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A entrega de si a Deus – iniciativas

Apresentamos aqui apenas algumas linhas gerais. Pelo que se disse acima, os adolescentes participam activamente com os seus ideais e acções.

I. Um primeiro grupo de iniciativas concretiza-se no cuidado para com as crianças que começam a frequentar a catequese no primeiro volume: preparação do acolhimento, preparação da recepção da Avé-Maria, testemunho de fé e acompanhamento do seu crescer ao longo do ano.

a) Acolhimento das crianças que pela primeira vez frequentam a catequese Embora possa ser o caso de crianças que passam a frequentar outros volumes, a generalidade das crianças nesta situação foi inscrita no primeiro volume (algumas no despertar da fé), portanto, à volta de seis anos de idade. É bom que estas crianças e as suas famílias sejam acolhidas com simplicidade e verdade e encontrem uma Igreja próxima de si. Assim também é importante que a transmissão da fé, que começou com os pais e será mais intensa com o grupo de catequese, passe também por jovens que fizeram, com fidelidade, um caminho semelhante ao que as crianças estão a começar.

Para os próprios jovens, vale o que afirmava o Beato João Paulo II: «É dando a fé que ela se fortalece» (Redemptoris Missio, 2). O momento principal do acolhimento é na Eucaristia (6 de Outubro de 2013), mas outros momentos podem ser valorizados: por exemplo, um postal de boas vindas, feito pelos jovens, um acolhimento feito às crianças, antes da Eucaristia, aos pais, nas entradas da Igreja, etc.
Com os pais, noutra altura, poderão apresentar-se alguns testemunhos de pais e de catequistas que já percorreram, com a ajuda de Deus, o caminho de fé ao longo destes anos e assim ajudar a preparar as várias etapas futuras do itinerário de catequese com os filhos, em família e na paróquia.

b) Entrega da Ave Maria (8 de Dezembro)

Será preparada com um momento de oração do terço, rezado pelas próprias crianças, no di 7 de Dezembro, vigília da Solenidade da Imaculada Conceição.

Também aqui a presença dos jovens do compromisso, por exemplo, preparando o ambiente celebrativo, os cânticos, as meditações, a oração e o significado da devoção e amor a Nossa Senhora na vida de fé, pode ser um facto muito belo.

II. Um segundo grupo de respeita ao conhecimento dos caminhos da santidade, à oração e à Fé actuante pelas obras. Cada encontro de catequese ao longo do mês de Outubro, mais intenso, poderá ser dedicado à escuta de testemunhos missionários (por exemplo, de voluntários que estiveram nas missões: consagrados e consagradas, casais, outros leigos, adultos e jovens); ao contacto com a vida de santos (por exemplo, o filme «Bakhita», os santos do próprio mês, indicados acima); à oração profunda e partilhada, pedindo a Jesus a luz interior sobre a vocação da própria vida). O mês será também dedicado à preparação do compromisso diante de Deus, a realizar no Dia das Missões: uma decisão autêntica, relacionada com a oração, com a relação com os pais, etc., segundo as disposições de cada para o próprio 9.º volume de catequese, tendo presente que alguns dos jovens já receberam o Sacramento da Confirmação.

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Indicações para os catequistas – a adolescência

A passagem da infância para a maioridade faz-se também através da adolescência. Apesar de ser passageiro – não é desejável um adulto ter carácter adolescencial – aquele período exige dos educadores um saber pedagógico adequado às mudanças interiores que atravessam a pessoa naquela idade, nas suas várias dimensões: a relação com Deus, a relação com os pais e com a família, a relação consigo próprio, a relação com o dever, a formação moral e da força da vontade, a distinção entre o bem e o mal, a consciência do
pecado, a amizade, o contexto comunicacional e os universos virtuais.

Em concreto, deve o catequista evitar que a forma de comunicação com os jovens e com o grupo de catequese, na escuta da Palavra, na vivência da fé, no testemunho, na mudança de vida, seja uma repetição ou um prolongamento do que se fez até aos 11 ou 12 anos, em geral, a idade da profissão de Fé. Com essa idade, as pessoas alcançam novos patamares de pensamento crítico próprio.

Em âmbito moral (decisão pessoal e social pelo bem autêntico), é necessária uma presença educativa segura e alegre (não relativista, certa, constante, atraente e não rígida) capaz de ajudar a fortalecer interiormente a escolha do que é bom aos olhos de Deus. Actualiza-se também por este meio a profissão de fé recebida no Baptismo e a renúncia ao mal. No respeitante ao conhecimento, requere-se a sabedoria de antecipar respostas indicativas, que pacifiquem a inquietude da procura, partilhando critérios de
discernimento, segundo a vida e a amizade de Cristo (cf. Jo 15), e não soluções abstractas e acabadas, que não passem pelo trabalho interior dos adolescentes. É na amizade com Jesus, vivida na plenitude sacramental, se alimenta a liberdade e a confiança para escutar, para falar, para O conhecer, para O seguir.

Tudo isto requere um método (caminho) próprio, activo, não dependente dos impulsos do momento e da inconstância dos ânimos, mas não indiferente à vida real, significativo para a experiência de cada um, capaz de iluminar com a luz de Deus a realidade do crescimento que a pessoa enfrenta todos os dias, de forma bastante acelerada no período da adolescência. A idade dos 14 anos, depois da fase anterior, marca a vida da pessoa com opções fundamentais sobre a descoberta de Deus que se revela pessoalmente, a vida moral, a síntese intelectual, a resposta vocacional. Nem sempre a pessoa se dá conta da importância do que está a acontecer naquele momento para a vida futura

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A entrega de si a Deus – significado

O compromisso é uma atitude e uma decisão interior, diante de Deus, no seguimento de Jesus, que se exprime num propósito (resolução firme). Esta resolução de entrega total a Deus é urgente e em cada momento deve ser renovada. Mas é Deus que realiza esta maravilha.

