1º SÁBADO – 6/SETEMBRO/2014

1Coríntios 4, 6b-15 ; Sal 144, 17-2 ; Lucas 6,1-5

“PORQUE FAZEIS O QUE NÃO É PERMlTlDO EM DlA DE SÁBADO?…” (Luc.5,33-39). Esta pergunta foi feita aos discípulos, mas é Jesus quem responde.  Tomou Ele simplesmente a defesa dos Seus amigos, autorizando-os a esfregar, num dia de sábado, algumas espigas da futura colheita da seara ?   Sim, de algum modo, fazendo referência a David.  Mas sobretudo, Ele corrige, rectifica e critica as falsas interpretações da Lei.  Ele é O Mestre do sábado e isso altera tudo.  Porque já deixou de bastar a pergunta: como ser fiel aos preceitos da Lei ?, para nos interrogarmos: como ser fiéis aO Deus bom, compadecido, generoso, que outorgou uma Lei de vida e de liberdade? O sábado foi dado ao homem para que ele repouse em Deus e descubra o Seu verdadeiro rosto, aquele revelado por Cristo.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1ªSEXTA-FEIRA – 5/SETEMBRO/2014

IRMÃ MARIA DE CAMPELLO (1875-1961).  Esta franciscana dos Missionários de Maria, após a 1ª Guerra Mundial, durante a qual cuidou dos feridos, iniciou, com autorização superior, uma das experiências mais luminosas da vida evangélica do séc. XX.  No velho ermitério franciscano de Campello, que ela restaurou, viveu com outras companheiras, até à sua morte com 86 anos, seguindo um programa ba-seado exclusivamente na oração, no trabalho e no acolhimento de hóspedes. Como várias irmãs, não pertencentes à Igreja católica, ti-nham vindo rapidamente juntar-se à sua comunidade, ela foi durante muito tempo mal vista pelas autoridades eclesiásticas e teve que renunciar quase 30 anos à celebração da missa no seu Ermitério.  Escreveu numa carta : “A Igreja para mim é a sociedade dos crentes. Todo o crente sincero faz parte da alma da Igreja, este é por excelência o significado da palavra “católica”. Sinto-me em comunhão espiritual não apenas com um irmão cristão, mas também com um irmão israelita ou pagão, se viverem da fé, da esperança e do amor…”

1 Coríntios 4,1-5 ; Sal 36, 3-6. 27-28. 39-41 ; Lucas 5, 33-39

ACOLHER A MENSAGEM (1 Coríntios 4,1-5). Como poderemos ter as disposições necessárias para acolher a mensagem evangélica, sem que haja nada em nós a criar-lhe obstáculos ?   Paulo dá-nos um conselho : agirmos sob o olhar de Deus, esquecendo a preocupação do julgamento dos outros. Eis uma forma poderosa de libertar o nosso coração, e bem sabemos que num coração livre Jesus pode fazer entrar a Sua mensagem, a qual, sendo antiga, continua nova.

NinguemDeitaVinhoNovoEmOdresVelhos“O VINHO NOVO EM ODRES NOVOS…” (Luc.5,33-39). É sabido que os jovens aceitam facilmente as novidades e correm atrás delas.   Com a idade dá-se o inverso: é muito difícil renovar as formas de pensar e de viver. O erro dos jovens é não darem suficiente atenção às raízes, o erro dos velhos é esquecerem que, dessas raízes, a vida jorra sem cessar, sempre nova. Jesus propõe-nos uma liberdade que permite a renovação em profundidade, fundada numa sadia tradição, que não deve negligenciar-se nem congelar no passado. É claro que o texto do evangelho vai mais além da estrita visão natural do problema; porém, a nossa vida e o seu desenvolvimento, dependem mesmo dela, como sugerem as imagens “terra a terra” destas pequeninas parábolas. Sagrado Coração de Jesus fazei o meu coração semelhante aO Vosso !

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1ªQUINTA-FEIRA – 4/SETEMBRO/2014

1 Coríntios 3,18-23 ; Sal 23,1-4ab. 5-6 ; Lucas 5,1-11

“TUDO VOS PERTENCE…” (1 Cor.3,18-23). Esta frase de Paulo resume bem o seu pensamento sobre a sabedoria de Deus, posta em contraste com a sabedoria dos homens. A sabedoria segundo o mundo, no sentido aqui entendido pelo Apóstolo, põe a confiança nos valores criados, de que faz valores absolutos. Ao contrário, a sabedoria de Paulo apoia–se firmemente sobre aquilo que é mais fraco que ele, e nada tem que corresponda a uma ver-dadera posse humana, pois não é nem material nem intelectual, apenas espiritual e mística. Só quem se apoiar em Cristo terá acesso a essa posse total, universal e definitiva. Se fosse de outra forma, como poderia Paulo dizer: “Apolo, Pedro, o mundo, a vida, a morte, as coisas presentes e futuras, tudo é vosso” ?… , seria puro delírio! Mas, evidentemente, é ainda na noite da fé que nós possuímos tudo.

