TERÇA-FEIRA – 1/JULHO/2014

Amós 3,1-8; 4,11-12 ; Sal 5, 5-8 ; Mateus 8, 23-27

JesusEntrouNaBarcaJESUS ENTROU NA BARCA  (Amós 3,1-8; 4,11-12), (Mat.8,23-27).   A ideia que se pode retirar dos exemplos que apresenta o profeta Amós, é que Deus se empenha a fundo na história humana; a razão colocada à frente e que não pode ser discutida porque é a mais forte: “Escolhi amar”. Diz a sequência do texto: “pedirei contas dos vossos crimes”. Se Deus não amasse, não interviria e as más acções continuariam. Nós, relativamente aos que nos são indiferentes, dizemos : “é lá com eles ; não tenho nada com isso ; que se amanhem, eu lavo daí as minhas mãos !” Mas não diremos o mesmo dos que nos são próximos, porque a sua causa é a nossa. E, todavia, Amós estava longe de adivinhar, por maior profeta que fosse, até onde podia chegar este amor de Deus por nós. Um amor que pode resumir-se na frase de Mateus : “Jesus entrou na barca”.  Uma expressão familiar que exprime bem o projecto de Deus sobre o homem. Quando há um perigo e estamos em terra podemos ser egoístas e dizer : “Salve-se quem puder…”  Numa barca nada há a fazer, é a solidariedade total. As pessoas espantaram-se com o milagre…  Mas o facto mais espantoso não será que o amor de Deus tenha subido para a barca dos homens? “Quem é este Jesus, que se diz ter ressuscitado? O momento da resposta está próximo para mim e eu espero, com o olhar confiante das crianças, o instante em que estarei com Aquele em que por fim tudo se ordena e recapitula”.  Jean Guitton (1901-99) “Últimas palavras”.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama, Ed.Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 30/JUNHO/2014

PRIMEIROS MÁRTIRES DE ROMA (século I). Injustamente acusados por Nero de serem responsáveis pelo incêndio de Roma no ano 64, numerosos cristãos foram crucificados, lançados às feras ou queimados vivos.

Amós 2, 6-10.13-16 ; Sal 49,16bc-23 ; Mateus 8,18-22

SeguirTeEiParaOndeQuerQueFores“MESTRE, SEGUIR-TE-EI PARA ONDE TU FORES…” (Mateus 8,18-22).  Ao homem que assim lhE falou, num momento de entusiasmo, Jesus respondeu: “O Filho do homem não tem sequer onde repousar a cabeça”. Se há uma aspiração humana legítima ela é a aspiração a repousar num lugar íntimo onde seja possível apaziguar o espírito e refazer as forças.   Com a Sua contínua itinerância Jesus deixa-nos entrever a me-dida da “doença de amor”, como se referia a beguina Matilde de Magdeburgo (séc.Xlll) ao desejo ardente de cumprir a Sua missão de salvação.   Mas Jesus também poderia ter respondido como a Tiago e a João: “Poderás beber a taça que Eu vou beber ?” Ele estava já a apontar o caminho da Paixão : o caminho do “nada” ; o “nada” para alcançar O “Todo”.  O “Todo” que está contido na ordem : “Segue-Me !”. Jesus não faz promessas falaciosas ; há todavia aqui uma coisa importante a realçar : Ele corta a direito em relação a todos os que regateiam.  Pode dizer-se que recusa a sabedoria demasiado humana que nunca deixa de pesar os prós e os contras.  “Segue-Me!” diz Ele e  isto será por vezes duro.  Mas se Deus não nos deu a faculdade de conhecer o nosso futuro, foi certamente para não perdermos tempo a imaginá-lo. Não ousaríamos viver se soubéssemos o que nos vai acontecer.  Chamo-te ; portanto “segue-Me”. Sem hesitações, toma o caminho do “nada”. Sai dum passado morto e dum futuro que não te pertence, liberta o teu coração de tudo o que é inútil e pode atrasar-te na caminhada.   “Segue-me”, hoje, agora, neste preciso momento ; do resto, encarrego-me Eu !

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama, Ed.Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.  

