TERÇA-FEIRA – 16/FEVEREIRO/2016

a_MArtirioDeSaoPanfiloS. PÂNFILO DE CESAREIA (250-309). Nascido em Béryte (actual Beirute), estudou teologia em Alexandria, foi ordenado sacerdote e ensinou na escola teológica de Cesareia (criada por Orígenes, e em cuja defesa doutrinal escreveu). Foi decapitado, com mais 11 companheiros, durante a perseguição de Maximiniano.

Isaías 55, 10-11 ; Sal 33, 4-7. 16-19 ; Mateus 6, 7-15

“ASSIM A PALAVRA QUE SAI DA MINHA BOCA…” (Is.55,10-11). Com uma espantosa força poética, lsaías evoca o poder da Palavra de Deus, numa ilustração perfeita desse poder graças ao vocábulo hebraico “davar”, que significa simultâneamente palavra e acção, de alguém que faz o que diz : assim, a chuva que fecunda a terra é, ao mesmo tempo, imagem da “palavra criadora” e do “fruto”. Deus cria com a Palavra que arranca à morte e cria vida. Palavra criadora actuante em todas as vidas, cujo trajecto é o da oração. Alguém que se ponha à escuta da Palavra deixar-se-á impregnar, moldar, pelo Seu poder criador. Essa Palavra entra no coração, e revela as zonas de sombra trazendo-as à luz ; Ela transforma-nos e eleva-nos a Deus em acção de graças.

“PAI NOSSO, QUE ESTÁS NO CÉU…” (Mat.6,7-15). Para renovar a atenção interior a esta prece por vezes repisada, eis o que dela diz Simone Weil : “O Pai-Nosso contém todos os pedidos possíveis; não se pode conceber uma oração que não esteja já contida n’Ele. Ele está para a oração como Cristo para a humanidade. É impossível pronunciá-lo uma única vez, dando a cada palavra plena atenção, sem que alguma mudança, talvez infinitésimal mas real, se opere na alma”. Que mais se poderá acrescentar? A não ser que temos a bela e pesada responsabilidade de transmitir esta oração cristã fundamental aos nossos descendentes e aos nossos contemporâneos, tal como a recebemos dos pais ou dos nossos educadores.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.