DOMINGO DA SANTíSSIMA TRINDADE – 22/MAIO/2016

SantissimaTrindadeProvérbios 8, 22-31 ; Sal 8, 4-9 ; Romanos 5, 1-5 ; João 16,12-15

“DESDE O PRINCíPIO…” (Prov.8,22-31; Rom.5,1-5) . Nove versículos a testemunhar uma convicção: a da existência de um universo criado e ordenado, querido por Deus, ou seja, a convicção de que a aventura humana tem sentido. Neste texto surge a misteriosa imagem da Sabedoria, entidade feminina excepcionalmente próxima de Deus. Aparece como criatura e, todavia, distingue-se da Criação. Ela tão pouco se confunde com Deus. O texto está estruturado num esquema temporal: antes, durante e após a Criação. A Sabedoria fez correr muita tinta. Foi identificada à Tora, palavra criadora e activa no culto (B.Sirá 24,1-3). Ela foi também identificada a um “espírito” que passa em cada um para o fazer amigo de Deus (Sab.7,7.14). Ela matém o universo. Mediadora entre Deus e os homens, é essa qualidade do criado que nos interroga e deslumbra. Paulo diz o mesmo aos Romanos: a Criação que nos envolve, mas igualmente a nossa própria identidade, encaminham-nos para Deus. A graça não actua em nós, entre nós e no cosmos? Porém a visão harmoniosa da realidade pode chocar com a nossa experiência da desarmonia e do sofrimento. A Bíblia, recordemo-lo, não nega estes últimos (Gén.3-11; Rom.7-24), e convida-nos a não nos deixar paralisar com a experiência do mal e a procurar nutrir a nossa confiança num Deus que quis “o bom”.

A TRINDADE, LINGUAGEM DE MISERICÓRDIA (João 16,12-15). Deus: um Pai revelado nO Filho e pelO Espírito Santo, totalmente. E, também, mistério Trinitário que nunca cessa de Se propôr a cada um. O que descobrimos, neste Ano Jubilar, sobre o segredo de Deus? “Misericordioso como O Pai”, é o lema que propõe. “(Deus) dá-Se Por inteiro, para sempre, gratuitamente, e sem nada pedir em troca. Ele vem em nosso socorro quando O invocamos”, lembra o papa Francisco (“Misericordiae vultus”).

SANTíSSIMA TRINDADE Na Cruz e na manhã da Páscoa, Cristo revela o rosto misericordioso dO Pai. Ele deu-Se por inteiro na morte e na ressurreição. Jesus, O Filho, que passou a vida a servir os pecadores, os pobres, os doentes e os excluidos, incita-nos continuamente a que façamos o mesmo. Mestre Zweder van Culemborg, Iluminura E continua a dar-Se gratuitamente, sem pedir nada em troca. O Espírito de verdade gera a adesão e o testemunho dos que são tocados pelO Amor de Deus. Ele vem em nosso socorro. A forma como Deus nos ama é bem concreta. Por nos amar à Sua imagem, ou seja, na relação que une O Pai aO Filho e aO Espírito, numa troca de amor transbordante e fecunda. Para nos deixarmos arrebatar neste dinamismo trinitário, Ele convida-nos a termos gestos de ternura, lágrimas de compaixão e silêncios de humildade, numa escuta paciente com um olhar de bondade e palavras de mansidão. “Cada vez que fazemos o sinal da cruz, apropriamo-nos do grande mistério da Trindade” (Papa Francisco).

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.