O diálogo de Jesus com o jovem rico (Mc 10,17-27) mostra bem como a vida eterna se encontra neste dar-se completamente, sem reservas e sem condições, seguindo Aquele que «sendo rico, se tornou pobre por nós, para nos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8,9).

Os catequistas, em primeiro lugar, como os sacerdotes e todos os que receberam uma missão na Igreja são interpelados por esta Palavra. Dei tudo? Deixei-me libertar de mim? Sigo somente a Cristo? Ou estou preso a riquezas que não são Ele nem são d’Ele? Que obstáculos deixo que existam no caminho até Cristo? Que resoluções tomo neste momento diante de Deus para pôr em prática este ano, para, com a ajuda da sua graça, alcançar a vida eterna?

Este exercício espiritual feito e vivido pelos catequistas, crentes em Jesus, transmite-se, como testemunho, aos jovens que frequentam a catequese nos grupos. «Dei-vos o exemplo, para que assim como Eu fiz, vós o façais também» (Jo 13,15). A transmissão da fé, também na catequese, passa por este testemunho, por este contacto com uma obra realizada por Deus. A participação na eucaristia do Domingo em que se exprime o compromisso, (preparada, sempre que necessário com o sacramento da Reconciliação), a comunhão do Corpo de Cristo, a resolução tomada diante de Deus, constituem o «compromisso». Daqui se compreende tratar-se duma decisão interior, não individualista, mas feita em Igreja; livre; não ditada; não esquematizada e, quanto à matéria, não exposta aos demais. Poderá, no entanto, ser discernida com a ajuda do director espiritual ou do confessor.

Se toda a catequese, através da escuta da Palavra, conduz à resposta vocacional – a minha vida, dom de Deus, oferecida à luz de Deus – este significado é particularmente intenso na idade da adolescência. É missão do catequista ajudar a fazer este discernimento porque a Providência chama cada um ao seu lugar na Igreja.

Não esqueçamos, no mesmo sentido, a pergunta que Nossa Senhora fez aos pastorinhos, mesmo antes da adolescência, quando ainda eram crianças: «Quereis oferecer-vos a Deus?». «Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido de de súplica pela conversão dos pecadores? ” A resposta foi “Sim, queremos!”

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A celebração da entrega de si a Deus

Pode exprimir-se este «compromisso» em forma de oração, através de algum texto elaborado pelos próprios, com a graça de Deus, ou então segundo alguma oração dos santos.

Lembremos que a participação na liturgia é activa (porque cada cristão faz parte da história de salvação que está a acontecer e a celebrar-se), plena (porque a totalidade da pessoa, corpo e alma, é mergulhada na celebração) e consciente (porque envolve o saber e o querer). Por outras palavras, a participação não é maior ou melhor por causa dos actos externos: cantar alto, fazer gestos, leituras ou comentários.

Os próprios ritos litúrgicos desde a entrada até à conclusão contêm o significado da autêntica participação e quando são bem vividos, ajudam o crente a megulhar com alegria no mistério de Cristo. Os próprios ritos fazem com que a pessoa participe activamente, plenamente e conscientemente.

Nossa Senhora, «serva do Senhor», nos ensine, ajude e proteja.

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A entrega de si e o compromisso

«Gostaria de me dirigir especialmente a vós, rapazes e moças, a vós jovens: comprometei-vos no vosso dever quotidiano, no estudo, no trabalho, nas relações de amizade, na ajuda aos outros; o vosso futuro depende também do modo como souberdes viver estes anos preciosos da vossa vida. Não tenhais medo do compromisso, do sacrifício, e não olheis para o futuro com temor; mantende viva a esperança: há sempre uma luz no horizonte».

Papa Francisco, Audiência Geral 1.5.2013

Quantas pessoas pagam caro o compromisso pela verdade! Quantos homens rectos preferem ir contra a corrente, para não renegar a voz da consciência, a voz da verdade! Pessoas rectas, que não receiam ir contra a corrente! E nós, não devemos ter medo! Entre vós há muitos jovens. A vós jovens digo: não tenhais medo de ir contra a corrente, quando nos querem roubar a esperança, quando nos propõem estes valores estragados, valores como uma refeição deteriorada que nos faz mal; estes valores fazem-nos mal. Devemos ir contra a corrente! E vós jovens, sede os primeiros: ide contra a corrente e tende este orgulho precisamente de ir contra a corrente. Em frente, sede corajosos e ide contra a corrente. E
senti-vos orgulhosos por fazê-lo!

Papa Francisco, Angelus 23.6.2013

Não deixemos entrar no nosso coração a cultura do descartável, porque nós somos irmãos. Ninguém é descartável! Lembremo-nos sempre: somente quando se é capaz de compartilhar é que se enriquece de verdade; tudo aquilo que se partilha multiplica-se! Pensemos na multiplicação dos pães de Jesus! A medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais necessitados, quem não tem outra coisa senão a sua pobreza!

Papa Francisco, Rio de Janeiro, 25.7.2013

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