V DOMINGO DO TEMPO COMUM – 7/FEVEREIRO/2016

a_JesusAEnsinarDaBarcaSTO. EGíDIO MARIA DE S. JOSÉ (1729-1812). Nasceu pobre numa família cristã, foi cordoeiro, ficou orfão aos 18 anos e aos 25 foi aceite pelos Frades Menores “Alcantarinos” da Província franciscana de Lecce. Em 1759 foi enviado para o hospital de S. Pascoal em Chiaia, Nápoles, onde permaneceu 53 anos até morrer. “Amai a Deus!, Amai a Deus!”, costumava repetir nas ruas de Nápoles. A vida de Egídio foi essencialmente contemplativa. A “contemplação” foi justamente aquilo que o fez ter consciência do sofrimento e miséria dos seus irmãos e o converteu em chama de ternura e caridade. Apóstolo da assistência sanitária, Egídio Maria interpela os jovens, chamados a tomar decisões generosas e decisivas para a vida do mundo. Interpela as famílias, para que sejam escolas de vida para o futuro da humanidade. O papa S. João-Paulo II, canonizou-o em 1996.

Isaías 6,1-2a.3-8; Sal 137,1-5.7c-8 ; 1 Coríntios 15,1-11; Lucas 5,1-11

TRANSMITIR O EVANGELHO (Marc.6,53-56). Hoje como ontem, a sonorização tem um papel decisivo. Foi por razões acústicas que Jesus quis falar da barca que Pedro manobrava; na superfície da água, o som propaga-se melhor, a multidão não O aperta e e escuta mais correctamente o Seu ensino. Todavia, Lucas que narra com tantos detalhes o acontecimento não nos diz nenhuma palavra que, na ocasião, Jesus proferiu! O que prova como a simples narrativa nos evangelhos da palavra de Deus pode tocar a nossa vida, à semelhança de um carvão em brasa. Esta Palavra, longe de se limitar a uma série de normas a cumprir durante a vida, apresenta-se sob a forma dum relato pormenorizado, história do primeiro grupo de homens que Cristo chamou e enviou. Se Lucas não especifica hoje o conteúdo do ensino de Jesus não é por se esquecer! É porque, para ele, esta é a melhor forma de dar força às palavras e de evidenciar a sua inscrição na história das pessoas singulares. É na sua própria vida que Pedro e os outros pescadores vêem a fecundidade das palavras de Cristo, têm consciência dela no coração do seu quotidiano. Assim, as leituras de domingo propõem-nos um itinerário para a existência crente. Como Paulo nos recorda na carta aos Coríntios, recebemos O Evangelho dos nossos predecessores, e temos a responsabilidade de O transmitir. Isto passa primeiro que tudo pela consistência da nossa vida, tão frágil, porque é essa Palavra feita carne que nos permite ao mesmo tempo “resistir” e ser enviados.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1ª SÁBADO – 6/FEVEREIRO/2016

a_SaoPauloMikiECompanheirosS. PAULO MIKI e COMPANHEIROS Em 1957, ergueram-se 26 cruzes – numa colina perto da cidade de Nagasaki – para crucificar Paulo Miki, jesuíta japonês, e os companheiros. Eram ainda mais 2 jesuítas, 6 franciscanos e 17 leigos, (entre eles 3 jovens com menos de 14 anos), todos crucificados por causa da sua fé e amor a Cristo. A humanidade necessita de homens e mulheres como S.Paulo Miki, que vivam da Palavra de Jesus : “Que o vosso sim seja, Sim, e o vosso não seja, Não; tudo o resto vem do Maligno”.

1 Reis 3,4-13; Sal 118,9-14; Marcos 6,30-34

REENCONTRAR O SEU SENHOR(1 Reis 3,4-13 ; Sal.3,4-13). Escutar a voz de Deus, pôr em prática as Suas palavras é fonte de alegria para o salmista e lugar de encontro com O Seu Senhor. Não foi isto que Maria viveu? Não guardou ela “todas as coisas no coração”, fazendo a escolha de Deus numa intimidade de todos os instantes ? Quanto à questão relacionada com a sua juventude ela pode evocar o jovem Salomão que não pediu riquezas a Deus mas apenas a sabedoria identificada com a Palavra para discernir o desígnio divino e aceitá-lo por amor. Maria, e sómente Maria, pode “dirigir os nossos passos com segurança” (Jeremias 10,23).

