DOMINGO DE PENTECOSTES – 8/JUNHO/2014

Actos 2, 1-11 ; Sal 103,1ab. 24ac. 29bc-31. 34 ; 1Cor.12, 3b-7.12-13 ; Jo.20,19-23

VindaDoEspiritoSantoNo Cenaculo“CHEIOS DO ESPíRITO SANTO…”  (Actos 2,1-11). O relato dos Actos insiste ao mesmo tempo no colectivo e no particular : veja-se a  frequência das palavras “todos” e “cada um”.  As  línguas de fogo são substituídas pelas línguas faladas. Com o dom dO Espírito, o silêncio dos discípulos torna-se palavra. Os discípulos galileus fazem-se compreender por cada um dos Judeus presentes provenientes “de todas as nações que há debaixo do céu” porque eles se exprimiam nas línguas maternas.  Todos aqueles ho-mens ficaram desconcertados e maravilhados. Fazer-lhes conhecer as maravilhas de Deus será a partir de agora o trabalho dos discípulos cheios dO Espírito Santo, anunciado por um som “comparável ao de uma forte rajada de vento” e pelo fogo. O episódio aconteceu durante a festa judaica dO Pentecostes, que celebra o dom da Lei de Deus a Moisés no Sinai. O relato dos Actos é um eco desse acontecimento judaico. Os cristãos são os beneficiários deste novo Sinai. Hoje, O Senhor transmite O Espírito, O Seu Sopro santo, aos discípulos dO Ressuscitado para que eles dêem a conhecer “as maravilhas de Deus” aos Judeus saídos de todas as nações. A continuação do Livro dos Actos desenvolverá o relato dO Pentecostes pois os discípulos irão além dos seus concidadãos, até até ás extremidades da terra. Proclamar “as maravilhas de Deus”, é dar a conhecer a todos o Evangelho que é Jesus, O Ressuscitado. O Pentecostes não é separável da Páscoa.  Os Actos e O Evangelho de João completam-se. Com a Páscoa e O Pentecostes abre-se o tempo dO Espírito e da Igreja, o tempo do testemunho.

NASCIMENTO MISSIONÁRIO (Jo.20,19-23).  Eis a pequenina Igreja nascente reunida em torno de Maria  e dos Apóstolos numa casa. Cerca de cinquenta dias atrás, junto da Cruz, Maria estava só com João. O Espírito já estava presente na auto-entrega de Jesus aO Pai mas, para os discípulos, era a consternação, a dispersão. Agora, por estar ali reunidos, antes de serem cheios dO Espírito Santo e se dirigirem à multidão cosmopolita de Jerusalém, dá-se o encontro decisivo que subverte a consternação. Entre a dispersão e a reunião, Jesus, O Crucificado, aparece-lhes vivo. Ele tinha morto a morte! Sim, a Igreja começa a nascer no momento em que encontra Jesus Cristo.  Ela faz a experiência vital de ser reunida e instigada na paz dO Ressuscitado, apesar dos seus medos. Cristo mostra-lhes as Suas chagas, ela enche-se de alegria e Ele repete-lhe sempre : “A paz esteja convosco!” A Igreja nascente, reunida, pacificada, é então enviada por Jesus, como O próprio Jesus fora enviado pelO Pai: ela recebe O Espírito Santo. A Igreja que passara da dispersão à reunificação pela presença de Cristo ressuscitado, ei-la que passa da reunificação ao envio, pela presença dO Espírito Santo. Podemos interrogar-nos se o mundo não conheceria já melhor Jesus Cristo se as diferentes igrejas cristãs estivessem unidas entre si na evangelização, celebrando, ao menos, os grandes mistérios da fé comum nas mesmas datas, como o Papa Francisco sugeriu na sua viagem à Terra Santa.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

1º SÁBADO – 7/JUNHO/2014

Actos 28,16-20. 23b-24. 28-31 ; Sal10, 4. 5. 7 ; João 21, 20-25

“E ELE ?” (Jo.21,20-25). Tal como o ditado que diz, “a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha”, haverá um ou mais momentos da vida em que poremos a questão : “E ele, Senhor?”  Porque será ele mais gratificado – ao menos na aparência – com a Tua presença? Porque será a vida dele um longo rio tranquilo?  Jesus responder-nos-á então: “Tu, segue-Me”. Comparar-nos aos outros pode levar-nos à inveja, ao ciúme, à tristeza.   Dito isto, pode também acontecer perguntarmos a Deus porque sofrerá tanto alguém.   Ele convidar-nos-á então a reconfortá-lo e a consolá-lo.  Será igualmente seguir Cristo.  Entre Deus e cada um há um segredo íntimo, incomunicável. Amanhã virá O Espírito Santo. Da mesma forma que as crianças, na vigília do Natal, pedem presentes, também as crianças de Deus que somos hoje estão convidadas a mostrar os seus desejos Àquele que tudo pode dar. Entre outros pedidos seria bom que fizéssemos um : a graça de respeitarmos e favorecermos o mais possível a intimidade profunda, única, com Deus, daqueles que nos são próximos.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

1ª SEXTA-FEIRA – 6/JUNHO/2014

SaoNorbertoS. NORBERTO (1080-1134). Convertido aos 35 anos de uma vida de luxo e prazeres, foi o fundador da Ordem “Cónegos Regulares Premonstratenses” que colocou sob a regra de STO. Agostinho. Terminou a sua vida como arcebispo de Magdeburgo, continuando a andar descalço.

