Todos os artigos de paroquiacruzquebrada

SÁBADO – 25/ABRIL/2015 S. MARCOS, EVANGELlSTA

1 Pedro 5, 5b-14 ; Sal 88, 2-3. 6-7. 16-17 ; Marcos 16,15-20

“ELES FORAM PREGAR POR TODA A PARTE…” (Mar.16,15-20). S. Marcos, companheiro de Pedro e de Paulo, autor do mais antigo dos evangelhos, diz a tradição ter anunciado a Boa-Nova até ao Egipto. Ele é representado com um leão, como se vê em Veneza. O leão é um animal do deserto. Ora, o evangelho de Marcos começa com a pregação de João Baptista no deserto e daí o símbolo leonino. De Chipre à Ásia Menor, de Roma à Líbia, de Alexandria a Veneza, a presença de S. Marcos reencontra-se nos vastos horizontes onde a tradição se reclama sua posteridade. É que ele cumpriu o que escreveu: proclamar “por toda a parte” O Evangelho “a toda a gente”. A oferta da salvação de Deus em Jesus-Cristo é universal. Deixemo-nos agarrar pelo seu dinamismo!

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

Somos todos pessoas

Esta iniciativa está relacionada com as vítimas dos naufrágios no Mediterrâneo e propõe algumas iniciativas para o próximo Domingo, 26 de abril.

Explicação

Oração para a refeição

Senhor, nosso Deus,
nós vos damos graças pelo alimento que partilhamos.
Nos vos pedimos por todos os que,
sem terem o necessário para viver,
buscam na Europa um futuro melhor.
E, em especial, por aqueles que,
em tão grande número,
morrem no Mediterrâneo.
Nós vos pedimos sabedoria
para os responsáveis dos governos e para cada um nós,
que nos leve a encontrar soluções justas e solidárias,
capazes de pôr termo à fome.
Que, quando nos apresentarmos diante de Vós,
possamos reconhecer-nos como membros
de uma só família humana com alimento para todos.
Por Cristo, nosso Senhor.

Amen.

SEXTA-FEIRA – 24/ABRIL/2015

S. FIEL DE SIGMARINGA (1578-1623). Renunciou à sua profissão de advogado para entrar nos Capuchinhos. Enviado em missão para a Suiça, obteve a conversão de muitos chefes calvinistas antes de ser assassinado: “Meu Jesus, tende piedade de mim. Santa Maria, Mãe de Deus, assisti-me!”, disse pouco antes de morrer.

Actos 9,1-20 ; Sal 116, 1-2 ; João 6, 52-59

“ENTÃO OS OLHOS ABRlRAM-SE…” (Act.9,1-20). O que significa a cegueira de Saulo após o encontro com Cristo? Qual é o sentido do seu jejum durante esse tempo? Não ver e não tomar alimento simboliza a morte, e os 3 dias aqui referidos recordam-nos o artigo do Credo: “Ele ressuscitou ao 3º dia”. Durante esta espécie de morte, Saulo conheceu uma transformação semelhante à de Cristo: Jesus histórico, identificado com o homem pecador, que na noite do túmulo Se transforma nO Ressuscitado da manhã da Páscoa. De facto, é outro homem, que a mudança de nome – Saulo, em vez de Paulo – simboliza, e que veremos na continuação dos Actos. Temos aqui um esquema da vida cristã que pode experimentar, e experimenta várias vezes, o “caminho de Damasco”.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 23/ABRIL/2015

S. JORGE (303). O culto de S.Jorge (é um dos 14 S.TOS Auxiliares) funda-se no martírio de um soldado romano, sob o imperador Diocleciano, em Lida, na Palestina). A tradição popular atribui-lhe o título de matador do dragão que tudo destruia com o seu vómito de fogo e vivia num lago perto de Silena, Líbia. É padroeiro de Inglaterra. Na luta contra Castela, o auxílio do Duque de Lencastre a D. Fernando, trouxe a devoção para Portugal. Em 1388, no lugar onde fora hasteada a bandeira portuguesa na batalha de Aljubarrota, fundou-se uma ermida de S.Jorge.

S.TO ADALBERTO (956-997). Bispo de Praga, baptisou o futuro S.TO Estêvão da Hungria e fundou a abadia beneditina de Brevnov na Boémia. Morreu mártir na Prússia pagã com 41 anos.

