A entrega de si a Deus – significado

O compromisso é uma atitude e uma decisão interior, diante de Deus, no seguimento de Jesus, que se exprime num propósito (resolução firme). Esta resolução de entrega total a Deus é urgente e em cada momento deve ser renovada. Mas é Deus que realiza esta maravilha.

O diálogo de Jesus com o jovem rico (Mc 10,17-27) mostra bem como a vida eterna se encontra neste dar-se completamente, sem reservas e sem condições, seguindo Aquele que «sendo rico, se tornou pobre por nós, para nos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8,9).

Os catequistas, em primeiro lugar, como os sacerdotes e todos os que receberam uma missão na Igreja são interpelados por esta Palavra. Dei tudo? Deixei-me libertar de mim? Sigo somente a Cristo? Ou estou preso a riquezas que não são Ele nem são d’Ele? Que obstáculos deixo que existam no caminho até Cristo? Que resoluções tomo neste momento diante de Deus para pôr em prática este ano, para, com a ajuda da sua graça, alcançar a vida eterna?

Este exercício espiritual feito e vivido pelos catequistas, crentes em Jesus, transmite-se, como testemunho, aos jovens que frequentam a catequese nos grupos. «Dei-vos o exemplo, para que assim como Eu fiz, vós o façais também» (Jo 13,15). A transmissão da fé, também na catequese, passa por este testemunho, por este contacto com uma obra realizada por Deus. A participação na eucaristia do Domingo em que se exprime o compromisso, (preparada, sempre que necessário com o sacramento da Reconciliação), a comunhão do Corpo de Cristo, a resolução tomada diante de Deus, constituem o «compromisso». Daqui se compreende tratar-se duma decisão interior, não individualista, mas feita em Igreja; livre; não ditada; não esquematizada e, quanto à matéria, não exposta aos demais. Poderá, no entanto, ser discernida com a ajuda do director espiritual ou do confessor.

Se toda a catequese, através da escuta da Palavra, conduz à resposta vocacional – a minha vida, dom de Deus, oferecida à luz de Deus – este significado é particularmente intenso na idade da adolescência. É missão do catequista ajudar a fazer este discernimento porque a Providência chama cada um ao seu lugar na Igreja.

Não esqueçamos, no mesmo sentido, a pergunta que Nossa Senhora fez aos pastorinhos, mesmo antes da adolescência, quando ainda eram crianças: «Quereis oferecer-vos a Deus?». «Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido de de súplica pela conversão dos pecadores? ” A resposta foi “Sim, queremos!”

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A celebração da entrega de si a Deus

Pode exprimir-se este «compromisso» em forma de oração, através de algum texto elaborado pelos próprios, com a graça de Deus, ou então segundo alguma oração dos santos.

Lembremos que a participação na liturgia é activa (porque cada cristão faz parte da história de salvação que está a acontecer e a celebrar-se), plena (porque a totalidade da pessoa, corpo e alma, é mergulhada na celebração) e consciente (porque envolve o saber e o querer). Por outras palavras, a participação não é maior ou melhor por causa dos actos externos: cantar alto, fazer gestos, leituras ou comentários.

Os próprios ritos litúrgicos desde a entrada até à conclusão contêm o significado da autêntica participação e quando são bem vividos, ajudam o crente a megulhar com alegria no mistério de Cristo. Os próprios ritos fazem com que a pessoa participe activamente, plenamente e conscientemente.

Nossa Senhora, «serva do Senhor», nos ensine, ajude e proteja.

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A entrega de si e o compromisso

«Gostaria de me dirigir especialmente a vós, rapazes e moças, a vós jovens: comprometei-vos no vosso dever quotidiano, no estudo, no trabalho, nas relações de amizade, na ajuda aos outros; o vosso futuro depende também do modo como souberdes viver estes anos preciosos da vossa vida. Não tenhais medo do compromisso, do sacrifício, e não olheis para o futuro com temor; mantende viva a esperança: há sempre uma luz no horizonte».

Papa Francisco, Audiência Geral 1.5.2013

Quantas pessoas pagam caro o compromisso pela verdade! Quantos homens rectos preferem ir contra a corrente, para não renegar a voz da consciência, a voz da verdade! Pessoas rectas, que não receiam ir contra a corrente! E nós, não devemos ter medo! Entre vós há muitos jovens. A vós jovens digo: não tenhais medo de ir contra a corrente, quando nos querem roubar a esperança, quando nos propõem estes valores estragados, valores como uma refeição deteriorada que nos faz mal; estes valores fazem-nos mal. Devemos ir contra a corrente! E vós jovens, sede os primeiros: ide contra a corrente e tende este orgulho precisamente de ir contra a corrente. Em frente, sede corajosos e ide contra a corrente. E
senti-vos orgulhosos por fazê-lo!

Papa Francisco, Angelus 23.6.2013

Não deixemos entrar no nosso coração a cultura do descartável, porque nós somos irmãos. Ninguém é descartável! Lembremo-nos sempre: somente quando se é capaz de compartilhar é que se enriquece de verdade; tudo aquilo que se partilha multiplica-se! Pensemos na multiplicação dos pães de Jesus! A medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais necessitados, quem não tem outra coisa senão a sua pobreza!

Papa Francisco, Rio de Janeiro, 25.7.2013

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A Vós Senhor Jesus ofereço a minha vida (9.º Volume)

A ENTREGA DE SI E O COMPROMISSO (9.º volume de Catequese; no último Domingo de Outubro)

SÁBADO – 10/OUTUBRO/2015

S. DANIEL COMBONI (1831-81). Missionário no Sudão e no Egipto. Fundou os “Missionários Combonianos”.

Joel 4, 12-21; Sal 96, 1-2. 5-6. 11-12; Lucas 11, 27-28

“FELIZES OS QUE GUARDAM A PALAVRA…” (Lucas 11,27-28). Quem melhor que Maria terá guardado e meditado a Palavra de Deus? Por duas vezes, S.Lucas nos diz que “Maria guardava e meditava todos os acontecimentos no seu coração”. Mas aqui, ele mostra-nos que Maria é mais feliz por isso do que por ser a mãe de Cristo segundo a carne. Como ela deve ter meditado essa Palavra! Quantas coisas lhe devem ter parecido não estar conformes às ideias habituais do seu povo! Um nascimento pobre e obscuro, uma vida simples durante 30 anos, e, quando O Seu Filho Jesus inicia a vida pública não surge a vitória, bem pelo contrário. Jesus entra em confronto com os membros mais considerados e conhecedores da Lei dO Seu Povo. Maria tentou compreender tudo isto. Mas não basta escutar-se a Palavra, é preciso guardá-la, meditá-la, pô-la em prática – senão de nada servirá a Sua escuta e leitura – e Maria pode servir-nos de exemplo : ela é a primeira bem-aventurada a tê-lo feito.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.