SaoMarcelinoChampagnatS. MARCELINO CHAMPAGNAT (1789-1840). Sacerdote, fundador aos 27 anos das “Escolas Irmãos Maristas” para educar na fé as crianças e os jovens. Canonizado por São João-Paulo II em 1999.

Actos 25,13b-21 ; Sal 102,1-2.11-12.19-20ab ; João 21,15-19

TU AMAS-ME ? (Jo.21,15-19). A dois dias dO Pentecostes, antes de voltar ao “tempo comum eclesial”, somos convidados a contempar o último gesto dO Senhor ressuscitado: a fundação e consolidação da Sua Igreja, dando-lhe um chefe. Precaução realista, seriamos talvez levados a pensar… não fora o critério surpreendente seguido por Cristo: escolher alguém que não brilhava nem pelo saber nem, aparentemente, pela prudência. Ele não pede a Pedro que afirme a  fé, mas que confesse o seu amor: por três vezes, como recordação dolorosa da sua tríplice negação. Pede-lhe amor, não por essas “ovelhas sem pastor” que lhe são confiadas mas por Si, único “Bom Pastor”, cabeça do Corpo que é a Sua Igreja.   Na verdade, é no amor por Jesus que se pode desenvolver o nosso amor pelos irmãos.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

1ª QUINTA-FEIRA – 5/JUNHO/2014

S. BONlFÁCIO (675-754). Monge beneditino inglês, evangelizou as populações germânicas. Sagrado ar-cebispo de Maiença, foi ali assassinado antes da Missa Pontifical. Todos os anos, os bispos alemães reúnem-se em Fulda(Hesse) junto do túmulo de S.Bonifácio. Pio lX alargou o seu culto a toda a Igreja.

Actos 22, 30; 23, 6-11 ; Sal 15, 1-2a. 5. 7-11 ; João 17, 20-26

RemocaoDasCorrentesAPaulo“CORAGEM… TENS DE DAR TESTEMUNHO TAMBÉM EM ROMA” (Act.23,11). A força das convicções de Paulo abalaram o mundo judeu e romano : testemunho dado pela palavra, provações e morte final. “O  testemunho que tu deste de Mim em Jerusalém é necessário que também o dês em Roma”. É esta a ordem dO Senhor, muito pessoal e excepcional. Excepcional fora também o encontro de Jesus com Paulo na estrada de Damasco. Paulo tinha “contemplado a glória dO Senhor”, intuição fulgurante que transmitiu entusiasmo à sua vida e pensamento. Todo o apóstolo só pode testemunhar  aquilo que vê, aquilo que sabe por ter ex-perimentado no fundo de si mesmo o mistério de Deus, na luz cativante da “Sua glória”. O essencial de toda a vida cristã é portanto “contemplar a glória de Cristo”, pois só assim será possível dar testemunho.

“QUE ELES SEJAM UM…” (João 17,20-26). As palavras derradeiras de Jesus, as Suas últimas palavras aO Pai, são um veemente apelo à unidade.  Apelo não apenas a ser mais unidos, mas a ser “um”.   O texto grego, mais exacto que o português, evita a forma “um” no masculino que significaria identidade, fusão numa só pessoa ; o texto grego utiliza a forma neutra, “um”, no sentido de uma união perfeita ; esta descreve-se por inhabitação mútua (“tu e mim e eu em ti”), sempre no respeito de cada pessoa. Será possível atingir-se comunhão tão profunda ?    O evangelista sabe bem que se trata dum horizonte, duma meta para onde Jesus nos atrai. A conjunção escolhida “como; tal como” sublinha esta aproximação: nós só vamos a caminho, em aprendizagem permanente, num caminho em que Jesus nos precede. Essa “unidade perfeita” só pode compreender-se na vida de Cristo: fez-Se homem e quis habitar entre nós até à Sua morte-ressurreição, recriando-nos livres do mal, das divisões e das discórdias. “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”, clama Paulo. Jesus vive em cada um pela Sua Palavra, pelO Seu Espírito, e pela Sua Eucaristia, e, em conjunto, formamos O Seu Corpo. Tornámo-nos filhos nO único Filho; e como Ele é Um com O Pai, nós seremos “um” no “nós” de Deus.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.