SÁBADO – 28/JUNHO/2014

STO. IRENEU DE LIÃO (202). Bispo grego, teólogo e escritor cristão, conheceu S.Policarpo. Escreveu “Adversus Haereses” (Contra as Heresias), para combater o Gnosticismo. Ireneu dizia que a única forma de os cristãos se manterem unidos seria aceitar com humildade a autoridade doutrinária dos concílios episcopais.

CORAÇÃO IMACULADO DE MARIA. A celebração de hoje do“Coração Imaculado de Maria” convida-nos a comungarmos mais profundamente na abertura da Virgem Maria a Deus.

Isaías 61, 9-11 ; 1 Samuel 2, 1. 4-8 ; Lucas 2, 41-51

JesusEntreOsDoutoresPACIÊNCIA PERANTE O INESPERADO (Luc.2,41-51). Maria, figura da humanidade resgatada, é a criatura mais próxima de Deus. Falar do seu Coração Imaculado remete-nos para as Bem-aventuranças e para a pureza de coração que nos abre à visão de Deus (Mat.5,8). Por isso é interessante notar também ela poder ficar confundida e não entender as palavras de Seu Filho, que também era O Filho eterno dO Pai. Mas, ao contrário dos pecadores que nós somos, ela não se acabrunhou perante o inesperado, nem duvidou, reconhecendo que o enigma do reencontro de Jesus no Templo a seu tempo seria compreendido.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama,  Ed.Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 27/JUNHO/2014

SagradoCoracaoDeJesus_03A FESTA DA TERNURA. O mês de Junho é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus e tem por fundamento bíblico a passagem do evangelho de João (19,31-37) relativo ao lado trespassado dO Salvador na Sexta-Feira Santa na cruz. “Do Seu lado trespassado, jorrando o sangue e a água, Ele fez nascer os sacramentos da Igreja”, diz o prefácio da missa desta solenidade. Fixada na sexta-feira seguinte ao 2º domingo depois dO Pentecostes, esta festa poderá ser continuada a celebrar-se, ao longo do ano, nas primeiras  sextas-feiras de cada mês. Foi na capela da Visitação do convento Paray-le-Monial que STA. Margarida Maria Alacoque (festejada em 16/Out.) teve a revelação da profundidade do amor de Cristo por todos os homens. É igualmente em Paray que S. Claude La Colombière, seu confessor jesuíta (festejado a 15/Fev.) tem uma capela.  Temos de admitir serem, por virtude do seu realismo romântico, dificilmente suportáveis a maioria das imagens ligadas a esta devoção. Mas quem se atreverá a dizer que, numa sociedade de violência e de exclusões seja supérfula uma viril “ternura”? Num mundo de competição incessante, quem não reconhecerá a urgência de reintroduzir a mansidão da justiça quer nas relações pes-soais quer entre os povos, e a humildade nos tensos acordos humanos´?  Para se construir a “civilização do amor” pede-se na oração da comunhão da missa de hoje que “Cristo nos ensine a reconhecê-lO nos nossos irmãos”.

Deuteronómio 7, 6-11; Sal 102, 1-4. 6-8.10 ; 1João 4, 7-16 ; Mateus 11, 25-30

“EU SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO…” (Mat.11,25-30).   Quem poderia ter idéia da mansidão e da humildade do coração de Cristo? Este coração, ao mesmo tempo divino e humano, fez-se todo amor ; nele só há obediência e fidelidade aO Pai. Tornando-Se um de nós, nada reteve para Si mesmo e jamais cessou de revelar o rosto de Deus dando-Se totalmente, até à morte, para fazer de nós, pela Sua Ressurreição, viventes que vêm Deus face a face.  Hoje somos convidados a mitigar a sede na fonte de água viva que jorra do coração de Cristo (Jo.7,37-39), a acolher “a ternura do coração do nosso Deus” (Luc.1, 78) que vem visitar-nos, a deixar-nos conduzir pelO Filho até ao mais profundo do mistério trinitário que é comunhão, dom mútuo. Então, qualquer que seja o fardo a pesar sobre nós, tentemos dar resposta ao apelo de Jesus e não O deixar “só”, Ele que nos aguarda e que, na Sua humildade, Se propõe sem Se impôr. Assim, poderemos bendizer Deus no mais íntimo do nosso ser e encontrar repouso.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama,  Ed.Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.