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1ª SEXTA-FEIRA – 5/FEVEREIRO/2016

STA. ÁGUEDA (251). Jovem siciliana, martirizada em Catânia, que por ter recusado o assédio de um poderoso e permanecido fiel a Cristo foi atrozmente mutilada dos seios, arrancados com tenazes. Protectora dos sismos.

Ben-Sirá 47,2-13; Sal 17,31.47.49.50.51; Mateus 6,14-29

ACOLHER A GRATUITIDADE DO DOM DE DEUS (Salmo 17). Este salmo evoca a nossa participação, pessoal e eclesial, na vitória de Deus sobre as forças do mal. Convida-nos a contemplar Cristo pascal em que já somos vencedores (Apoc.2-3). Uma realidade que depressa esquecemos, seja porque não fazemos a ligação entre a Ressurreição e as nossas vidas concretas, seja por acreditarmos convictamente ser capazes de vencer as forças do mal por nós mesmos. Então, peçamos a Deus a graça de experimentar os frutos da Páscoa, os frutos do espírito da vida. Cabe a cada um acolher a gratuitidade e a superabundância deste dom que Deus lhe dá.

“HERODES DEU UM BANQUETE AOS DIGNATÁRIOS.” (Marc.6,14-19). Quantas violências nascem de uma rivalidade amorosa ou do alcóol bebido durante uma refeição, ou ainda de palavras que nos escapam. O episódio do Rei Herodes coagido a mandar decapitar João, o primo de Jesus, por causa duma promessa insensata tem todos estes ingredientes que levam à morte. Hoje, somos chamados a testemunhar Cristo no contexto das violências contra os cristãos no Iraque, Síria, Nigéria, Eritreia e muitas outras regiões. Como os monges de Tibhirine e muitos outros, o cristão é mandado a amar até os inimigos. Pagar o bem com o bem ou o mal com o mal, é a lei comum. Vencer o mal com o bem (Rom.12,21) é seguir Cristo que, no último momento, orou ao Pai pelos seus carrascos.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1ª QUINTA-FEIRA – 4/FEVEREIRO/2016

a_SaoJoaoDeBritoS. JOÃO DE BRITO (1647-1693). Em 1673, João de Brito embarcou para Goa, Índia. Os primeiros tempos foram de preparação para a vida missionária: dormia no chão, não comia carne nem peixe, sómente vegetais, fruta, arroz e leite, com nenhumas condições materiais à disposição. Ali terminou os seus estudos de Teologia. Em 1674 parte para Madurai, onde a sua ajuda social e fé converte milhares de indus. Em 1686 vai para o reino de Maravá com 5 catequistas e cruza-se com o chefe do exército que os prende e tortura, procurando levá-los a invocar o Deus Shiva, o que recusam. Poupado à pena capital, regressa a Portugal, mas volta à India em 1690, onde em 1693, por fim sofreu o martírio à mãos de um rajá, pai da concubina de sangue real repudiada pelo príncipe polígamo convertido por João de Brito. Foi canonizado (1947) pelo papa BTO. Pio XII.

1 Reis 2,1-4.10-12 ; 1 Crónicas 29, 10-12; Marcos 6,7-13

NA MÃO DE DEUS (Crónicas 29,10-12). “Na Tua Mão, força e poder; tudo n’Ela, cresce e se solidifica.” Vemos como a Escritura não receia utilizar as imagens para falar de Deus. Recordemos que STO lreneu “identificou” as duas mãos de Deus, que criam e recriam, com O Filho e com O Espírito . Mas como permanecer nessas mãos de Deus ? Deixando-nos trabalhar por elas. Isso, tem de passar por uma disponibilidade interior, na oração e na contemplação de Cristo, tal como é revelado no Evangelho, ou seja, por pôr em prática o duplo mandamento do amor, não de maneira legalista mas com o impulso do desejo.

“CHAMOU OS DOZE E COMEÇOU A ENVIÁ-LOS EM MISSÃO” (Marc.6,7-13). Doze é o número rico em referências bíblicas. Tal como Jacob e os seus 12 filhos de onde sairam as 12 tribos de Israel, Jesus terá um colégio de 12 apóstolos. A Jerusalém celeste tem 12 portas e assenta em 12 bases, tendo cada uma o nome de um dos 12 apóstolos dO Cordeiro. Este número simboliza a continuidade do Novo Testamento sobre o Antigo, mas a partir de Cristo, pedra angular, e dos apóstolos, as fundações. Deve admirar-nos que os apóstolos partilhem o poder e a autoridade de Deus de curar e pratiquem exorcismos retirando os pecados. E também que este poder esteja agora entregue aos sacerdotes.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.