QUINTA-FEIRA – 13/NOVEMBRO/2014

SaoDiogoDeAlcalaEmExtase_MurilloS. DIOGO DE ALCALÁ (1400-63). Franciscano espanhol, foi porteiro no convento de Arizafa e depois missionou as Canárias. No ano jubilar de 1450 em Roma (ano da canonização de S.Bernardino de Sena), estavam ali 4000 franciscanos vindos de todo o mundo e, ao declarar-se uma epidemia, ele foi encarregado da enfermaria. Taumaturgo, beijava os empestados, o pão e os remédios multiplicavam-se nas suas mãos, e chegava a salvar os moribundos. Um quadro de Murillo representa-o elevado em êxtase na cozinha, com os anjos a tratar das refeições. Cem anos após a morte, o rei Filipe II, abriu o túmulo para pedir a cura do filho com traumatismo craniano (caíra dum cavalo). O toque no seu corpo incorrupto curou o príncipe!

Filémon 7-20; Sal 145,7-10; Lucas 17,20-25 

“COMO UM IRMÃO QUERIDO” (Filémon 7,20). Que família esquisita! A casa, mais que os familiares (oikos), era a estrutura de base da sociedade greco-romana: o pai de família reinava ali como senhor da sua mulher, dos seus filhos, dos criados e dos escravos. Um escravo fugitivo merecia a morte. Ora Paulo fizera de Onésimo em fuga um cristão, ele tinha-o gerado em Cristo, como fizera com Filémon, o senhor da casa. A partir de agora, se reenvia Onésimo ao seu senhor, Paulo quer que este o receba já não como escravo, mas como irmão muito querido, como se o acolhesse a si próprio. Quando as famílias se tornavam cristãs, a sua estrutura interna ficava inteiramente subvertida. Na Igreja-família, não há nem esravo nem homem libre, todos são irmãos em Jesus Cristo!

“O REINO DE DEUS ESTÁ NO MEIO DE VÓS…” (Lucas 17,20-25). Todos conhecemos o jogo das crianças que escondem um objecto e cuja posição indicam à medida que se procura, dizendo: “frio, quente, quente, a escaldar…” O Reino de Deus é um tesouro escondido. Se dás o teu pão àquele que tem fome, tu estás quente. Se libertas o teu irmão acorrentado, tu estás quente. Se dás um copo de água ao que tem sede, tu estás quente. Se, pobre, humilhado, com fome e sede de justiça, vives as Bem-aventuranças, tu estás quente. Se dás a vida por amor, tu estás quente. E finalmente, és tu próprio que escaldas. Sim, tu estás a arder com o mesmo amor de Cristo! A nossa fé faz-nos reconhecer os sinais dO Reino; a nossa esperança faz-nos aguardar Cristo na Sua glória que iluminará o mundo. Entretanto, é a noite de provação. Senhor, faz de mim um crente à espera dos Teus sinais e um vigilante que aguarda a Tua vinda !

“Meditações Bíblicas”, trad. dajes Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e Sìntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 12/NOVEMBRO/2014

SaoJosafatSÃO JOSAFÁ (1580-1623). Nascido na religião ortodoxa, entrou com 20 anos na Igreja da Ucrânia unida a Roma (Igreja Ortodoxa Uniata). Josafá não foi o único. Como ele, em 1596, muitos bispos ucranianos e bielorrussos do Metropolita de Kiev decidiram confirmar sua união com a Sé Apostólica de Roma através do “Tratado de Brest”. Homem da oração e do silêncio, S. Josafá, mártir pela união das Igrejas, foi ainda o reformador da Ordem de S. Basílio Magno com João Velhamen Rutskyj. Nomeado, em 1618, arcebispo de Polotsk (actual Bielorússia), foi morto pelos ad- versários da Igreja católica numa visita pastoral a Vitebsk. Exemplo para os religiosos e patrono do ecumenismo, foi o primeiro santo da igreja do oriente a ser canonizado (em 1876 pelo Papa Pio IX). Pio XI proclamou S. Josafá, em 12 de novembro de 1923, no 3º centenário do seu martírio, Padroeiro da união entre os cristãos ortodoxos e católicos.

Tito 3,1-7; Sal 22,1-6; Lucas 17,11-19

JesusCuraOsDezLeprososDAR UM PASSO PARA A SALVAÇÃO (Lucas 17,11-19). Jesus ouve o grito de dez leprosos, que evidentemente não ousam aproximar-se. Então Ele cura-os de longe. Mas para serem “salvos” ainda é necessário que dêm mais um passo, o do reconhecimento: glorificar a Deus e dar graças a Jesus. Só um o fez e era samaritano! Sómente um alcançou, graças à sua fé, a cura total. Ele não foi apenas curado, mas também salvo. Assim “Deus, NºSalvador, manifestou a Sua bondade e o Seu amor para com os homens, Ele salvou-nos…”, escreve Paulo a Tito. Senhor, que eu nunca considere a Tua salvação como uma obrigação, mas como um dom, para o qual eu sou conTigo um protagonista. “E os outros nove, onde estão ?” Boa pergunta! Escuto hoje Jesus a colocar-ma como convite para ir à procura desses outros nove que não voltaram para Ele. Não seremos nós que devemos apontar, aos outros homens como estes, a fonte da salvação, anunciando-lhes que O Salvador tem um rosto: Jesus-Cristo ? E como fazê-lo, senão dando graças por tudo o que O Senhor faz por nós? Os cristãos são os pecadores perdoados que tendo recebido a misericórdia, vão anunciá-la aos seus irmãos e irmãs. Então, como o leproso curado que voltou para Jesus, nós seremos verdadeiras testemunhas de Cristo. Dêmos-lhE graças em alta voz para ser bem ouvidos por todos.