Actos 8, 26-40 ; Sal 65, 8-9.16-17. 20 ; João 6, 44-51

UM EUNUCO (Act.8,26-40). O 1º pagão que o diácono Filipe baptiza na fé em Jesus-Cristo é um eunuco. Uma realidade carregada de sentido para os leitores da Escritura. O Livro de Isaías diz que o exílio na Babilónia porá fim à descendência de David : “os filhos do rei serão os eunucos do palácio” (Is. 39,7). Mas os primeiros pagãos acolhidos no templo de Deus no regresso do exílio serão os “eunucos (…) que escolheram o que Me é agradável e se afeiçoaram à Minha aliança” (Isaías 56,4). A fidelidade a Deus e à Sua aliança vem substituir a genealogia como critério de pertença. Aqui, o eunuco vindo da Etiópia para adorar a Deus reconhece em Jesus O Servo anunciado: aquele a quem “a vida foi cortada” é O Filho de Deus glorificado que atrai os homens a Si. “A MINHA CARNE, DADA PELA VlDA DO MUNDO…” (João 6,44-51). “Pão e jogos” era uma expressão usada na Roma antiga para troçar dos imperadores demagogos que procuravam assim adular o povo e tornarem-se bem-queridos. Jesus porém não promete mundos e fundos, nem propõe diversões fáceis e efémeras. Quando Ele diz ser O Pão da vida, não se trata de um slogan ou de uma frase feita, sem ligação verdadeira com o quotidiano das pessoas. Jesus dá efectivamente a Sua vida. “O pão que Eu hei-de dar pela vida do mundo é a Minha carne”. Por Jesus ser O filho de Deus, a Sua morte na carne pode dar a vida ao mundo. Deus não Se fica nas palavras, mas a Sua Palavra produz o que ela nos diz.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 22/ABRIL/2015

S.TA SENHORlNHA (924-982). Natural de Vieira do Minho era prima de S. Rosendo e viveu num mosteiro de Cabeceiras de Bastos de que só restam alguns vestígios arqueológicos. Apesar de apenas no séc. XVIII o ofício de S.TA Senhorinha entrar no Breviário Bracarense, esta festa fazia parte dos calendários da Igreja e das Ordens monásticas desde o séc.XIII.

S.LEÓNIDAS (457-556). Filósofo, retórico e professor em Alexandria. Pai de Orígenes, cedo reconheceu o génio do filho que o queria acompanhar quando o pai foi preso e decapitado. Origenes fez-lhe chegar uma carta em que dizia: “Deus cuidará de nós”. Assim foi; apesar dos bens da família terem sido confiscados, uma senhora rica cuidou da viúva e dos 7 filhos.

Actos 8, 1b-8 ; Sal 65, 1-3a. 4-7a ; João 6, 35-40

FAZER A VONTADE DO PAI (Act.8,1b-8). O amor pode chegar a ser tão forte que até se alegra com o ódio sofrido e
servir-se dele como meio para fazer a vontade de Deus. A perseguição, relatada nos Actos, impulsiona a missão e contribui para fazer crescer a semente de vida divina pois a terra está regada com o sangue de Estevão, 1º mártir lapidado, de que Paulo foi testemunha. Foi nas perseguições que Saulo acumulou um potencial de arrependimento sem o qual talvez nunca tivesse sido o Apóstolo Paulo, missionário de grandeza ímpar que continua, hoje, a evangelizar-nos com os seus escritos. Saulo prendia os cristãos, mas, quando ele próprio ficou prisioneiro por causa de Cristo, compreendeu não ser possível acorrentar a Boa-Nova da plena libertação em Jesus Cristo e que os muros das prisões a iriam gritar ao mundo. Isto continua a ser assim : a emoção que por toda a parte suscitam as detenções por razões de fé e de consciência evidencia como elas têm enorme valor para o anúncio dO Evangelho e da verdade. Jesus veio cumprir a vontade dO Pai e todo o universo está ao Seu serviço para apoiar a Sua obra. Maravilhamo-nos ao ver que, de algum modo, os acontecimentos dizem a Deus aquilo que nós deviamos dizer: “Eis-nos aqui : utiliza-nos a Teu bel-prazer”. Não podemos deixar de crer que Deus deseja, antes de mais, o serviço livre das criaturas! A narrativa dos Actos é o 1º acto deste grande drama, desta“divina comédia”, na qual todos estamos implicados não como simples espectadores mas como actores bem comprometidos.

REGRESSAR A CRISTO, INCANSAVELMENTE (João 6,35-40). Jesus apresenta-Se como Aquele que nos dá a vida eterna. Mas o que é essa vida eterna? A Sua oração, no capítulo 17 do evangelho de João, ensina-nos que ela tem uma parte ligada ao conhecimento dO único e verdadeiro Deus, um conhecimento fundado no amor. Portanto, sem O Filho nO qual podemos ver O Pai, arriscamo-nos muito a fabricar “um falso deus”,fruto de fantasmas de omnipotência, da nossa necessidadede consolação ou ainda de muitas outras coisas. Eis o convite para voltarmos sempre a Cristo tal como Se revela nas Escrituras. Não é Ele o caminho e a verdade?

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.