QUARTA-FEIRA – 3/FEVEREIRO/2016

a_SantaClaudineThevenetSTA. CLAUDINE THÉVENET (1774-1837). “Ver Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus !”, foi a oração constante desta mulher que com 12 anos viu fuzilar 2 irmãos na Revolução Francesa, e nunca mais esqueceu as últimas palavras dum deles : “Glady, perdoa como nós perdoamos!” E ela decidiu perdoar. Fez da sua religião e vida apostólica um acto de louvor à glóia de Deus, até exclamar ao morrer : “Deus é bom!” A congregação que fundou de “Religiosas de Jesus-Maria” está profundamente infuenciada pela sua forte personalidade de fortaleza, inteligência, capacidade de organização e amor pelas crianças que cuidava. Não tolerava preferências nem parcialidades : “A única preferência que permitirei é pelos mais pobres e pelos mais deficientes…” Hoje há mais de 1800 religiosas de Jesus-Maia em mais de 180 comunidades nos 5 continentes. A mulher que queria “ser mãe de todas as crianças” foi canonizada por S. João-Paulo II (1993).

2 Samuel 24, 2. 8b-17 ; Sal 31,1-2. 5-7 ; Marcos 6, 1-6

O AMOR DO PAl REVELADO AO PECADOR(Sal.31,1-2.5-7). O Salm. 31 declara feliz não o justo mas o pecador a quem o pecado é perdoado. Ele remete-nos para as parábolas da misericórdia, em que Cristo assegura aos que O ouvem que : “há mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende do que pelos noventa e nove justos que não têm necessidade de conversão” (Lucas 15,7). A alegria do céu e a alegria da terra correspondem-se. O Salmo fala-nos também da solidez de quem se situa na verdade e confessa o seu pecado a Deus, como o publicano do Evangelho (Luc.18,13-14). Esta solidez compara-se à de Cristo, “rocha” na qual se deve construir a casa, revelação do amor dO Pai (Mat.7,24-27).

“ELE É DOS NOSSOS…” (Marcos 6,1-6). Triste sorte, a reservada ao profeta : desprezado na sua pátria, na sua família e na sua casa. Esta série de três palavras está aqui para nos lembrar o versículo – dos mais célebres – em que Deus manda Abraão deixar “a sua pátria, a sua família e a casa de seu pai.” (Génesis 12,1). Por contraste, Gad – o vidente de David, na primeira leitura – é enviado ao rei para o obrigar a fazer uma escolha dolorosa. David foi, porém, menos refractário ao Seu Deus do que os Nazarenos serão a Jesus. Assim, há aqueles que Deus convida – como Abraão – a expatriarem-se, mas há também os que Ele envia – como Gad – ao Seu povo. Podemos meditar na coragem de Jesus, mas é mais útil aproveitar estes textos para fazer a nós próprios algumas interrogações. Qual será, hoje, o equivalente à “pátria” de Jesus ? Em que situações somos tentados a apropriar-nos d’Ele; a considerá-lO como um “dos nossos” e, por isso, a pretender saber o que Ele deve dizer, valorizando apenas as Suas palavras não perturbadoras dos hábitos do nosso pensamento, local e preconceituoso?

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.