QUARTA-FEIRA – 10/SETEMBRO/2014

S. NICOLAU TOLENTINO (1245-1305). Este italiano entrou muito jovem nos “Eremitas de STO. Agostinho”. “Tinha o segredo das palavras animadoras” e passou os últimos 30 anos da sua vida no mosteiro de Tolentino (região de Marcos), dedicado ao ensino do catecismo.

1 Coríntios 7, 25-31 ; Sal 44, 11-12.14-17 ; Lucas 6, 20-26

BEM-AVENTURADOS OS POBRES  (Luc.6,20-26). Há alguns anos o mosteiro dominicano de Ligugé participou na criação duma casa de acolhimento para pessoas sem domicílio fixo.  A finalidade era permitir a essas pessoas repousarem algum tempo até encontrarem uma possibilidade de saírem do seu círculo infernal. Podiam permanecer até seis meses, ocupando-se na actividade regular duma vida em grupo.  Esta experiência foi emocionante, de tal maneira possibilitou avaliar quanto a partilha essencial- com as nossas novas e diversas pobrezas – faz parte da natureza humana, e está na origem da autêntica felicidade. Sim, felizes os pobres, pois O Reino dos céus pertence-lhes. Nesta partilha que é mais fácil aos que nada têm a perder, encontra-se a verdadeira felicidade dO Evangelho de Deus.  Ouçamos hoje este convite para sair de nós mesmos, deixando viver em nós o dom de Deus, inclusivé quando ele não é recebido ou é até rejeitado pelos que nos rodeiam.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro. 

TERÇA-FEIRA – 9/SETEMBRO/2014

S. PEDRO CLAVER (1589-1654). Jesuíta catalão, nascido junto a Barcelona. Partiu para a Colômbia onde durante 40 anos se dedicou, em Cartagena, a evangelizar e a cuidar dos escravos negros deportados para a América.

1Coríntios 6, 1-11 ; Sal 149, 1-6a. 9b ; Lucas 6,12-19

UmaForçaSaiaDeleORAÇÃO E ESCOLHA (Luc.6,12-19). No momento importante da escolha dos apóstolos, Jesus retira-Se para orar. Reza afastado dos homens, na montanha, só toda a noite, junto dO Pai.  E convida-nos a também entrar nessa grande oração da co-munhão gratuita, da contemplação da grandeza de Deus e da Sua glória. A oração de Jesus une-O a Deus, une-O à vontade dO Pai. Deste modo Ele faz a escolha dos apóstolos segundo a vontade de Deus.  Entre o grupo dos discípulos, Jesus previlegiou doze – em referência às doze tribos do povo da aliança – e por seu intermédio coloca os fundamentos da Sua Igreja. A seguir, tal como Moisés outrora no Sinai, Jesus desce da montanha onde permanecera unido a Deus, de regresso à numerosa multidão cosmopolita atraída pela Sua palavra e pelo Seu poder de curar. A oração de Jesus impulsiona-nos à acção e à missão evangelizadoras.  Falamos com frequência dos “milagres” de Jesus. Porém, os evangelhos não usam a palavra “milagre”, eles falam de “dunamis”, “acto de poder, ou de força”. É o caso de hoje. Jesus é a força e poder de Deus, a agir no mundo e a fazê-lo renascer: o Seu contacto cura-nos!

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro. 

SEGUNDA-FEIRA – 8/SETEMBRO/2014 NATlVlDADE DA VlRGEM SANTA MARlA

Miqueias 5,1-4a ou Romanos 8, 28-30 ; Sal 12, 6 ; Mateus 1,1-23

NatividadeDaVirgemSantaMaria_VanOverbeck“JESUS-CRISTO, FILHO DE DAVID…”(Mat.1,1-23). Esta genealogia de Jesus, que aborrece muitos, é um dos meus evangelhos preferidos, pois ela está cheia de humanidade : cada um tem um nome, e a sua história interessa a Deus; O Filho de Deus encarna num povo formado por rostos pessoais. Deste grande texto, a divindade de Jesus ressalta de uma forma impressionante. Uma longa lista de gerações, pontuada pelos nomes dos homens que as geraram, conhece subi-tamente uma rotura com o nome de uma mulher: “Maria, da qual foi gerado Jesus”. O imprevisivel de Deus surgiu na nossa história humana. A humilde filha da Palestina, escolhida por Deus para dar à luz Jesus, está em boa companhia nesta ascendência! Há por ex: Raab, que praticava a prostituição, Rute, uma estrangeira moabita, e Betsabé que, casada, se deixou seduzir por David. Deus entra no mundo através da sinceridade dos corações que, mesmo não se privando de nada, podem contudo tornar-se capazes do melhor quando o apelo de Deus se lhes manifesta. Maria pertence portanto a esses pobres de coração que alteram o cur-so da história humana. Nós, pobres pecadores – ao recordar a linhagem de que somos herdeiros – não desesperemos de ter iguais possibilidades nas nossas vidas cristãs. Peçamos vocações consagradas na nossa família!