AfastaTeDeMimSenhorPoisSouUmHomemPecador_TissotAS REDES ROMPlAM-SE COM TANTO PElXE (Luc.5,1-11). O pensamento de Paulo permite-nos interpretar de modo alargado a cena evangélica da pesca milagrosa. Trata-se, num primeiro sentido, do símbolo da acção missionária.  Mas quem avançar para o largo e disser a Jesus, como Pedro : “Mestre, com a nossa sabedoria da terra (e tinha-a, pois era pescador), tentámos a noite inteira e não pescámos nada, mas em atenção à Tua palavra vou lançar as redes”; esse, ao puxar as redes, encontrará a“pesca” abundante da qual Paulo faz o inventário ao escrever : “o mundo, a vida, a morte, as coisas presentes e futuras, tudo é vosso ; mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus”.  Os sucessores de Pedro, pescadores em todos os oceanos do mundo, lançarão a rede do evangelho aos homens de todas as raças, povos e línguas.  Ela nunca se romperá, porque Cristo deu a vida para todos os homens se reunirem nO Seu Reino.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 3/SETEMBRO/2014

ExtaseDoPapaGergorioMagno_RubensS. GREGÓRIO MAGNO (540-604). Papa, Doutor da Igreja. Empenhou o leme da Igreja quando segundo as suas palavras, ela “era como um navio carcomido e velho, que metia água por ambos os costados”. Converteu os Lombardos que devastavam a diocese de Milão, fomentou a cristianização da Inglaterra e foi o primeiro papa a usar o nome “servo dos servos de Deus”.

1 Coríntios 3,1-9 ; Sal 32,12-15. 20-21 ; Lucas 4, 38-44

DIVIDIDOS (1 Cor.3,1-9). O Espírito Santo é sempre apresentado como quem une. Ele restabelece a uni-dade destruída pelo pecado : Ele reconcilia o homem consigo, com os outros, com Deus e com a Criação. Mas esta obra faz-se em total liberdade, e é isso que explica a razão porque há divisões na comunidade de Corínto, onde Ele parece aliás estar particularmente activo, pois dá diversos dons e carismas nos seus membros. Advinham-se facilmente as raízes das divisões com a reflexão de Paulo. Naquela sociedade, que era demasiado humana, Cristo já não estava no centro das suas vidas como modelo único, e por isso caíam na tentação de todos os tempos e de todos os homens : a de seguirem um “leader”. Aliás, Paulo ousa apresentar-se como modelo, mas convidando-os a verem Cristo-Jesus através dele. Podemos inspirar-nos em Paulo, em Pedro, em João ou em Apolo ; se virmos Jesus através deles, não haverá mais divisões, somente uma sã diversidade que não se opõe à unidade, antes a enriquece.

“TODOS OS QUE TINHAM DOENTES, LEVAVAM-LHOS…” (Luc.4,38-44). Magnífico impulso de oração e de fé que faz, de todos os anó-nimos do evangelho de hoje, servos dos seus irmãos doentes. Imploraram pela sogra de Pedro e trazem aO Mestre da Vida, após o sol posto – já terminado o sábado ! – todos os doentes de Cafarnaum. Jesus cura, expulsa o mal e o que faz mal. O Reino dos céus está já presente nestas reabilitações. A Boa Nova é anunciada com acções. Hoje, O Senhor chama-nos a formar com os nossos irmãos igual cortejo que Lhe leve quem mais sofre. Na fé, sabemos que Ele os abençoa e lhes dá O Seu Espírito de vida. Felizes seremos ao fazê-lo.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 2/SETEMBRO/2014

1 Coríntios 2,10b-16 ; Sal 144, 8-14 ; Lucas 4, 31-37

O QUE HÁ NO HOMEM. Paulo diz aos correspondentes que eles são incapazes de conhecer Deus -O Deus de Jesus-Cristo- só com as forças humanas. Só Ele Se conhece e Se pode revelar pelO Espírito Santo. Para se fazer compreender melhor, o Apóstolo usa uma analogia: quem conhece o que há no homem, senão o espírito do homem ? Na verdade, nem os animais, nem as coisas possuem esta consciência, ainda que o mundo que nos cerca possa ajudar-nos a ir um pouco mais além nesse conhecimento de nós mesmos. Compreendemos perfeitamente esta argumentação. Mas se é verdade que sómente O Espírito nos pode dizer quem é Deus (com os limites da nossas capacidades) também apenas Ele nos pode ensinar, com verdade, o que é o homem ; quem somos nós ; quem sou eu. De facto, há em cada um profundidades que escapam a qualquer investigação das ciências humanas. Não será esta a mensagem par-ticular transmitida pelas curas que Jesus opera ao expulsar os demónios? Ou tratar-se-á, como alguns pensam, de relatos de outros tempos cuja interpretação deve ser simbólica ? Não se tratará antes de um convite para se olhar o homem mais além da superfície? Na verdade, quem poderá descobrir as suas próprias raízes, em particular as raízes do mal que o habita, a não ser O Espírito Santo? E quem poderá extirpar essas más raízes, senão Aquele que escrutina as profundezas de Deus e as profundezas do homem?

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro