Cristo e “teóloga” do Sagrado Coração, como por vezes é conhecida, tinha uma espiritualidade de luz e paz fundada na vida litúrgica da Igreja Católica, cujos ofícios divinos cantava diáriamente com STAMatilde, na abadia de Hefta. Esta vidente estigmatizada tinha grande cultura e testemunhou as suas visões e revelações em diversas obras:“O arauto da bondade divina” e em 7 “Exercícios”, editadas em latim no séc.XVI pelo cartuxo João Lamperge e logo traduzidas para as várias línguas.

Provérbios 31,10-13.19-20. 30-31 ; Sal 127, 1-5 ; 1 Tessal. 5, 1-6 ; Mateus 25,14-30

ParabolaDosTalentosELE REGRESSARÁ EM GLÓRIA (Mat.25,14-30). Jesus conta uma parábola para falar da Sua vinda aos discípulos. Mas, passados mais de dois mil anos, como falar do regresso dO Filho de Deus? Domingo após domingo, a Igreja reafirma a fé que lhe vem dos Apóstolos. O Credo dá-nos as palavras para nos apropriarmos deste tesouro imenso que O Senhor confiou aos homens até à Sua volta. “Ele regressará em glória”. Como o senhor da parábola, que quando voltou já não era esperado. A fé no regresso glorioso de Cristo é muito antiga. O Novo Testamento testemunha que as primeiras comunidades cristãs aguardavam o regresso eminente dO Mestre. E hoje? As iniciativas a favor da nova evangelização, a revalorização do diaconado, os apelos para o trabalho nas “periferias”, são ocasiões para despertarem a nossa expectativa no regresso de Cristo. Não as deitemos a perder pois O Mestre pedir-nos-á contas quando vier “julgar os vivos e os mortos”. Que fizemos nós do dom da fé ? Seremos ainda cristãos? Será ela, na verdade, uma Boa-Nova, que nos faz mudar de olhar, de comportamento, de ambição? S. João da Cruz dizia que no final da vida seremos julgados pelo amor. Mas em vez de temor, esse dia do julgamento deveria multiplicar as nossas capacidades de ternura e de serviço aos outros, enquanto esperamos o cumprir das promessas de Cristo. A nossa esperança está aí: “O Seu Reino não terá fim”. Deus acabará por reinar. No fim dos tempos, o Seu amor ganhará todos os recantos do universo. Nós não temos necessidade de compreender tudo. As dúvidas também fazem parte da fé. Deixemo-nos levar pela fé da Igreja.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 15/NOVEMBRO/2014

SaoJosePignatelliS. JOSÉ PIGNATELLI (1737-1811). Este jesuíta, nascido numa grande família de Espanha, trabalhou na restauração da Companhia de Jesus, dissolvida por Clemente XVI, em 1773.

SantoAlbertoMagnoSTO. ALBERTO MAGNO (1193-1280). Dominicano, Doutor da Igreja, bispo de Ratisbona e professor de filosofia e teologia nas universidades de Paris e de Colónia; S.Tomás foi o seu discípulo predilecto. Alberto tentava ainda, no estudo e oração, harmonizar as ciências na-naturais com as da revelação divina. Lefebre d’Etaples dizia serem Aristóteles, Salomão e Alberto os 3 maiores “génios” da humanidade. S. Pio XII declarou-o patrono dos cientistas.

3 João 5-8; Sal 111,1-6; Lucas 18,1-8

A ORAÇÃO, EXPRESSÃO DA FÉ (Luc.18,1-8). Nós não pedimos nada a quem não tivermos confiança. E ao contrário, estamos seguros de ser escutados e atendidos por uma pessoa que mereça a nossa confiança. É por acreditarmos em Deus Pai que lhE confiamos os nossos pedidos sem perder a coragem, com insistência, até com impertinência. Mas aceitaremos nós a pergunta de Jesus?: será que temos fé? Senhor, faço-Te hoje dois pedidos que Tu escutaste nos caminhos da Palestina: “Aumenta em nós a fé !” (Luc.17, 5), e “Vem em socorro da minha pouca fé !”(Marc.9, 24). Tu não podes negar-te a Ti mesmo, Tu “és” Aquele que não pode abandonar-nos.

“Meditações Bíblicas”, trad. dajes Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e Sìntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 14/NOVEMBRO/2014

2 João 1. 4-9 ; Sal 118,1. 2.10-11.17 ; Lucas 17, 26-37

DESLIGAR-NOS PARA NOS LIGARMOS A CRISTO (2 Jo.4-9; Luc.17,26-27). Para se viver verdadeiramente como um homem, é ne- cessário referir-nos ao passado, viver o momento presente e olhar para o futuro. Jesus alerta os que se contentam em viver o dia a dia sem se lembrarem do amanhã. O Senhor virá de improviso, estejamos preparados para O reconhecer e permanecer ligados a Ele. Nós construimos a existência futura aqui e agora, sob o olhar carinhoso de Deus, com o coração aberto e vigilante à Sua presença, voltados para a frente, mas conscientes que a vida nem se constrói na nostalgia do passado nem tão pouco numa fuga para diante. “Todo aquele que passa adiante e não permanece na doutrina de Cristo não tem Deus consigo e separa-se de Cristo”, escreve S. João. Senhor, recorda-me cada dia que é ao perder a minha vida, ou seja dando-a como Tu a deste, que a salvarei para ressuscitar conTigo !

“Meditações Bíblicas”, trad. dajes Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e Sìntese: Jorge Perloiro.