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

23ª SEMANA DO TEMPO COMUM 2014 (Ano A)

O mês de Setembro – e o período do outono em geral – é particularmente rico em festividades. É tempo de evocação do povo de Deus na sua enorme diversidade. A Páscoa de Jesus e a vinda dO Espírito Santo, celebradas na primavera, são o início da grande festa da Igreja que se prolonga durante o verão e o outono até ao dia de Todos os Santos (1/Nov.) quando o céu e a terra se unem num mesmo louvor eterno, onde cada um de nós se torna membro de Cristo à espera da Sua vinda gloriosa no fim dos tempos. Prouvera a Deus que as nossas vidas pudessem ganhar – na participação da Liturgia da Igreja – toda a sua amplitude, para proclamar ao mundo a grande esperança do “amor partilhado”, tal como ele está em “Cristo, O Ungido” de Deus.

XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 7/SETEMBRO/2014

Ezequiel 33, 7-9 ; Sal 94,1-2. 6-9 ; Romanos 13, 8-10 ; Mateus 18,15-20

ESCUTEMOS A VOZ DO SENHOR !(Sal. 94,1-2.6-9). Este hino celebra Deus pelo que Ele é (“nosso Rochedo”) e o que Ele nos faz (cri-ou-nos, guia-nos). A festa do coração a que o salmista nos convida, baseia-se numa experiência simultâneamente pessoal e colectiva. A quantidade de verbos: vir (ao Templo), gritar, aclamar, dar graças, inclinar-se, prostrar-se, é bem significativa da super- abundância da alegria e do facto que, em matéria de louvor, nada é verdadeiramente adequado à grandeza e ao amor de Deus. Quanto à advertência final, ela recorda um passado doloroso da história do povo (Êxodo 17; Números 20, etc.). O objectivo não é desencorajar, mas antes incitar à escuta, a não ignorar a graça oferecida, a não faltar ao encontro dO Senhor, num apelo a fazer de novo e a viver plenamente a maravilha dessa Aliança que faz dizer ao salmista : “Sim, Ele é o nosso Deus; nós somos o povo que Ele conduz, e o rebanho guiado pela Sua mão”. O dia de hoje é um dia que O senhor nos oferece como uma página em branco para a escrevermos, qualquer que seja o nosso passado : ele é o lugar dum encontro potencial em que Deus aguarda a nossa resposta ao Seu amor. Mas nós sabemos por experiência quanto é difícil encontrar-nos aí, na presença de Deus, de nós mesmos, e dos outros. Renunciar a evadir-nos antecipando o futuro ou refazendo o passado para ser centros de atenção. Atitude que não exclue a cons-ciência que este “hoje” está aberto a promessas: “Quando Deus for tudo em todos”, quando “nós O veremos face a face”. E isto, sem negar a experiência da nossa fragilidade, do nosso coração dividido, da nossa fé facilmente abalada pelas adversidades, como sucedeu a Israel no deserto. Não será desta forma que seremos verdadeiramente livres, a imitar o salmista no louvor e, talvez, a deixar-nos prender por este Deus que faz maravilhas?

O AMOR, FERMENTO DA SOLIDARIEDADE (Ezequiel 33, 7-9; Mateus 18,15-20). A solidariedade não é um vago sentimento de compaixão ou de enternecimento superficial. Ela é a determinação firme e perseverante em trabalhar para o bem comum (Encíclica“Sollicitudo rei socialis”,1987). Ao definir a solidariedade como uma interdependência, João-Paulo ll pôs em evidência a dimensão social do amor recíproco, que faz de todos os crentes vigilantes do amor à paz, em solidariedade com todo o género humano (“Gaudium et spes”, 1). Ele traduzia para hoje a palavra de sempre : a do amor mútuo, do amor que se torna responsável pelo seu irmão. O amor não é pois nem um sentimento vago nem uma casca vazia (“Caritas in veritate”, 3), ele é o meio para discernir nas nossas próprias condutas e nas dos nossos irmãos o pecado que ameaça esmagar-nos. Solidários dos nossos irmãos, nós não somos porém os seus juízes. É na mediação do amor, vigilantes da palavra que salva, agentes de ligação dO Reino de justiça e de paz, que nós escutamos o apelo dO Senhor (“Filho do homem”) para ser co-responsáveis, empenhados na reciprocidade do amor, dispostos também a escutar o irmão que vem, a sós, mostrar-nos as nossas faltas. Na vigília da Natividade da Virgem Maria, é-nos recordado que o amor que salva do pecado, o amor trazido ao mundo por Jesus, é fermento de solidariedade entre os homens. Escutemos o grito de Deus (“Evangelii gaudium”, 211), escreve o papa Francisco. A Igreja chama todos os homens, crentes ou homens de boa vontade, a praticarem esta exigência pessoal e social de um amor que se preocupa humildemente com o outro como um irmão.

JESUS PRESENTE NO MEIO DE NÓS. “Quando dois ou três estiverem reunidos em Meu Nome, Eu estarei no meio deles”. Mistério da presença activa, pacificadora, reconciliadora e amorosa de Jesus no meio dos Seus. Não apenas uma presença “frente” aos Seus discípulos mas bem “no meio” deles. O mistério da comunidade dos cristãos enraíza-se na comunhão íntima com Cristo e na mútua comunhão fraterna. Os discípulos de Jesus esforçam-se por construir a unidade dO Corpo de Cristo recorrendo, se for necessário, à “correcção fraterna”, referida no início do evangelho, associando-se numa oração comum de acção de graças e de petição. Entramos desta forma na comunhão dO Pai e dO Filho. De facto, se O Filho está presente e actua no meio daqueles que oram, como poderá O Pai não atender os pedidos feitos de acordo com a Sua vontade?

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.