“Meditações Bíblicas”, trad. dajes Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e Sìntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 11/NOVEMBRO/2014

SaoMartinhoEOMendigo_ElGrecoS. MARTINHO (316-97). É um santo muito popular na Europa. Soldado duma caridade lendária, terá repartido a capa com um mendigo que morria de frio, imagem de Cristo sofredor. Convertido ao cristianismo, fez-se eremita, fundou o mosteiro Ligugé e, como bispo de Tours, foi decisivo na evangelização da Gália.

Tito 2, 1-8.11-14 ; Sal 36, 3-4.18. 23. 27. 29 ; Lucas 17, 7-10

SERVIR…, SERVIR APENAS (Luc.17,7-10). De facto, Deus não precisa dos homens, mas parece ter necessidade da sua disponibilidade para cumprirem a missão de servos. É isso que alegra o coração de Deus. Então, o mais importante não é procurar a utilidade do que fazemos, mas sim a qualidade do nosso ser. O homem sómente é grande se “servir”, e, só de Deus recebe o julgamento. Só Ele pode declarar alguém como “bom servo”. Mas há dever e dever: aquele dever que se é obrigado a cumprir de má vontade, e o dever que se cumpre com alegria e felicidade, a servir Deus e ao próximo. Senhor, ajuda-me a não procurar em primeiro lugar a eficácia do que faço, mas a viver aquilo que Tu me pedes para ser: um servo! Jesus, que os discípulos por vezes chamavam Mestre, define-Se sobretudo como Servo, porque Ele veio não para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida. Servir é portanto dar e dar-se. Que formidável escola de vida! Com frequência gostariamos de escolher a maneira de servir e quereriamos fazê-lo de forma grandiosa e visível. Mas à força de fazer obras para Deus, arriscar-nos-emos a não fazer a obra de Deus. Servir aí onde estivermos, com aquilo que somos, eis a verdadeira grandeza de qualquer serviço!

“Meditações Bíblicas”, trad. dajes Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e Sìntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 10/NOVEMBRO/2014

EncontroDeSaoLeaoMagnoComAtilaS. LEÃO MAGNO (461). O santo papa Leão Magno é o pai da Igreja latina e um Doutor da Igreja. Eloquente homilista e escritor, deixou-nos muitas cartas e sermões de ensino ao seu rebanho. Eleito papa em 440, teve que enfrentar as invasões dos bárbaros e as fortes controvérsias teológicas sobre a divindade de Cristo. Combateu as heresias do pelagianismo, neoplatónica e do priscilianismo e ratificou a decisão do Patriarca de Constantinopla contra Eutiques com uma carta dogmática, que confirmava a doutrina da Encarnação. Contribuiu assim para fazer triunfar a sua fé na dualidade da natureza de Cristo, “verdadeiro Deus e verdadeiro homem”. Homem enérgico e bom pastor foi, com pompa, ao encontro dos Hunos do supersticioso Átila e conseguiu fazê-lo sair de Itália, salvando Roma. Igualmente quando os vândalos de Genserico invadiram Roma, mais uma vez, a santidade e a eloquência do papa Leão salvaram a cidade.

Tito 1, 1-9 ; Sal 23, 1-6 ; Lucas 17, 1-6

OS TRÊS SINAIS DISTINTIVOS DO DISCíPULO (Lucas 17,1-6). Encontramos neste evangelho os três sinais distintivos do discípulo. O primeiro sinal é o testemunho: testemunhar com verdade afim de orientar para Deus, enquanto o contra-testemunho, devido ao escândalo, afasta de Deus. O segundo sinal é o perdão : perdoar sem cessar, à maneira de Deus, àquele que nos pede a reconciliação.
Por fim, o terceiro sinal é implorar a fé numa entrega perfeita e total a Deus, que nos concede então tudo o que lhE pedirmos. Faço-Te Senhor, um pedido idêntico ao que os Apóstolos um dia Te fizeram: “Aumenta em mim a fé !” Ao dirigir-Te esta oração, estou já a manifestar a minha fé em Ti, embora ela seja tão pequenina como um grão de mostarda. É uma necessidade que sinto, pois só a fé em Ti pode fazer de mim alguém capaz de perdoar em profundidade e libertar-me do mal. Estou a pensar em Tomás More, o inglês do séc.XVI, decapitado por seguir a sua consciência. Após a condenação, disse aos juízes: “Queira Deus que, eu próprio e vós que me condenastes na terra, nos reencontremos alegremente no céu para nossa salvação eterna”. O cristão é de facto um homem livre a quem o ódio não escraviza.

“Meditações Bíblicas”, trad. dajes Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e Sìntese: Jorge Perloiro.